sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pais e filhos: A hora de dormir


No mundo de hoje, e em condições normais, a relação pais – filhos menores é algo alegre, divertido de se viver, contar, ouvir dizer por que é contagiante a paixão que cada um de nós experiementa desde o momento que ex bebé começa a dar os primeiros passos até a altura que já se pode contar com mais um (a) amiguinho (a) para uma conversinha animada. Mas nem tudo é “cor de rosa” nesta relação e hoje gostaria de trocar ideias convosco sobre a hora de dormir.

Um dos grandes problemas que alguns pais enfrentam de noite é quando chega a hora de mandar as crianças para a cama. Choros, pedidos para ficar um pouco mais, medo de ficar sozinho, de fantasmas- a lista poderia continuar- são comportamentos comuns principalmente na faixa etária dos 2 aos 6 anos.

Diz se que toda a criança entre 1 e 6 anos deve dormir entre 10 a 12 horas por dia, alias como todos sabem é a dormir que se cresce.Entretanto, nem sempre as crianças dormem durante o tempo recomendável, pois ficam até tarde a assistir TV, a brincar com os irmãosinhos ou presos aos videogame, entre outros.
Os reflexos deste dormir tardio são visíveis quando chega a hora de levantar para ir a creche/escola e ela não aceita, quer dizer, os pais enfrentam problemas para mandá-las à cama e também para as acordar!E então o que fazer? como mudar esta situação? É possível mudar esta situação sem causar outro tipo de problemas/traumas a criança?como?

Reconheço que cada relação pais – filhos tem as suas especificidades, não podemos generalizar as coisas, mas sou da opinião que os pais devem impor limites, dentro dos limites, nos seus filhos, estabelecendo horários para brincadeiras principalmente as nocturnas. Tem se visto, por vezes, crianças depois das 19 horas na rua a brincar, isto não me parece correcto, aliás brincadeiras agitadas durante a noite podem perturbar o sono da criança.

Há algum tempo atrás discutimos aqui, qual a melhor altura para os pais colocarem os filhos a dormirem no seu próprio quarto.Penso que neste caso, ter a criança no seu quarto mais cedo é vantajoso, pois para além de diminuir a dependência do filho em relação aos pais, possibilita que eles (os pais) criem no quarto do filho todo um ritual que antecede a hora de dormir.

É importante também criar uma rotina, e que esta seja consistente, para evitar que se mande a criança para cama numa certa hora hoje e amanhã noutra. Pode se criar uma sequencia de acontecimentos, tais como o banho-lanche-uma brincadeira leve-pijama-jantar-escovar os dentes-historinha-xixi-cama. Substituir as bincadeiras mais activas por outras mais leves pode, também, ser uma saída .

Este ritual quando executado sistematicamente pode fazer com que a criança comece a prever que se aproxima a hora de dormir e que esta é uma forma feliz de terminar o dia.

Importa salientar que a hora de dormir se, por um lado, constitui um problema para as crianças não é menos verdade que para alguns pais também o é, pois, tendo uma agenda diária muito apertada, passando a maior parte do dia fora de casa e longe das crianças torna-se difícil ter tempo para criar e perpetuar a rotina, aliás muitas vezes eles só têm tempo para ficar com os filhos exactamente no momento em que eles devem dormir, sendo que chegam a sentir uma certa “culpa” em mandá-los para cama, tornando –se assim os primeiros a quebrar a rotina... a questão continua há saidas para este “quebra-cabeças”?

10 comentários:

amosse macamo disse...

Educar significa sempre contrariar. A criança não tem vontades, aliás, quem deve dirigir a vontade das crianças são os pais.
Hoje, se assiste um deixa andar em relação a certos comportamentos que as crianças tem e os pais podiam cortar em tepo útil.
Não me parece correcto que se deixe uma criança ver filmes at¬é tarde nem que seja o filme preferido dele e nem correcto quando os pais, embalados pela companhia dos filhos, não se lembram da hora de cama.
Tenho uma filha de 7 meses, a noite, ela dorme no m¬áximo at¬é as 19 e 30 e isto só acontece porque, quando se aproxima essa hora, o levamos para dormir, porque, quando o dexamos na sala (quando sai uma publicidade qualquer e porque repetitiva a criança guarda), simplesmente não dorme, porque entretida com a publicidade na televisão e o próprio ambiente que sabe não se próprio para ela dormir.
Devemos como pais, aprenderdermos a limitar os nossos filhos e ajustá-los ao razoável e repito, educar pode significar sempre contrariar, pelo que devemos mandar os filhos dormir nem que isso signifique contraria-los.
deixe-me terminar com uma pequena historia: tenho um sobrinho que alem de ficar a ver filmes ate tarde, ficava tambem a tomar o wiskie do pai e nao se estranhava que ele acordasse tao tarde, justamente por causa dos filmes. hoje, ja adulto, ninguem mais controlar seu vicio, porque adquirido na infancia.

