quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Depois do parto (1)

Sexualidade (A)


Depois do parto tudo muda na vida familiar, especialmente na da mulher: por um lado há a amamentação, os cuidados com o bebé, as noites sem dormir,acompanhadas muitas dúvidas que diminuem a vontade de retomar a actividade sexual devido, por exemplo, o medo da dor. Além disso, quando a mulher amamenta, ela aumenta a produção de um hormonio chamado prolactina, que é responsável pela produção de leite materno, e que por sua vez faz cair a produção de testosterona na mulher, este último responsável pelo desejo sexual.

Por sua parte, o marido ou companheiro, com o tempo, fica ansioso por uma noite de sexo enquanto que a sua cara metade está totalmente sintonizada no bebé, e por isso nem lhe passa cartão, chegando ao extremo de o achar insensível e logo surge a indagação, por vezes silenciosa e outras aos gritos: “Não pensas em mais nada?”

Nestes casos, o marido é quem deve equilibrar a situação, evitando que a mulher fique obcecada pelo seu papel de mãe, esquecendo-se dos deveres matrimoniais. A “pressão” do marido, quando exercida de forma carinhosa, é benéfica, pois ajuda a resgatar na esposa a mulher-esposa sem excluir a mulher-mãe, afinal o mundo não é apenas o bebé. Mas, atenção, o sexo não é só uma questão física mas também psicológica, e nesse sentido a mulher pode demorar mais a "estar pronta".

Mas a grande questao é "Quanto tempo de resguardo deve haver para a retomada da vida sexual após o parto?" Antigamente, quando voltassem da maternidade, as nossas avós dormiam na esteira, ao lado da cama da nova mama, durante os primeiros 3 meses de vida do bebé, dizendo que era para não o machucar mas, na verdade essa era uma medida preventiva, para evitar as tentações carnais dando distanciamento fisico ao casal.

Hoje, já não se precisa ficar muito tempo para se recuperar, quanto mais tranquilo for o parto e sem intervenções cirúrgicas, mais rápida será a recuperação, chegando a levar menos de 15 dias. Há obstetras que orientam para um resguardo entre 40 a 60 dias, o importante é a mulher voltar a sentir-se bem depois da cicatrização dos pontos.

Infelizmente, as palestras que eram ministradas nos Centros de Saúde e que eram o melhor ambiente para este tipo de questões, desapareceram. Nessas palestras, não só se falava dos cuidados a ter com o bebé mas também de como a mãe deve se cuidar para evitar que a chegada do bebé interfira no relacionamento do casal.

É importante salientar que esta atitude da mãe não é intencional, ela sente-se tão feliz e emocionada com a chegada do bebé, que acha que este supre a necessidade que ela possa ter de afecto pelo que é importante que o papá compreenda isso, e crie cenários que estimulem a mulher. A relação sexual não se resume apenas no coito existe uma gama de possibilidades para se relacionar sexualmente, os beijos, as caricias, as expressões verbais entre outros criam um bem estar e são essenciais neste momento da relação.

Da mesma forma que a mulher tem as suas razões para não querer sexo, o homem tem as suas para querer. Aí, ao invés de procurar socorro numa Casa 2 a única saída é cada um compreender e respeitar a razão do outro, e juntos chegarem a um acordo. O objectivo tem de ser o de abrir espaço para o relacionamento no dia-a-dia.

26 comentários:

Júlio Mutisse disse...

Ynd,

Desafio te a ires mais a fundo na questão do "isolamento" de 3 meses que as nossas avôs impunham às nossas mães. Suponho que haja mais sumo nessa questão relativas não só à recuperação física, mas (suponho) também hormonal etc (restabelecimento dos ciclos bla bla bla).

Eram MUITO sábias as nossas avós. Se calhar muito do que tomamos como definitivo quando dito pela ciência, já ouvimos empiricamente destas sábias velhotas.

Venham daí.

JSM

Desculpem se tiver dito asneiras hahahahah. Sou apenas curioso.

Nini disse...

O assunto é bastante interessante.
Quando tive a minha filha, infelizmente não recebi uma orientação ou aconselhamentos pós-parto quanto à sexualidade. Acho que os nossos hopitais falham nesse aspecto. Eu não sabia como me deveria comportar caso o meu companheiro desejasse uma noite de sexo. Depois de duas semanas aconteceu o inverso, ainda sentia as dores dos pontos e tinha uma enorme vontade em querer fazer sexo. O meu parceiro, baseando-se em especulações ou mitos, dizia que ter relações antes da bebé ter três meses podia criar problemas físicos ou psicológicos na bebé. Perante esta situação cheguei a pensar que ele havia perdido interesse por mim. E a falta de preocupação pelo sexo por parte dele, deixava-me cada vez mais preocupada. Comecei a pensar que ele já vinha “satisfeito” das suas andanças. Passei a ter ciumes da minha filha, pelo carinho e mimos que ele dava e passei a sentir-me como mãe da filha e não esposa.

