domingo, 15 de fevereiro de 2009

Solteiras vs Livres

“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo....isto é carência!(Fransisco Buarque)

Para começar devo dizer que o assunto que pretendo abordar é controverso, complexo e pode ser analisado de múltiplas formas, com maior ou menor paixão, emoção, conhecimento de causa(?).Mesmo reconhecendo a dificuldade em abordá-lo procurarei dar um olhar geral sobre algumas formas questionando o instituido, assumido como “acabado”.A postagem é longa espero que me acompanhem e que tenhamos um debate construtivo.

Antigamente, uma mulher sem namorado, noivo, marido, ou uma relação mínimamente estável era considerada “anormal” por alguns segmentos da nossa sociedade, chegando se até a dizer que ela tem um marido invisível, um xicuembo xa mudliwa, por isso os homens não a conseguem “ver” e á medida em que a idade aumentasse a preocupação também aumentava, daí que era necessário purificá-la – encomendar um banho-, ou encontrar outras soluções para resolver o problema desta que manchava o bom nome da família.


Em certos casos, essa mulher tornava-se numa pessoa frustrada, cheia de problemas emocionais e, depois de uma certa idade, ao ter a certeza de que vai passar para “titia” , como se diz por aí, a vida dela tornava-se um autêntico flagelo, um jardim sem flores, “mulher perigosa”, excluída socialmente. A “sorte triste” dela seria de viver numa solidão(?) eterna tudo porque não conseguiu sair de casa para viver com um homem como a maioria (?) das mulheres!

Com o passar do tempo essa tendencia vem mudando, já se torna “comum” encontrar mulheres orgulhosamente solteiras (?), ou com um relacionamento, totalmente livre de imposições, obrigatoriedades ou exigências masculinas.Este grupo de mulheres, já não se considera solteira mas sim livre! Atenção, não quero com isso dizer que as casadas não podem ser livres, estou apenas a dizer que actualmente nalguns contextos estabelece-se um paralelismo entre a “solteirice e a liberdade”, o que é discutível por isso é que procuro debater este assunto nesta postagem.

Antes de avançar vou tentar mostrar o meu entendimento sobre alguns dos conceitos que serão recorrentes nesta postagem a saber: solteira e livre /independente.
Para mim ser solteira significa aquela que não casou e não tem marido, enquanto que ser livre/independente significa ser autónoma!
Com a introdução do se ser livre começa-se a ter uma concepção menos estanque do ser solteira, ou seja, ser solteira está a deixar de se ser sozinha, começa também a se ser livre/independente...para ser mais clara, estamos a ter uma versão contemporânea de solteiras...eish complicado né?

Ora bem, toda mulher tem o sonho de se casar na “idade ideal” e constituir família, porém nota-se que nos dias de hoje em alguns contextos algumas procuram inicialmente formar e profissionalizar-se de modo a atingir uma certa independência e só depois começam a pensar em relacionamentos sérios, que as tirem da categoria de solteiras, nos moldes defendidos pela maioria das pessoas.A sequência ideial dos acontecimentos deveria ser: formar-se, encontrar um bom emprego, casar e finalmente fazer filhos, claro com o homem ideal.

A mulher, espera que sendo independente,isto é, tendo um rendimento, poderá ter mais segurança e respeito no lar bem como uma certa liberdade em fazer certas coisas sem ter que esperar da boa vontade do marido para que “liberte” os fundos.De certa forma, a independência financeira das mulheres diminui a sobrecarga dos respectivos maridos.

Entratanto, nem sempre as coisas acontecem tal qual a sequência ideal sugere, é comum encontrar muitas mulheres, formadas, financeiramente independentes e belíssimas que não tenham algum relacionamento sério!Deixem-me abrir aqui um parênteses e dizer que certos homens, apesar de admirarem mulheres bonitas e independentes na hora de escolher, é a submissa/dependente quem vai lá para casa!As razões e as motivações dessa escolha são outro assunto...

Do lado das mulheres, hoje são várias as razões que contribuem para o aumento da solteirice, dentre elas a vontade própria para ficar sozinha, a escassês da” espécie” (leia-se homens), os insucessos amorosos, razões de ordem tradicional, os próprios ”termos de referência” do candidato que são muito peneirados o que faz com que o tempo passe enquanto aguardam pelo parceiro á altura, o facto de já terem sido casadas- dependentes/submissas ou não -e não quererem repetir a (má?) experiência, por aí em diante.