Júlio Mutisse disse...

Infelizmente nem sempre estou em casa à hora das crianças irem a cama mas existe já uma rotina consolidada e pacífica quanto a esta questão.

Por causa das "distracções noturnas" com sms's, videogames, música etc, estabeleceu-se um ritual: esses objectos não são levados ao quarto. O seu uso cessa no momento do xi-xi, bjinho ao papá (quando está) e a mamã e cama. É que, não poucas vezes, quando em revista ao cell (para aferir do uso dado) é normal encontrar mensagens dos meus sobrinhos enviadas as 22, 23 ou mesmo 2 horas da madrugada... e isso só me dá o alento de que a decisão de "despojar" as meninas desses artefactos a hora de dormir é acertada.

A hora de dormir, mesmo para mim, é sagrada. Há pois que zelar que também seja para as crianças.

Mas minha gente, há coisas que em determinada idade não devem ser um bicho de 7 cabeças com os nossos filhos. É exactamente como diz o Amosse, temos que dirigir a vontade das crianças.

Os pais tem que ser carinhosos, meigos, educadores etc., mas também tem que ter AUTORIDADE sobre os filhos. Sendo a conversa importante desde a tenra idade, quando esta parece falhar, há que apelar à AUTORIDADE de pai. Não podemos estar em constante negociação com os nossos filhos, nem lhes permitir a chantagem com o "vou ligar para a atia Supinha"... somos pais se a tal é tia é porque "é tia" e não pai ou mãe.

Entenda-se, não estou a falar de bater nos nossos filhos, falo de termos autoridade sobre eles desde a mais tenra idade sob o risco de aos 12/14 já termos perdido todo o control.

Mutisse

Júlio Mutisse disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Júlio Mutisse disse...

Já agora, com todo o respeito pelo trabalho que está a ser feito contra a violência contra as crianças, me parece que a mensagem está a ser passada de um jeito que pode resvalar para a perda da referida AUTORIDADE que os pais devem ter sobre os seus filhos.

Por causa do episódio "vou ligar para tia Supinha" que assisti em casa de um casal amigo, tentei perceber em casa que história é esta da "tia Supinha" e como ela tem sido contada.

Pareceu que, a partir dos casos reais de violência contra a criança, se criou um mito cujo controlo e combate está a ser desenvolvido e dessiminado para os nossos filhos de tal forma que um berrinho para os nossos filhos já te ameaçam com ligação a "tia Supinha", cujo número anda em muitos dos telemóveis das crianças (ja fiscalizei 3 cells de sobrinhos meus entre os 9 e 10 anos e lá consta).

Então, se a escolarização é um complemento à educação trazida de casa, da sociedade etc, e através dela o Estado aproveita para passar mensagens, é necessário ter o maior cuidado sob o risco de escangalhar um edifício educativo que muitos de nós construímos com muito esmero. Capaz inclusive de se intrometer na HORA DE DORMIR.

Graças a Deus na minha casa não preciso lembrar que sou pai... quando tenho que lembrar a hora de ir dormir, de parar de fazer algo, que não tenho dinheiro para a boneca, ninguém duvida do que estou a dizer. Sou pai e não tio.

X!mb!t@nE disse...

Opa, novos tempos, novas atitudes.Dessa do numero da tia Supinho nao conhecia, pobrezinha.

Eu tenho enormes dificuldades em por os meninos a dormir a horas por terem medo de estar sozinhos ou do escuro, resultado: durmo cedo para que eles tambem durmam.

Yndongah disse...