Bem, digo isso para reforçar o assunto tratado e dizer que o contrário também acontece. É importante que os papás fiquem atentos a estas situações.

Chacate Joaquim disse...

JM tem razão!

quando por exemplo dizem que se te envolveste com uma amante não podes tocar na bebe! são situação sem explicação mas boas porque veja por exemplo no campo há práticas sexuais na queles arbustos e no fim não há água para se lavarem já imaginou chegar em casa pegar na bebé? se dessesse que o sexo só depois de 3 meses por causa dos pontos a NINI ia prefirir ajeitar ahahah mesmo com todo o perigo aí existente! então é melhor Swa hila e pronto.

Abraços

Anónimo disse...

'são situação sem explicação mas boas porque veja por exemplo no campo há práticas sexuais na queles arbustos e no fim não há água para se lavarem já imaginou chegar em casa pegar na bebé?' Caro Chacate, talvez essa seja mesmo uma explicacao razoavel a partir das quasi muitos dos nossos pais escaparam a possiveis infeccoes. Emidio Gune.

Bayano Valy disse...

hmmm.... interessante. mas como o júlio diz o desafio era ires mais fundo na questão. eu acrescento que depois dos comentários dos outros, talvez a segunda parte ou as partes subsequentes olhem para os aspectos tradicionais e a sua sapiência. acho eu que há tabús que foram criados e que fomos seguindo sem saber porquê, e acabamos caindo na situação do companheiro da nini, e numa pura imcompreensão dela. procure explorar isso.
agora, não fosse porque procriar é bom para a humanidade, diria que melhor coisa era não fazer filhos para não se ficar tanto tempo assim sem sexo (hehehe), a não ser por vontade própria e quando se está sozinha (o que é uma tristeza - hehehe).

amosse macamo disse...

um tema interessante e curiosamente estou a passar por esta fase...a compreensao neste periodo 'e essencial. na verdade, as coisas acontecem de tal forma, que muitas das vezes, nao da d'a tempo, para nos preocuparmos com outras coisas, a vinda do bebe, preenche sobremaneira, tanto o pai como a mae e verdade, 'e que se os dois, partilharem a experiencia da maternidade, pouco tempo tem para pensar no sexo naqueles dias (quentes), agora nos casos em que o marido 'e expectador, nao tarda que queira...
tiveram que passar dois meses, e ouvindo Bob McCferrin, que dei me conta, que andava em lei seca e ri/me tanto, porque lembrei me dos mitos da adolescencia(dor de cabeca,intolerancia, bla bla, se ficas dois dias sem sexo) e descobri, acreditem naquela altura que tinha dado o salto.
descobri, que nao era so o homenzinho que tinha saido da casas dos pais, que decidira formar um lar, mas sim, o dono da situacao, que pode muito bem controlar os seus impulsos.....he ni khulume mais ja....tema apaixonante este....ja agora, vasikates, vos desafio, a lerem o meu blog, tenho uma materia, de Joaquim Macuacua...mui caliente

Yndongah disse...

Julio;

Desafio aceite, alias, antes da tua proposta ja estava no planning.A medida que a serie for prosseguindo vamos amadurecer as ideias.

Yndongah disse...

Nini,

Muito interessante o teu comentario. Fazemo-nos de modernas, mas na verdade, nessa e em outras horas precisamos do help de pessoas mais velhas ou com formaçao, refiro-me aqui ao papel dos hospitais/centros de saude.

Tendo começado esta linha de ideias, sobre o depois do parto, tenho em perspectiva continuar a abordar o assunto e a experiencia que tiveste talvez ai encontre respostas. Espero também que, agora, como nessa altura possamos discutir ainda mais o assunto e amadurecer as nossas ideias e concepçoes, afinal ninguem nasce a saber. Nao é?


PS1: Gostei imenso do teu blog. Infelizmente, quando foi do nascimento do meu filho, nao tive a oportunidade de fazer o mesmo. Hoje, com tristeza descobri que o mesmo é para convidados. Pena nao poder mais ver as diabruras da Nicole

PS2: Shirangano, tem teu dedinho ai? Vai ver que no ultimo post esta a tua cara!!!

Yndongah disse...

Amigo Chacate,

ainda bem que sabe e reconhece que "swahila e pronto"!

Yndongah disse...

Pode ser mais explicito, Emidio Gune? Algo me escapou...

Yndongah disse...

A isso vamos, Bayano pois tens toda a razao: seguimos a manada apenas porque somos bois. Ha muitas coisas de que nem sequer buscamos explicaçao, basta que digam que é tradiçao para nao as questionarmos.