A verdade é uma, a solteirice está a ser vista de forma diferente, encará-la com alguma “normalidade” torna-se cada vez mais comum.Ser solteira hoje começa a ser diferente do que era ontem, aliás há quem ache que o estado civil começa a preocupar mais aos homens do que as mulheres...Será?

Esta nova tendência pode ser uma forma de “aceitar” e encarar a realidade, nas suas multifacetadas vertentes, tentando dar outro sentido a vida, sem se apegar aos aspectos normativos considerados correctos, também pelo facto de se achar que ser livre tem as suas vantagens pois, não se precisa prestar contas a ninguém-entenda-se homem- permite ter o seu próprio espaço, liberdade para se relacionar com quem quiser- o que não se deve confundir com a dita promiscuidade- ter mais tempo para se dedicar a carreira e vida profissional etc. Aqui a independência financeira é aliada á pessoal.

Pois bem, chegados a esta parte é fundamental questionar: Será que esta liberdade é de todo satisfatória?Existem momentos em que todos precisamos de dar e receber carinho, amor atenção enfim sentirmo-nos imprortantes para alguém, será que nesses momentos o “caso, saca cenas ou fica” seja qual for a denominação, consegue suprir essa necessidade?E até que ponto o facto de algumas mulheres quererem e lutarem para serem livres não as torna dependentes dessa mesma liberdade?Serão depois de “livres” realmente “livres” ou controladas por essa liberdade?

Bem, não posso deixar de dizer que esta nova versão tem o seu lado bom, se antes ser solteira dava ideia de solidão, só, sozinha, mulher incompleta, hoje, esse limão já não é tão azedo, podemos dizer que está um pouco mais ou menos - bavitsoco (agridoce) - não acham?

Seja como for solteira ou casada o importante é tentar ser feliz, e não depende apenas necessariamente da existência de um parceiro(a) com quem se divide o espaço!



23 comentários:

Jonathan McCharty disse...

E' claro q ter alguem a seu lado e' ambicao de todo o ser humano! Quem nao quer ter um parceiro(a)? O problema e' mesmo esse do "crivo"!! A "check-list" de muitas mulheres e' "bue' extensa"! A coisa piora, quanto mais formadas elas forem, com o agravante que muitos homens, teem pavor de "mulheres fortes", que confrontem as suas ideias, que tenham a sua profissao e independencia financeira! Para muitos homens "retrogrados", e aqui falo de doutores, engenheiros, etc, a sua "autoridade" no lar, dependente e nunca esta' dissociada do dinheiro! Se por alguma razao, a esposa passa a ganhar mais, este ate' perde o tesao!
Por isso, nao admira que um "sub-mundo" esteja a ser criado por essas mulheres! As especies que nao se adaptam.....
Mas este e' um tema complexo e actual e e' possivel que mais umas 3 postagens sejam necessarias para "descasca-lo" devidamente!

Anónimo disse...

Opa vamos fazer o quê, senão dizer seja feita a vontade delas, embora eu continue a acreditar que há muitas nuvens em torno dessa independência. Se olharmos um pouquinho mais fundo para a questão a nebulosidade aumenta mais ainda senao vejamos: sem querer fazer generalizacões, se existem casos em qua a independência contribui na comparticipação das despesas do dia a dia, e na solidificação da partilha de responsabilidades pelo bem estar do agregado familiar, pelo menos é como eu interpreto quando dizes que “de certa forma, a independência financeira das mulheres diminui a sobrecarga dos respectivos maridos”, casos há em que a situação é oposta, assim como poderemos encontrar casos de ‘independentes’ que ainda acreditam que pagar as despesas da casa é uma tarefa unica e exclusivamente masculina, logo esta diminuição da sobrecarga dos maridos desaparece. Deixa-me apimentar um bocadinho mais a questão, o meu exemplo pode até ser extremista/minimalista, infeliz , paciência, mas mesmo assim deixa-me dizer que casos há de ‘machos’ que sempre cumprem com as suas obrigações, casados com financeiramente independentes, depois de uma sexta feira de “má vida” – só com copos-, bem embabalazados em pleno sábado elas os acordam porque as crianças ainda nao tomaram chá porque falta pão em casa, bom talvez seja uma forma de protesto ao sucedido na noite anterior, não sei, tenho duvidas, seja como for se a solteirice, como dizes é agridoce, a independência também é….
Abraços, Aurelio Miambo

X!mb!t@nE disse...

