quarta-feira, 13 de maio de 2009

O Pai de Hoje



Existem, em principio, dois tipos de pais:os biológicos, aqueles de sangue e os sociais aqueles que educam cuidam e por ai fora.Estes dois tipos, podem ou nao coincidir na mesma pessoa, mas seja como for é sobre a relação entre pais e filhos- biológicos ou não- que vim falar-vos nesta longa postagem.


Nos dias de hoje nota-se que alguns pais tornam -se cada vez mais presentes na vida dos filhos. A fase do pai provedor que se preocupava apenas em colocar comida na mesa e criança/filhos é assunto das mães está significativamente a evaporar. Hoje, é comum ouvir um pai dizer que passou a tarde a brincar com o filho(a), levou o (a) a passear trocou/troca fraldas, dá banho, enfim, cuida com gosto e carinho do (a) filho (a) desde logo que veio ao mundo.

Mesmo não tendo dados oficiais acredito que a nivel dos tribunais já existem processos de pais que reinvindicam a guarda de seus filhos, não é para menos afinal os filhos por perto fazem sempre diferença!

A verdade é que o pai de hoje já não é o de ontem! Aquele pai que ao primeiro choro inocente do bebé ou bastasse sentir um cheirinho da fralda já chama(va) pela mãe está a ficar p`ra trás.

Quero acreditar que por um lado a pressão da ‘vida citadina’, a dita modernidade e a entrada da mulher no mercado de trabalho, derivada da necessidade de contribuir para o sustento do agregado familiar e, por outro, a necessidade que os jovens têm de se afeiçoarem e claro sentirem o amor de pai pra com os filhos que até então é (era) uma prerrogativa da mãe faz com que tenhamos cada vez mais pais orgulhosamente presentes.

Mas nem tudo é mar de rosa, como se diz, existem vários factores que a meu ver dificultam ao pai a ser ou tornarar-se cada vez mais presente, como pai de verdade: são alguns dos nossos hábitos sociais/culturais. Hoje, ainda é estranho um jovem dizer aos amigos "epah não posso ir txillar, hoje é meu dia de cuidar do bebé", ou então "espera- me um minuto bro, tenho que terminar de estender as fraldas...."


O outro factor que estrangula a ‘presença presente’ deste ‘pai moderno’, logo no pós-parto da sua mulher/companheira é a legislacao, que atribui ao pai apenas 1 (um) dia de licença de parto! Pode?? É verdade que o afecto se constrói desde a gravidez mas penso que os primeiros dias de vida do bebé são mais importantes na construção de uma relação mais afectuosa de pai para filho. O pai, só começa a realizar que já é pai de verdade depois do nascimento, portanto no dia em que mergulha o olhar, coloca as suas mãos naquele ser humano.

O mesmo já não acontece à mãe, posso arriscar e dizer que começamos a partir do dia em que recebemos o resultado do teste de gravidez.Se uma mulher grávida de 6 meses não sentir durante 3 horas consecutivas o bebé a mexer no seu ventre entra em pânico, porque o filho parou de mexer, não é o feto é o filho, que nunca viu, não sabe se é escuro ou claro e muitas vezes nem se quer conhece o sexo! O mesmo não acontece aos pais, não os estou a culpar a natureza é assim mesmo.

Os primeiros dias de vida do bebé embora sejam de alegria, também são duros/pesados para os papás, aliás alguns são marinheiros de primeira viagem, voltam do trabalho cansados, por vezes têm que sair à rua ao meio da noite p`ra comprar aquele xarope ou aquela gota, voltam à casa e não conseguem dormir porque a criança não para de chorar a noite toda, mesmo assim tem que estar no serviço a tempo e horas com toda boa disposição, afinal a vida não parou, pelo contrário começou com nova velocidade, dinâmica, práticas enfim...

Por isso é que acho que a licença de paternidade deveria ser um pouco mais extensa, quanto tempo mais não sei, para permitir que haja mais afecto entre pai e filho. Espero que não me questionem como seria para os que têm muitas mulheres.