No prosseguimento da serie, Pos-parto, iremos discutir esses assuntos, assim espero.

Agora, ca entre nos, a ultima parte do teu comentario nao é mais do que uma provocaçao. Ja se disse aqui e em muitos lugares que ha muitas formas de se relacionar sexualmente. Nao vou ser eu a ensinar o conto ao vigario, ou vou? Yuuu, mama!

Yndongah disse...

Amigo Amosse, bons olhos o vejam! Como é que é essa mesmo a de casa? O bom mesmo é que descobriu em si um homem e nao um homenzinho que se deixa levar por ditos e nao ditos.

PS: Khuluma à vontade e agora vou ao Modaskavalu!

X!mb!t@nE disse...

Nao fico atras, também vou ao Modaskavalu

Avid disse...

Tema bem escolhido mha linda. Sou mãe de uma linda menina e até hoje a maternidade simplesmente me APAVORA. Não fui preparada em nada para o que viria depois do parto. Confesso que só me falavam das maravilhas da maternidade. Dos sorrisos. Do amor imenso. Tive uma gravidez dificil e um parto horroroso, a falta de leite para poder amamentar o meu rebento… sofri que nem uma condenada e não achei a minima graça de ter uma criança de 3.5kga sair-me entre as pernas. Enfim…para culminar a depressão pôs-parto (que de inicio foi entendida como um xilique) levou-me a uma cama de hospital.
Ninguem me disse no pré-natal o que me esperava de verdade. Que o meu corpo se deformaia, que interesse sexual passaria para segundo plano por meses ( alias, a culpa foi unicamente das minhas pernas que se recusavam a abrir por mais que a mente ordenasse tal proeza).

Hoje, pretendo ser mãe novamente mas as marcas deixadas parecem teimar em contiuar vivas. Não me esqueci logo como dizia a minha mãe. Sinto-me mais adulta mas de forma alguma preparada para voltar a viver tudo de novo. Sei que o proximo passo é consultar uma psicologa e quem sabe então ai??? Quanto aos três meses, foi o que aconteceu comigo mas porque tive o bebé longe do meu marido e a natureza encarregou-se depois de colocar as carências e os choros inexplicaveis no devido lugar.

BFDS.
Bjs meus

Yndongah disse...

Yap Avid, esse e o maior erro dos servicos de saude, a futura mamãe vai la sem nem imaginar o que lhe espera.Estou a pensar depois de terminar a serie sobre o pos parto iniciar uma sobre a gravidez, assim iremos partilhar as nossas experiências e quem sabe ajudemos muitas mulheres que pretendam embarcar nesta maravilhosa aventura que é a maternidade.

Temos muito em cmomum, também sou mãe de um menino(o homem mais lindo que conheço) que nasceu com nada mais nada menos que 4,200g, ainda houve quem achou que ele pudesse sair pela “porta principal”, então imagina o sofrimento até chegarem a conclusao que o melhor é operar, tive tambem a famosa depressão -alias esse é um tema que iremos discutir nesta série- depois as fissuras mamárias (as famosas feridas dos mamilos hiiii), enfim....

Essa da ausência de sintonia entre a mente e as pernas eh real, eh que abri-las novamente recuperava as dolorosas lembranças vividas no parto né?
Espero que consigas superar o trauma e repitas a dose com pouco mais de conhecimento de causa.

BFS pa ti tambem
Bjs meus

Nini disse...

xiii..mana Ynd tambem es convidada, mande-me um e-mail para ninileoxa@yahoo.com.br.
De momento não tem fotos novas, estava preocupada com os exames. Volto dentro desta semana.

Tem sim o dedinho dele...

SHIRANGANO disse...

Euuu..!? xiii...! Coitado do Shirangano. Nicky onde é que estas? Venha defender–me. Há uma rede de conspiração por aqui. He he he he....

Jonathan McCharty disse...

Este e' um tema que naopode ser generalizado! Cada caso e' um caso! Tem mulher/homem que na primeira semana pos-parto "quer uma"! Tem quem nao esta' nem ai! Esta discussao sobre "sexualidade" esta' a ser tratada aqui "depois do parto", mas a "disrupcao" ja' vem ocorrendo desde o inicio da gravidez! E' muito tempo, pah! E' verdade q o casal todo passa mal com esta situacao!
O periodo de resguardo e' importante (por mim,4 meses nada mau) porque o corpo da mulher precisa voltar a engrenar! Muita mulher volta a ficar gravida neste periodo, porque uma vez nao tendo menstruacao, ela nunca sabe qual e' o seu periodo fertil!
Por isso, um ponto de equilibrio, muito dialogo, paciencia, sao importantes! Outra coisa que nao foi abordada aqui e' o "entrave" criado pelos bebes (em minha opiniao, os verdadeiros "empata-fodas") quando vcs estao "na mood" e exactamente eles decidem dar um berro nessa altura! Estao questao da sexualidade pos-parto e' um "reminder" que as vossas vidas se alteraram para sempre (para o pior, hehe)!