E eu a pensar que o assunto eram as solteiras, afinal sao casadas? Camaradas, essas dicas dao para outra postagem!

Yndongah disse...

Oh Jonathan, bons olhos o vejam.
"As especies que nao se adaptam..." Tens que explicar melhor isso!Interessante essa explicacao que das em relacao a fobia que os homens tem de mulheres bem sucedidas,vejo que existe muito por explorar neste assunto por isso concordo contigo, precisamos mais postagens para "descasca lo devidamente"
Fique de olho. Um abraco

Yndongah disse...

Amigo Miambo,
Obrigado pelo teu comentario, acabaste colocando a "carroca em frente dos burros"! Sobre a comparticipacao nas despesas da casa estou a preparar um post e espero por ti para discutirmos, por enquanto como diz a Xim vamos tratar das solteiras.
Um abraco e volte sempre.

Nyabetse, Tatinguwaku disse...

Ola manas e manos.

Primeiro gostaria só de apontar que do que eu sei, ate as familias da cidade e "modernas" tem a procupacao do "Mudliwa", pior se a filha em questão for linda. Muitas das vezes somos nós (mulheres solteiras estudadas e crescidas) quem lhes trava. Por isso nao se atrevem a mandar-nos a purificacao.

Mas deixemos a familia por enquanto, e passemos as prima donas (hehehehe).
tenho notado que depois da formacao profissional, e do enquadramento laboral, a mulher embora tome um tempo para curtir a sua liberdade, ja comeca a ter um interesse numa relacao estavel. Mesmo que esta nao inclua criancas logo a prior, o desejo eh de ter alguem com quem se pode partilhar os sucessos, as frustracoes, as coisas mais triviais do dia a dia. Claro que existem as amigas. mas no fim do dia, da semana, elas desaparecem para o seu cantinho. Um cantinho que se pensa ser sempre aconchegante.

Oque eu acho triste é quando a mulher acredita mesmo que só será completa (e terá mais respeito) se tiver um homem ao lado. E desta forma, fico triste ao ver mulheres bem sucedidas, admiradas e até desejadas, ficar numa relacao abusiva e sem respeito, apenas pelo bom nome do matrimônio.

Continuo:

Felizmente ha homens que estao preparados para passar a vida ao lado de uma mulher que trabalhe, divida as despesas, e que eh activa socialmente. E olham para a sua companheira com orgulho. Especie rara, reconheco, mas nao extinta ainda.

Mas eh verdade oque dizes (ja me foi dito varias vezes) "Wene Nyabetse, eu gosto muito de ti, mas eh que tu respondes tudo". Muitos homens sonham com o dominio absoluto, e por isso nao querem mulher estudada. Por outro lado, o liberdade/independecia pessoal esta muito ligado a capacidade financeira, entao uma mulher que ganhe seu proprio dinheiro, "exige", logo a prior um outro tipo de relacionamento, nao o tradicional "tu mandas, eu obedeco".

Eu acho que a liberdade em si não constitui problema; o frustrante é perceberes que assustas ao homem, e teres que chegar a pensar que talvez estudar nao era necessário.

As vezes sao as proprias amizades (e familia) que fazem uma certa pressao, directa ou indirecta, e acabamos por não desfrutar da nossa liberdade, e das coisas simples que podemos alcancar sem termos o homem ao lado.

Mas a verdade eh que com ou sem homem, é importante sermos felizes, não colocar a responsabilidade da nossa felicidade noutrem. Eh o mesmo que dizer que nao podemos adiar a nossa vida, à espera da chagada do parceiro certo.

A ironia é que muitas vezes, quando a pessoa desiste de procurar, a pessoa certa aparece.

X!mb!t@nE disse...

Clap, clap, clap, prima dona falou e disse!

Nyabetse, Tatinguwaku disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nyabetse, Tatinguwaku disse...

Hahaha, obrigada.
Eu amei esta postagem. (Mas também depois de ter sido desafiada directamente -rsrs), só podia vir a correr!)

Queria tanto que muitas outras mulheres da nossa geracao estivessem no blogosfera!

Falando das "prima-donagens", vou continuar com o meu tema (divas), no meu canto.

PS: Apaguei o comentario anterior (que eh este mesmo), porque queria acrescentar que este post trouxe-me a memoria tantas estorias minhas e das minhas amigas... Os pais de uma amiga, pex (ie, os meus, maze,) faziam questao de me convidar a todos os casamentos aque eles estivessem convidados... para me fazer "navelar" e desejar o mesmo! Hellllllllo!