Oi Amosse
Claro que a criança sendo um ser humano tem que ter vontades, porem como bem disseste essas vontades devem ser dirigidas pelos pais, isso possibilita a criança a ter noçao de limite, e ajuda a prepara-la para enfrentar os desafios do futuro.Acho bem que continues a manter a hora de dormir da tua menina, mesmo que passe aquela publicidade que ela gosta, alias isso lembra-me um grande erro que cometi com meu filho, em tempos passava uma publicidade que ele gostava e ate dancava, todas as noites quando passasse eu era a primeira a ir procura-lo onde quer que estivesse para ver, convencida que lhe estava a fazer um agrado sem me apreceber que estava a torna-lo dependente, quando a publicidade parou de passar foi um martirio, o menino ficava pregado na tv e chorava todas as noites, ate dormir, para meu desespero.

Yndongah disse...

Pois eh Julio,
A perda de autoridade dos pais em relaçao aos filhos eh um fenomeno que cresce a cada dia que passa, o que me parece eh que esta havendo uma inversao de valores os pais tendem a ter mais medo de perder o amor dos filhos do que o contrario , e por isso adoptam uma postura que tera efeitos perniciosos no futuro. Tal como a Xim nao sabia dessa da Tia Supinho, realmente instituiçoes que velam pelos direitos da criança precisam.se desde que nao sirvam para colocar em causa a autoridade dos pais, neste caso, se as coisas acontecem tal como contas eh preciso se rever a forma de actuaçao dessa instituiçao.

Yndongah disse...

Eh isso irma,
Ja sei porque costumas ir a cama com as galinhas...
Eu nao tenho problemas em relaçao a hora de dormir do meu filho, mas eh claro ele nunca vaide livre vontade,eh preciso que agluem lhe diga que chegou a hora, ele vai sem refilar, o meu problema eh outro, que alias ja discutimos aqui. Eu e ele partilhamos o mesmo quarto em camas diferentes a verdade eh que ele sempre acorda na minha cama, podemos conversar,combinar tudo direitinho antes de dormir, tu na tua e eu na minha, mas ao meio da noite com ou sem motivo o menino da um jeito de migrar pa minha cama, eish!

Júlio S. disse...

Yndo, eu ainda ando a procura da razão que origina essa inversão.

Será que trabalhamos muito e temos pouco tempo com os nossos filhos? Duvido. Meu pai era mineiro estava ausente durante 90% do ano mas quando vinha, chegava com toda a sua autoridade, amor e carinho para dar a todos nós (mas as roupas e os brinquedos que esperávamos).

É evidente que o contexto em que cresci e vivi essa realidade a época, a conjuntura etc., são distintos do actual mas, será que só isso, justifica a inversão? Também tenho dúvidas.

Também não tinhamos TV nem jogos de vídeo mas mesmo assim A HI TLANGA e brincávamos muito... inventávamos as nossas brincadeiras e os nossos brinquedos e não nos importávamos de brincar até cair de não mais aguentar nem de esticar mais um pouco a brincadeira ariscando berros ou porrada em casa por isso.

Quem aqui não apanhou por entrar em casa fora de horas? Isto para mim reflecte que os nossos pais tinham controlo sobre nós e autoridade acima de tudo.

Ninguém, NORMAL, fazia birras a toa. A verdade é que nos refugiamos nos nossos muitos afazeres para não olhar pelos nossos filhos. Compensámo-los admitindo o que para nós mesmos era inadmissível. Toleramos excessos, oferecemos coisas erradas, fazemo-nos substituir pelas empregadas que, muitas vezes, têm as suas próprias limitações e deficiências de educação que acabam passando para os nossos filhos.

A brecha de tempo que aranjamos para, no intervalo entre um dos nossos tantos compromissos, pararmos e beber uma cerveja, visitar aquela amiga, ou estar 2 horas no salão a "aranjar cabelo" (que aberração) deveriamos usar para estar com os nossos filhos, compreendermos os seus anseios, dar lhes o que eles DE VERDADE, esperam de nós: atenção, amor e carinho. Assim nunca teriamos dificuldades para os pôr a dormir ou a fazer qualquer outra coisa.

Os nossos filhos apegam-se aos video games, a TV etc., porque é o que eles tem em mãos. O que eles de verdade querem e gostam é de nós seus pais, que nos distanciamos porque somos "muito ocupados" e os deixamos, não poucas vezes, com babás não escolarizadas, incapazes de até lhes ajudarem nas contas básicas da segunda ou terceira classe, dizendo que eles estão protegidos quando, vulenaribilizámo-los...

Resultado: Birra na hora de dormir porque quer estar com a mãe e a ver o que sempre vê... please não entendam aquela birra de outra forma.

Mutisse

clic disse...

Xiiiiiiii, tanta coisa para pensar! Ainda agora cheguei! :)))