segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pais e filhos: O nome do bebé




Dialogo imaginário:

“Deus me livre! Passar problemas de defunto ao meu filho? O meu se vai chamar Sandro Miguel.”
-“Poxa, que idéia, vocês não se cansam de ser colonizados? O meu se vai chamar Sidney Cossa.”
- “ Eu cá não quero chatices, é Júnior e pronto!”


A escolha do nome do bebé parecendo que não, é muito delicada, pois este, mais do que uma simples denominação, uma simples ‘palavra’ que nos vai identificar é algo que mexe com os princípios existenciais das pessoas que o atribuem bem como as que estão em redor destas. Enfim, algo que a partida parecia assunto de pai e mãe cedo torna-se numa questão social/cultural diversa, por isso que a sua escolha deve (ria) ser feita com muito cuidado(?) tendo em conta alguns elementos tais como: A simplicidade, a pronúncia, o significado (?) a sonoridade, a beleza, a moda, a estéctica do conjunto, do nome completo e por ai além.

Como consequência desta multifactoriedade que norteia a escolha do nome algumas pessoas principalmente cá no sul têm dois: um de registo que é conhecido por todos o chamado “nome de portugues” e um “tradicional”, o “nome de landim”. Este último geralmente pertence a um antepassado, e é preciso que o mesmo dê o aval, para tal, dependendo do contexto familiar e cultural contacta-se "curandeiro" ou alguem com poderes que lhe permitam certificar se o nome foi aceite, caso não, experimenta-se outro até ter a certeza da aceitação.

Eu mesma tenho esse nome, o meu avô nunca me chamava pelo nome de português, apesar de me parecer não ser de dificil pronuncia, ele sempre preferiu o nome de landim que não vem ao caso revelar e o porquê dessa escolha isso é outra história.

No período anterior a independência, salvo o erro, havia uma tendência para nomes da ‘terra’, mas devido ao assimilacionismo parte destes eram rejeitados na hora de registo oficial, o que fez com que os pais adoptassem outros nomes, na sua maioria portugueses, porém, de uns tempos para cá, nota-se que os Pais tendem a retomar o uso dos nomes que antigamente eram vistos com uma certa estranhesa. Facto curioso é que nesses tempos, os nomes eram atribuidos em memoria a um antepassado, hoje nem sempre é assim, casos há em que a escolha é feita simplesmente porque eles gostam, está na moda, é bonito e enfim, julgo ser positivo, mesmo porque em termos de estectica de conjunto nomes como Nkululeko Mandlate são agradaveis.

Não posso deixar de dizer que tendência do uso nomes estrangeiros, principalmente brasileiros e ingleses deixa a desejar, pois muitas vezes há exageros, os pais não têm o cuidado (?) de olhar para os seus próprios nomes e apelidos e depois fazerem uma combinação de modo a sair um nome completo agradavel de se pronunciar e ouvir, sinceramente não consigo engolir nomes como Withney Jeremias Nhantumbo, Chiefton Vitorino Tembe, Denilson Salomao Macuacua e por aí fora.

Outros ainda, escolhem-nos tendo em conta circunstâncias da vida que antecedem o nascimento, nada contra, desde que o acontecimento a que se inspiraram para essa escolha seja alegre, por exemplo, Lirhandzu (porque a criança foi gerada com muito amor), Jubileu (que significa festa, alegria), Lua (porque relembra uma certa noite de luar) entre outros.O lado mau, dá se quando se inspiram em algo triste, desagradavel, esquecendo-se que que este nome irá identificar o seu filho para o resto da vida! Casos de Tristeza, Wanga (minha), Sofrimento, já agora deixa me lembrar uma historia que o
Amosse contou e jurou ser real, de um amigo seu que teve que esperar a maioridade para mudar o nome de Khombomuni Matchimbeni Magaia, para além da criança correr o risco ser alvo de gozo por outras, os pais acabam fazendo-na carregar para o resto da vida lembranças tristes de suas vidas.