Quando recem-regressada dos meus estudos, a minha querida avó aconselhou-me "lezwi ja unga gondza, hatlisa u tekiwa" ie "como ja te formaste, apressa-te e casa-te".

Yndongah disse...

Ola Nhabe,
Vou parafrasear a Ximbi “prima dona falou e disse“

Felizmente aos poucos vai se sepultando a ideia esteriotipada de que as mulheres tem prazo para se casarem.

O facto eh que depois de atingirem uma certa indempedencia tornam se mais selectivas, e claro a ideia de que para se sentirem completas precisam de um homem do lado tambem esta perdendo terreno.

Estamos a caminhar para o ponto da mulher entrar sozinha num bar, pedir uma taça, olhar em volta e sair sozinha,sem chocar os que estao la.

Essa dos convites de casamento dos pais das tuas amigas eh real, e isso acontece ate hoje, depois de uma certa idade, ir a um cha de panela de alguem muito proximo, viver aquela movimentacao desperta um certo “incomodo“, parecendo que nao um cada um de nos tem um compromisso com a sociedade, e aos pais torna se ainda mais dificil digerirem a situacao.

O ideial mesmo eh como bem disseste “ nao colocar responsabilidade da nossa felicidade noutrem, e quando menos se espera a pessoa certa aparece“

Beijokas

Chacate Joaquim disse...

Ta ver, ta ver, ta ver!...Jonathan McCharty, que coisa! ném que isso fosse verdade encontrava um outro forum para abordar esse assunto. Porque o que nós sabemos é que o que é meu é nosso e o que é dele é só e somente dele! é por isso que Rosa Langa refere-se à mulheres bem abastadas mas que só se sentem bem quando é o boy pagar suas mexas e outras despesas pessoais.

Nini disse...

Concordo com as ideias aqui colocadas,mas tambem creio que com andar do tempo a independencia ou ser solteira por opção, vai se tornar numa profunda solidão.

Acho importante entendermos em que aspectos as mulheres querem ser autonomas. Não estarão elas a fugir da responsabilidade de cuidar do marido, filhos e da casa? Ou talvez elas querem a liberdade de "rebentarem-se" nas nights.

amosse macamo disse...

Yndongah, tu te auto-superaste neste post. Foste observadora e observada ao mesmo tempo.
Só gostaria que aprofundasses ainda mais a ideia de liberdade: a mulher é livre em relação a quem?
O que se tem notado é que mulher, faz tudo em função do homem. Quando estuda não o faz para ela, mas para não depender do homem, quando trabalha o faz para superar o homem e mais mil exemplos por ai.
E aqui nasce o problema, porquê a mulher não se concentra em si mesma? Porque põe o homem no centro das atenções, para depois de reclamar que está no centro? Conheço muitas mulheres estudadas e tudo, mas com baixa auto estima e outras que não tem escola nenhuma, mas com um auto estima elevadíssima e esta é a que faz a mulher.
As mulheres devem parar de se preocupar com os homens e olharem para o casamento não como um momento de ceder a pressão social e familiar, mas sim, de escolha, de razoabilidade, de olhar para o parceiro não como aquele que vai representar o lugar de macho, mas como alguém que vale a pena conviver.
Não acredito que haja homens que não precisam de ajuda em casa, se existem são parvos, de verdade, mas vários assuntos, concorrem para que o homem vá escolher em alguma ocasião quem não tenha estudado.
Lembro-me de ter visto um dia, num estúdio, uma placa colocada mesmo na entrada que dizia, “entre e deixe o ego de fora”, esta, se aplica a muitas mulheres que estudaram.
Me explico, quando caso com uma Dra. Não espero sinceramente, que em cada discussão, afinal própria de casados, que me diga, que é Dra., não espero também, que esta, deixe de fazer algumas tarefas que as acha redutora por força da profissão, espero, ter uma MULHER e prontos.
É frustrante que na primeira discussão a mulher diga, posso voltar para casa dos meus pais, arrendar uma flat, não dependo de ninguém….e a questão: quem pediu para depender? Tirei-te da casa dos teus pais contra a vontade? Duvidei alguma vez que podes arrendar uma flat?
Doutorices e falta de modéstia ninguém suporta e tal só acontece com muita mulher formada, porque pensa que tem de superar o homem, porque sempre colada a ideia de que deve vencer o homem, porque acha que em certas ocasiões o homem a subestima, quando ela, é a primeira que o faz……
Isto é provocação sim Yndongah, podem me atacar a vontade, já vesti o colete a prova de balas….comecem
mesmo a terminar: todo Homem, quer companhia, todo, ate para o trivial e essa companhia so pode swer suprida pela pessoa certa enao por amigos, tias e companhia

Chacate Joaquim disse...