Chacate Joaquim disse...

os verdadeiros "empata-fodas") essa é que faltava Jonathan McCharty.... ahahahah o que está em causa aqui mano é a involuntariedade da abstinência por causa de possível efeito negativo que isso possa sujeitar o bebé. "a mulher facilimente pode engravidar" neste caso eu prefiro ver as caisas no sentido de haver mulheres que tem tido pontos e daí!

lembro de uma discunsão que tive com uma colega que o marido é médico e ela dizia que essa de remédio tradicional é uma farsa porque há bebés que nascem e são deixados nos hospitais sem possibilidade para esses medicamentos mas são bem saudáveis, quanto a isso eu respondi que conhecia muita gente saudável que nunca teve acesso à vacinas contra difteria, tosse convulsa, tétano, pólio, variola e tuberculose as que estão saudáveis!

citei esta conversa para dizer que Jonathan McCharty tem razão um momento de pausa não é mau e ninguém devia se sentir como a nini por isso! Agora, como temos mania de explicar tudo o MISAU devia procurar uma explicação que mostre as vantagens da pausa, mas veja que a educação tradicional não abre espaço para o amantismo do marido porque a esposa está de licença de parto porque isso também tem efeitos negativos para o bebém pelo que sigamos Jonathan e JM que é bom

Nini ti Khomi pah! ahahahahah...

Abraços

Yndongah disse...

Nini,
Hanks, já enviei o email.

Shirangano tarde demais já sei que tem dedo teu sim, e vamos combinar amigo usar a Nicky para se fazer de vítima é golpe baixo...
Bjnjs

Yndongah disse...

Ohh Jonathan concordo plenamente contigo, alias, a propósito desta postagem já um amigo me falara que eu dava a impressão de uma “insasiabilidade aguda por parte dos homens, esquecendo me que a reciproca é verdadeira”.

Não concordo muito com a ideia de a “disrupcão” já vem correndo desde o início da gravidez, a actividade sexual não se altera com a gravidez, é certo que a medida que a barriga vai crescendo aumenta o desconforto, mas sempre dá se um jeito, aliás tenho p’ra mim que as mulheres têm mais apetência ao sexo quando estão grávidas, acho que sentem-se mais seguras e provavelmente menos “acantonadas”, já com a chegada do bebé a coisa muda.

Mais uma vez não concordo com o teu período de resguardo, 4 meses é muito tempo, penso que as alternativas ao coito para além de ajudar a superar o conflito esposa-amante e esposa-mãe, evitam gravidez logo a seguir ao parto.

Ahhh essa do berro tem que ser né? Tem mais alguém na parada é preciso que os pais tenham isso em conta, realmente tudo muda dali para frente, mas não para pior hehe.

Um abraço

PS: Jonathan pode me enviar o seu email? Use yndonga@gmail.com

Yndongah disse...

Amigo Chacate,
Eu também gostaria de saber quais são as vantagens da pausa, e quais são os efeitos negativos o “amantismo” traz as crianças.

Um abraço

X!mb!t@nE disse...

Creio que nao vale a pena estar a deitar mais lenha a esta fogueira narrando os horrores pelos quais passei.

O que me traz agora é apenas uma rectificaçao pontual ao endereço que forneces ao Jonathan: yndongah@gmail.com, o "h" em falta, faz toda a diferença

Jonathan McCharty disse...

Amigo Chacate!
Eu acho que a sexualidade do casal no periodo pos-parto nao deve surgir como uma estrategia para evitar que o homem va' procurar amantes! A actividade sexual deve ser re-iniciada quando os dois estiverem "confortaveis" com a situacao! Eu (repito, EU) acho que o facto de estar com uma amante e depois pegar no bebe, pode-lhe causar algum mal, e' daquelas conversas graudas para boi dormir!

Um abraco!

Jonathan McCharty disse...

Yndongah,
Conforme disse, no meu primeiro comentario, "cada caso e' um caso"!
Ha' mulheres que nao se cansam de querer quando estao gravidas, tem outras que "desligam a ficha e arrumam a extensao electrica na despensa"! Pergunte as tuas amigas se todas sentem o seu "sex appeal" aumentar ou inclusive sentem tremendas dificuldades de se excitarem!

Achas mesmo que 4 meses de resguardo e' muito tempo?? Epah, temos que reavaliar esta coisa dos "insaciaveis" hehe!

P.S- esta e' aquela historia do Padre: "faca o que digo.......".

Mando-te o email a seguir.

Jonathan McCharty disse...

Thanks Ximbi,
Sem o "h" nada feito mesmo!