Como disse anteriormente, escolher o nome do bebé não é tarefa fácil, e é importante ter em conta aceitação desse nome, primeiro pelos familiares e a sociedade, depois pelo próprio. Não existe pior coisa que ter um preconceito em relação ao seu próprio nome. Nalgumas vezes, o nome pode servir de iten principal em certas escolhas, aliás o Patricio Langa lembra aqui como no passado, certos nomes tiveram que sofrer um “upgrade” para poderem ter progressão escolar


Então papás e mamãs, vamos la ser razoáveis na hora de dar nomes aos nossos filhos, podemos até maquilhar os nossos, dando lhes um toque estrangeiro casos de Wahinah, uma versão de wa hina (nosso), Wassen, uma versão de wa seni (deste lado), Ndzyllah, uma versão de ndzila (significa caminho em chope), Lyduvah uma versão de liduva (signfica sol em makonde) e muito mais, portanto é possivel, estrangeirar os nossos nomes ‘afro’.


Para terminar apelar aos Pais que, não se afastando dos seus principios e valores, na hora de escolher o nome para o seu filho, tenham sempre em mente que tanto ele como as pessoas que rodeiam no seio familiar e na sociedade em geral devem sentir-se confortaveis com o nome escolhido de modo a que ela tenha um crescimento harmonioso e que seja feliz.


PS: Há pais que demoram a dar nome aos filhos, acho triste perguntar como se chama e receber como resposta "ainda não tem nome", não tarda começam os improvisos Papaito, Mãensinha, Avosinha, Maninha...

9 comentários:

X!mb!t@nE disse...

Yndoh, gostei muito da tua postagem. Ri-me a grande e a francesa em alguns trechos no entanto, irma, quanto a mim ele peca por ser tardio...

Ve so que teus sobrinhos tem nome de origem inglesa (Kimberley e Dudley) e, digo-te com franqueza, que me doi a forma como as pessoas chamam particularmente a minha princesa.

Mas tambem nao gosto quando alguns os chamam com a sonoridade inglesa (Dadley ao inves de DUdley como eu quero) pois apesar de suam origem devem ter pronuncia aportuguesada.

Heheheehe, se no futuro eles quiserem mudar, juro que vou apoiar

Yndongah disse...

Pois é irmã, antes tarde do que nunca, realmente os nomes ingleses têm desses problemas, não só na pronuncia como no rigor gráfico, veja os casos de Kelvin, Kevin, e Keven, Michelle, Michelly e Michella...eu cá por mim pefiro os mais aportugesados, são mais fáceis de pronunciar e escrever.
Mas eish nem se quer tinha reparado nos nomes dos meus sobrinhos, chamo-lhes Kim e Duddy e prontos!

Julio Mutisse disse...

Hehehee, esta coisa de nomes é complicada. Graças a Deus os nomes que demos às meninas nao fazem parte daquela lista que a Yndo não gosta de ouvir... Uly Mutisse & Lethícia Mutisse.

Mas as épocas realmente contam muito. Quantos andersons, Denilsons, Edsons conhecemos da década 90? Chelseas dos anos do Bill Clinton? As modas...

Yndongah disse...

Hehe oh Muthisse, não que eu não goste, simplesmente apelo ao bom senso, aliás se tivesse tido uma menina ia se chamar Syntia, (ou Cyntia?)... desconheço a origem desse nome mas tenho dúvidas que seja português.

Pois é as modas...

X!mb!t@nE disse...

Hahahhaa, voces me matam! Nem me recordo da conjuntura que levou a dar o nome da minha princesa, so sei que no caso do Dudy quis rimar os ley's, heheheheh, manias...

clic disse...

Sim, o nome é importante. Pelo menos ao nível de não envergonhar o seu proprietário... :)
A meu ver também deveria respeitar a nacionalidade, como um traço cultural... Para transmitir que se é filho daqui e não da China, por exemplo!... :)

Yndongah disse...

D’accord Clic
:-)

Anónimo disse...

Ola, gostei do artigo, e muito interessante. Chamou-me atencao porque estou gravida e estou nessa procura de nomes para meninas e para rapazes pk nao sei ainda o sexo. Gostaria que me ajudassem a encontrar nomes afros que caissem bem com o apelido Salato Coimbra. PS: O pai e negro e eu tambem

Bgada e Bjinhs

Jacqueline

Anónimo disse...

Artigo interessante ,mas senti que ainda há uma crise de identidade ,preferimos nomes estrangeiros que ao nossos ...os bongane , dingane ,davanhane vão desaparecer para dar lugar a nomes do ocidente, até quando a colonização que até a mente? Tenho inveja dos sul Africanos