U vula vulile Mponyombo, averdade é que a dependência é recíproca nada de superioridade nem inferioridade muito menos absolutismo na igualidade do género porque a natureza recusa. Bjs

Nyabetse, Tatinguwaku disse...

Amosse, acabaste indo tocar no assunto da igualdade. Igualdade de direitos, tem-se dito, e baseado numa teoria de feminismo. Oque muitas das correntes e assim as apologistas do feminismo/igualdade de direitos tem feito é defender uma sociedade em que o homem não é superior à mulher, mas no entanto o resultado é de as mulheres quererem ser "Homens". Eh nesse contexto que a liberdade pode ser usada para fazer um statement, e acaba sendo usada para mostrar o valor da que a tem.


Para mim o desafio é dar voz a mulher, desde uma plataforma nem inferior, nem superior à do homem.
Partilhar, dividir, consultar, ajudar, escutar, contribuir,perguntar, responder sao palavras de que eu gosto.
Numa relacao eu quero ser eu, mulher, feminina, com direitos e obrigacões, e que o meu parceiro também usufrua os direitos, mas responda as responsabilidades. E tao logico como é que a mulher foi "tomando de assalto" areas tradicionalmente masculinas, o homem também é bem vindo a "assaltar" o fogão, as limpezas, e o cuidado dos meninos.

Pus mais lenha na fogueira?

Jorge Saiete disse...

Yndongah, apresentas um tema interessante. Ma perdoe mas sou obrigado a dscordar com algumas ideias aqui colocadas.

Me parece que a ideia de liberdade que colocas para o efeito desta postagem serviria muito bem para libertinagem ou seja fuga a responsabilidade e ao cumprimento de deveres conjugais e a constante procura de direitos religiosamente observados.

Todo o ser humano deve se casar, o homem e a mulher só atingem a verdadeira liberdade e felicidade quando estão juntos e não separados. A mulher pode ter a sua profissão e ganhar milhoes de dolares mas nunca se sentirá feliz e complenta enquanto não tiver um homem ao seu lado (pelo menos se essa mulher for uma normal) e isto é válido para homens. aproposito, o que é autonomia? Mulhere casa deixa de ser autonoma? não me parece que o casamente retira a autonomia feminina, nem masculina. pelo contrario, acho que cria uma autonomia responsave, equilibrada e desejavel para quem quer viver em sociedade e ou em familia.

"Antigamente, uma mulher sem namorado, noivo, marido, ou uma relação mínimamente estável era considerada anormal”, tu o dizes. Eu acho que isto não é do antigamente apenas pois continua sendo valido hoje também. Sabes, apesar de eu reconhecer as dificuldade de uma vida a 2, me parece que algumas pessoas colocam as suas profissões,negocios, diplomas etc, acima do respeito e boa convivencia familiar e por isso que acham que ficar sozinhas é estar livres.

O importante é saber identificar um bom parceiro/a e estar dsposto a fazer cedencias proprias de quem quer manter o casamento porque a vida a 2 não passa dum exercicio de constante negociação e que o trunfo reside na humildade e capacidade de ceder quando necessário.
abraço amiga

X!mb!t@nE disse...

Agrada-me saber que o contraverso post, como sublinhou a Yndoh, esta a suscitar debates e acima de tudo a trazer ao de cima o sentimento dos vavana quanto a postura da mulher dita doutora. Sem duvida que essa abordagem merece outro post!

Pessoalmente, sou contra essas tipas que ao inves de pendurarem o conteudo dos canudos (diplomas) na parede o brandem aos berros em situaçoes em que a sabedoria adquirida nos bancos das universidades devia se fazer valer em atitudes e conversa franca.

Com ou sem diploma, a mulher nao deve descer do "salto alto" e deve sempre manter a sua postura de mulher e senhora de si que respeita e se faz respeitar, sem precisar ser arrogante. Nao ter canudo, também nao deve significar resignar-se ou humilhar-se as vontades de outrém: homem ou mulher.