Apesar dos contrangimentos acima referidos, os sinais são positivos, aos poucos caminhamos p`ra o pai, o PAI, aquele que para além de ter feito o (a) filho(a), trabalha para o sustento do agregado familiar, e logo de manhã acorda -o(a), dá banho,veste, dá de comer, leva à escola, vai as reuniões, assiste ao jogo de futebol da escola, a prova de natação, a apresentação no grupo teatral, lava e estende (ainda que seja a máquina), não se esquece da hora do remédio, sabe que as descartáveis, o leite, os gerbes estão quase a acabar, sabe ligar p`ra babá vestir um gorro e camisolinha ao bebé porque a temperatura baixou, acorda ao meio da noite para trocar a fralda, preparar o leitinho e embalar, faz escala com a mamã para brincar com o bebé durante a noite e ainda consegue chegar a tempo, sorridente e bem disposto ao trabalho!


Sei que algumas vasikate devem estar a dizer esta yndongah não bate bem da head, e os vavana devem estar com lágrimas de tanto rir, mas amigos isto é possivel, e já acontece entre nós estou a falar a sério!!!

Para terminar dizer que estão de parabéns todos os pais que se preocupam um pouco mais pelos filhos, mesmo os que não podem dar tudo de si porque não partilham o mesmo tecto, que o façam sempre que estiverem com eles, dizer ainda que nós as mulheres nos orgulhamos por carregamos a criança durante nove meses, damos a luz etc, mas a verdade é que nada disso aconteceria sem vosmecês, homens, não há fecundação sem o vosso sémen! Bem hajam os pais de verdade.

PS: Sei que existe o dia do Pai, mas quase nada se fala dele infelizmente, p`ra falar a verdade nem se quer conheço a data, alguém sabe?

13 comentários:

Avid disse...

Yap...o Dia do Pai se comemora a 19 de Marco que coinscide com o Dia de Sao Jose (pai de Jesus). Bela reflexao.
Bjs meus

Júlio S. disse...

Yndo, Mina Bava wa Uly na Lethicia ndza kensa. A mpimiso wa wena u kwatsi.

De facto fiz coisas como mudar fraldas, preparar o leite, papas, pures etc etc que, de certeza absoluta, nao so pela distancia ja que era mineiro, meu pai nao fez comigo nem com meus irmaos. Nao porque me detestasse ou coisa parecida, estava amaradao pelo contexto em que vivia, nasceu e cresceu e a divisao de tarefas reinante.

Nao me sinto menos homem por isso. Alias, me disporia a dar banho as meninas, mesmo em Manjacaze, se estas nao se sentissem ja crescidas e cheias de pudores como se fossem ja verdadeiras Vasikates (criancas que nao sao).

Tive o privilegio de participar na discussao entre os parceiros sociais, que ditaram o aparecimento da actual lei do trabalho. Quando se falou da licenca de paternidade os empregadores ficaram em sentido e, diga-se, com alguma razao. Eh que razoes para nao se trabalhar em Mocambique sao muitas e, acrescido aos habitos poligamos da maioria de nos homens (eu excluido claro), havia o risco de, a serem 7 dias por exemplo, o homem ficasse meses e meses sem trabalhar com o nascimento dos seus filhos das varias mulheres...rsssssss

Foi assim que se ficou pelo 1 dia, achou-se com isso que nao se criaria um boom de nascimentos.

Estas de parabens amiga.

Ja agora, aproveitando a deixa, os casos de mortalidade materna sao reportados ainda com alguma insistencia na nossa sociedade. Vos pergunto, no caso de morte da mae como consequencia do parto, deve o pai beneficiar de 1 dia de licenca ou, pelo contrario, deve beneficiar dos 60 que seria adstritos a mae, para que este cumpra com parte do que determina os 60 dias de licenca de maternidade (ambientacao do filho a nova realidade, acompanhamento dos delicados primeiros dias etc etc)....

Mutisse

SHIRANGANO disse...

De certa maneira, senti a minha biografia ou o meu dia-a-dia descrita neste post. Estas de parabens pela abordagem conseguida com apuro.

É uma emoção enorme presenciar e contribuir no crescimento do(a)s filho(a)s. E também eu não me sinto menos homens por isso, pelo contrário é uma alegria, pois sei que existem pessoas que gostariam de ter essa sensação de trocar fraldas do seus rebentos.

Para além disso, se estamos no mesmo barco e temos os mesmos objectivos na vida como marido e esposa é necessário uma cooperação.

clic disse...

Gostava de acrescentar que "estão de parabéns todos os filhos que têm pais que se preocupam"!... E mães, já agora!... :)

Anónimo disse...

