quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ciúmes?!


"No banquete do amor, o ciúme é o saleiro, que ao querer verdadeiro, empresta vivo sabor. Advirta-se, porém, ser erro temperar em demasia. O ciúme, por ser só sal, se posto demais no prato, não tempera, antes, maltrata". Tirso de Molina

Amigos hoje propus-me a falar de um dos mais controversos assuntos, sentimentos, enfim algo, que não sei se gostamos ou se tememos, mas não podemos ignorar porque nos acompanha sempre, quer queiramos, quer não, está sempre lá nas suas mais variadas formas:O ciúme. A palavra ciume provem do latim ”zelumen“ e do grego“ zelos”, e está mais ou menos relacionada com a necessidade que temos em zelar pelo bem estar de alguém especial, seja ele irmão, pai amigo, namorado, marido etc.

Quase todos nós, acredito que não estou a exagerar, alguma vez na vida já tivemos uma crise de ciúmes, e dependendo do estado de espírito podemos até ter armado um “barraco” por conta deles.
Costuma se dizer que os ciúmes são símbolo do amor, ou seja, são uma forma de demonstrar que o sentimento é forte, aliás quem não gosta que a pessoa amada lhe faça uma cena de ciúmes? Portanto, podemos dizer que o eles funcionam como um test driver na relação, porém tanto a sua ausência como o excesso podem prejudicá-la.

Maior parte das vezes uma reacção ciumenta surge quando se descobre/desconfia de uma infidelidade, quando começamos a imaginar como será a/o outra/o, ou quando a/o conhecemos e ao nos compararmos reconhecemos que pode ser que tenha algo mais atraente do que nós, daí o complexo de inferioridade, a baixa auto estima, falta de autoconfiança enfim uma série de sensações desagradáveis.

O ciúme excessivo, faz com que o ciumento tenha atitudes desagradáveis e até mesmo violentas, ele passa dia e noite se martirizando, a imaginar algo, cerca o/a companheiro/a em todos os passos, vasculha no telefone, cheira-lhe as roupas, enfim tudo a procura de provas. Casos há em que o ciúme termina em tragédia em que o/a ciumento/a mata-se a sí próprio/a ou a/o companheiro/a.

Há um tempo atrás, vimos através da comunicacão social dois casos tristes e chocantes, um deles, o homem espancou a companheira, em pleno dia de São Valemtim, alegadamente por ciúmes, o segundo tirou a vida á namorada também por ciúmes, aliás este último é manchete do semanário Magazine Independente desta semana e conta como tudo aconteceu. Não quero falar destes casos em particular, pois acredito que como esse há tantos outros , a minha questão é como uma demontração de amor pode se tornar tão violenta? Será mesmo amor o que se está a tentar demonstrar? Ou então é uma forma “bonita” de justificar um acto tão bárbaro?

Por outro, lado não creio que as cenas de violência aconteçam de dia para noite, em algum momento a pessoa violenta dá indícios de desvio de personalidade, como perceber esses sinais? Como lidar com eles?Para mim um dos grandes problemas reside na dificuldade que existe em separar a cena de ciúmes como demonstração de amor da própria violência ou seja pecebermos que a partir de um certo momento já não se trata de amor, a atitude já não é romântica, muito pelo contrário.

Penso que uma boa orientação no que diz respeito a certos sinais que podem se traduzir em atitudes violentas, a denúncia por parte das vitimas e porque não a consulta a psicólogos de casais/relacionamentos- se é que existem entre nós- que possam fazer um acompanhamento médico caso se conclua que o ciume excessivo pode ser uma patologia poderiam ajudar na redução de casos de violencia por ciume.

Embora na maioria dos casos destes sejam contra mulheres, é importante recordar que o comportamento violento tambem ocorre em mulheres, já ouvimos histórias de mulheres que matam ou queimam o companheiro enquanto este dorme, outras ainda optam a castrá-lo ou mesmo, nao sei se é verdade ou não, recorrem a métodos tradicionais para fazer com que marido (ou ex ) não “funcione” , não saia de casa, enfim...


Bem, não posso deixar de dizer que algum nível de ciúme me parece necessário para uma relação, como dizia o poeta “o ciúme é o tempero do amor”, pois é, na medida certa e bem misturado com outros ingredientes pode trazer felicidade. Não acham?




Foto tirada daqui

6 comentários:

X!mb!t@nE disse...

Concordo plenamente com essa citaçao de Tirso de Molina: o ciume tanto pode ser um tempero que apura os sentidos gustativos como também pode ser um veneno mortal.

Ainda assim diz-se que quem nao tem ciumes não ama. Eixi, que tempero complicado!!!

clic disse...

Grande tema e grande texto!...
Concordo plenamente! :)

Nero Kalashnikov disse...

Parece-me que foi o maldito ciume que fez com que o Jorge terminasse a vida da sua namorada... O ciume mata. Nao somente ao ciumento, como a pessoa que causa o ciume. Enfim, um sentimento animal que tenho testemunhado com os meus cachorros. Quando dou festinhas a um, os outros atacam-lhe. Foi a natureza que nos atribuiu este sal assassino. Gostei do post

atma atom disse...

O ciúme 'poderia' ser o tempero do amor... mas não engrandece o amor... pelo contrário, corrói... , além disso denota um amante incipiente, pouco evoluído... portanto, o é melhor educar - isso mesmo, educar - a sua forma de sentir o AMOR desde o início. Ciúme é inútil :) !

Abraços.

Chacate Joaquim disse...

eu sou ciumento declarado... vamos controlar o. bjs

Nyabetse, Tatinguwaku disse...

Grande tema, mana.

Acho que o ciúme (sobretudo a sua demonstração, pelo menos nos humanos) é, quase sempre acompanhado de uma dose de insegurança.

A minha pergunta sempe é se esta insegurança está directamente ligada à pessoa em questão (o/a parceira de momento), ou se tem raizes mais profundas, relacionadas com o passado, a infancia, as relações familiares que o ciumento tem...

Oque acha?