Creio ainda que neste post a Yndoh pretendia mostrar que as mulheres solteiras ja nao vivem sob o espectro de que nao tendo casado, na idade casadoira determinada pela sociedade, podem viver com isso sem stress, o que nao quer dizer que o homem nao podera estar nos planos futuros de vida desta.

Yndongah disse...

Amigos,
Pelas intervencoes aqui deu para ver que o tema da muito pano p,ra manga.

Deixem me mais uma vez tentar esclarecer o meu entendimento de autonomia, antes a mulher era sustentada primeiro pelo pai, depois pelo marido, hoje ja existem mulheres que ganham o seu proprio dinheiro – algumas vezes mais do que o marido ou companheiro– ou seja ja ha mulheres que nao precisam dos maridos para viver.

Mas que isso nao se confunda nem com ma educacao nem com prepotencia como o Amosse relata. A impressao que tenho eh os homens se incomodam com as mulheres independentes e isso so por si ja cria um problema.

A mulher deve ser independente sim, e ter um marido tambem independente, mas como casal essa independencia deve evaporar e dar lugar a uma interdependencia onde cada um precise do outro para uma vida saudavel a dois.

E mais, nao acho que a mulher vai trabalhar a pensar no homem, acho exactamente o contrario, ela pensa mais em si, procurando ser ela mesma na totalidade.

Oh Amosse uni matendencia! O que dizer entao dos homens que dizem “doutora la fora aqui eh minha casa, vai ja aquecer a minha comida“ em plena madrugada?

Para terminar continuo a achar que ser solteira hoje ja nao eh como era antes, a fase do “se nao tem tu vai tu mesmo“ ja esta a passar!

Daniel Costa disse...

Vasikate

Estou de acordo com o texto, que achei muito ben gizado. No antigamente dizia-se da postura da mulher (ela dependia dos ganhos do homem): "até aos vinte venha quem eu quiser, dos vinte ao vinte e dois, venha quem vier, a partir de vinte e dois venha que me quiser a mim." Tudo isto deixou de fazer sentido e ainda bem. No entanto, penso que uma vida a dois fará sempre sempre muito sintido, um completa o outro! Havendo respeito na igualdade e na liberdade de pensamento, na diversidade bilógica, etc. Isto seria o ideal.
Daniel

Chacate Joaquim disse...

"antes a mulher era sustentada primeiro pelo pai, depois pelo marido, hoje ja existem mulheres que ganham o seu proprio dinheiro – algumas vezes mais do que o marido ou companheiro– ou seja ja ha mulheres que nao precisam dos maridos para viver."

Mininas, quando é que a mulher deixou de depender dos seus pais? não me lembro de alguma vez ter dependido do marido! isso está nas nossas interpretações... porque o meu pai ficava 18 meses na Africa do Sul e dentro deste período uma vez em cada semestre é que mandava algo para familia. Já viram todo o período que resta! minha mãe é quem administrou e geriu a família com estratégias e iniciativas próprias; No passado o Homem ia a caça (porque pela natureza exige força) a mulher cuidava dos miudos e recolhia frutas está aqui uma evidêcia de complementaridade; ainda hoje minha esposa foi aos negócios dela eu estou no meu trabalho cada qual traz os seus ganhos no fim do dia.Agora, quando e onde está a famosa dependência feminina ? uma coisa é educar o homem a não ser violento ao resolver conflitos dentro da família porque ele é naturalmente mais forte fisicamente embora reconhecendo casos isolados de mulheres com qualquer coisa mais para homem do que propriamente para mulher mas são casos isolados que não podem servir para uma comparação generalizada. quanto a ida ás panelas, minha mãe ensinou me isso mas eu prefiro limpar a casa, lavar roupa e engomar e meu pai quando cá estivesse fazia tudo com mãe.

Eu, homem, estou (des)preocupado com a liberdade da mulher no sector producivo porque isso sempre houve mas muito preocupado com o uso da força para impor ordem no seio familiar só. Bjs

X!mb!t@nE disse...

Amigo, sabes, tenho a certeza que sim, que quando se diz Homem, refere-se ao homem e a mulher. Certo? Certo sim. Quando a Yndoh fala de se viver sob a alçada do pai, entenda-se dependencia, decerto que incluia a mae (se estiver errada, correction please, Yndoh). Chacate, mesmo um homem, quando habita debaixo do tecto do pai, ainda que tenha rendimentos pessoais, vive sob dependencia do pai, meu irmao.