Opah opah a data ja passou AVID, manny thanks. Bjs

Yndongah disse...

Ooops o comment anterior é meu, ontem tava com problemas de net.

Yndongah disse...

Papai wa Ully, thanks,
Eu ainda acho que a licença para os papás poderia ser mais extensa, desde que só fosse autorizada periodicamente, do tipo 2 em 2 anos. Agora o polígamo teria que fazer uma ginástica de modo a fazer coincidir as gravidezes da casa 1, 2, ....
A parte final do teu comment é interessante e pertinente, mas não sou eu quem te vai responder, aliás esse TPC fica para vocês os fazedores das leis.
Um abraço e muito obrigado

Yndongah disse...

Ohh Shir, muito obrigado e fico feliz por saber que fazes parte dos PAIS de verdade, de facto como disseste é uma emoção enorme contribuir para o crescimento dos nossos filhotes.
Um abraço

Yndongah disse...

Clic,
Subscrevo! :-), thanks pela visita.

Anónimo disse...

Muito interessante o tema que trazes eu, felizmente, com muitissimo gosto e prazer renovado, a cada dia que passa, desde o primeiro momento ainda na maternidade que comecei a fazer muitos destes aspectos que fizeste referencia na postagem, por isso, há um acumplicidade enorme entre eu e meu filho e a mãe fica a “sobrar” nalgumas vezes. Mas mais do que estar presente por esta via acho que o mais importante é que eu hoje faço quase tudo pensando no melhor para ele alguns dizem até que exagero nos mimos, é possível, é meu primiro filho até porque se eu fosse um monarca ele seria o successor legítimo. Realmente o que está a acontecer marca uma diferença enorme entre tempos quiçá gerações mas as reais motivações desta ‘nova’ tendencia acredito que são bem mais profundas do que a entrada para o mercado do trabalho pelas mulheres e a dita modernidade, portanto o porquê desta mudança acho que é fundamental e daria para tema de mais uma postagem.

Abracos, A.Miambo

Yndongah disse...

Hmmm amigo Miambo, dou te os parabéns pelo pai que és.Existe um tipo de pais chamado permissivo que apesar de amoroso, caloroso, acolhedor acaba prejudicando as crianças, porque não impõe limites, não estou a dizer que é o teu caso, só chamo atenção a esse pormenor, pois muitas vezes já não conseguimos encontrar a fronteira entre o bom e mau.Existem muitos pais e mães assim, eu por vezes dou por mim a ser dominada por aquele menino de apenas 5 anos....Quanto ao TPC, tá aceite.
Obrigado e volte sempre

Júlio Mutisse disse...

Nsikati Yndon,

A doutrina laboral, quanto a licença por maternidade, tem dado maior enfoque à questão da recuperação da saúde da mãe no caso da maternidade biológica.

É inegável que os primeiros dias de vida de um bebé requerem muitos cuidados; desde logo a dedicação à criança, os cuidados físicos, o acompanhamento do calendário de vacinas e consultas médicas etc., tudo isso reforça o vínculo afectivo da criança com a mãe e a ambientação da criança à vida "cá fora".

Se a mãe morre durante ou após o parto, deixa de existir a necessidade de recuperação da mãe a que a doutrina e, se calhar, o próprio legislador, dão especial relevância, mas, ficamos com a questão delicada que é a ambientação da criança tenra ao mundo, os cuidados que deve merecer etc.

Muitos tem entendido que essa função pode ser prosseguida por qualquer um... será? Tenho as minhas dúvidas.

Embora concorde com a importância que se dá à recuperação física da mãe com a licença de maternidade, entendo que esta visa algo mais do que isso, a licença encerra também a necessidade de cuidados redobrados nos primeiros dias de vida da criança e, assim sendo, quem melhor do que o próprio pai para dar esses cuidados dada a ausência da mãe?

Podemos discutir os timings mas entendo que, o raciocínio deveria ir nesse sentido.

Hope disse...

Adorei o texto,muito optimo. Estou esperando o meu primeiro filho, a minha senhora e eu seremos pais de primeira viagem mas sinto-me muito moralizado e desejoso em sér um pai presente e dedicado, apesar de saber que nao é tarefa fácil, pior ainda quando tenho grande parte da minha família contra a nossa relação e com a ideia de ter-mos o filho tao jovens (eu 23 e ela 21).
O brigado pelaas palavras