Também, amigo e irmao, sabes bem que ca entre nos (concretamente no sul, para nao misturar alhos com bugalhos), quando ha casamento, a mulher é "levada", pelo xiguiane, para a casa do marido. O que representa este ritual? Que ela deixa de depender do pai (pai e mae, ainda que a mae seja domestica) e passa a "custodia" do marido, com todas as consequencias.

O exemplo por ti vivido é claro: o facto do teu pai ter vivido na RAS tanto tempo sem mandar mola nao quer dizer que ele nao tinha conhecimento de suas obrigaçoes para com a familia, talvez nao pudesse satisfazer essa necessidade ou..., bom varios cenarios sao possiveis. Como citas no exemplo, a mama la em casa nao cruzou os braços a espera do kota, foi a luta. Mas onde é que voces estavam? Em casa de quem?

Homem, fazes bem em ter essa visao de deixar a tua mulher trabalhar e ajudar-te no sustento da vossa familia. Ela é casada sim, mas livre e independente. Hoje pode "bisnar" ovos, amanha copos, tu nao te metes, podes até dar conselhos em gestao, mas ela é livre! Acredito que tu tambem o sejas, mas entre voces ha aquilo que a Yndoh referiu anteriormente, uma relaçao de interdependencia. Irmao, é triste quando as mulheres, depois de presas pela vontade do marido ficam viuvas, nem sequer sabem onde se paga a luz...

PS: desculpe-me se feri a sua sensibilidade, mais nao digo sobre o assunto!

Chacate Joaquim disse...

hehehe... Xim, setim em algum momento que as precauções foram todas devidamente tomadas para não ferir gostaria de lha relaxar nesse aspecto.

Concordo que a mulher merece involvimento como os filhos nos assuntos da família.

Não percebo o que pretende evidênciar quando fala de Xiguiane porque acredito que essa é ou foi uma forma consessual encontrada pelas sociedades do sul para Estruturar a famílias e dar a sua respectiva identidade. Porém, hoje até os filhos podem ser registados pelos apelidos de ambos (casal)!

Bem, não sei se a proposta é acabar com as denominações (Bimza, Machava, Sitoe, Mondlane etc...) passar a ter 2 apelidos neste caso do casal! porque sendo injusto o actual cenário, o inverso idem!

Devo também clarificar que, com Xiguiane a mulher passa a pertencer a família do marido envez da família dos País, não vejo erro nisso sendo que se há homens que foram criados em sentido educacional diferente nada oposta que ele passe a pertencer a familia da esposa!

Desculpe não seguirei a senquência. no que se refere a passar à custódia do marido, Xim, sublinho apesar da aparência que isso possa dar há reciprocidade mesmo o homem deixa de ser cuidado pelos pais passa a custódia do esposo quem responde por ele caso não esteja é a esposa tal acontece também com amulher embora aconteça dentro dos padrões educacionais definidos pela família do marido é aqui onde não vejo razão de tanta vozearia!

Sabe mana o antónimo de macho é fémia, veja que nem uma ne outra não desejamo, então, vamos viver no faz de conta.

Nunca descordei com a inclusão da Mulher na sociedade, apenas não me convênção que a mulher já dependeu de alguém para viver se isso aconteceu é por uma questão natural (quando criança) só que ela muito tempo perdeu nas negociações perante o homem porque este (homem) usava violência para impor os seus intentos, daí, ela era educada de tal forma a evitar provocar ira do seu boy,é por isso que o legislador quase que transversalmente já tomou conta do recado, punindo os que violêntam a mama só. o que salda é palha mana... Bjs

Júlio Mutisse disse...

Amosse, u bili kwatsi, as mulheres gostam de se sentir livres em relação a quem? Ou a quê?

Quem é que aprisiona as mulheres? O "mau" do homem ou a sua própria mente que a faz pensar na ideia de que tem que ser livre e lutar por sê-lo aprioristicamente, antes mesmo de encontrar o mais dócil, compreensivo e liberal dos mutisses que existem na face da terra? Não será o preconceito a pior prisão? A criadora de todos os mal estares?

Vakite será que é possível ser-se solteira e livre numa sociedade que, em parte te dá respeito, crédito e valor pela aliança que se traz no dedo?

Será possível ser-se solteira e livre, com a ideia do "mudliwa" a perseguir-te ou os rótulos de que não casa porque é p.........? Duvido