sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Os nomes dos bois



Recentemente, levantou-se a polémica questão Casa 2, forma como amantes de homens casados ou, de alguma forma, comprometidos são “civilizadamente” tratadas. Polémica a parte, uns e outros com as suas razões.


Pelo que foi dito, pelo que paira no ar e pelo que não foi dito, pois o debate está sempre em aberto, conclui-se que a existência de tal “casa” deve-se ao comportamento da Casa 1, sobretudo no que se refere as performances e disponibilidade entre quatro paredes “na hora do vamos a ver”.


Na sociedade actual, talvez por ainda estar imbuída pelo espírito esvoaçante da poligamia, que modernamente se insiste em fingidamente ignorar, ter Casa 1 e 2 e, porque não, outras mais, é uma prática real. Geralmente, quem tem conhecimento de tal prática cala-se e/ou faz-se de carapau de corrida, talvez porque também é adepto ferrenho ou jogador de tal clube e o campeonato assim vai andando.


Grande parte de culpa de tais comportamentos, fingidamente inexistentes, deve-se a essa mesma sociedade que considera um polígamo e infiel, aos votos livremente enunciados, um homem de verdade e que por tal merece firmes apertos de mão e palmadas ruidosas nas costas. Cá entre nós, um autêntico garanhão mesmo se as performances estão aquém de tal comparação!


Nessa história, de 1 e 2, verdade seja dita, as mulheres não estão isentas pois também dão as suas facadinhas! Afinal, por norma, o envolvimento é entre um homem e uma mulher. E o homem cuja mulher ou Casa 1 se envolve com um outro homem, como é chamada “civilizadamente”?
Veja no Julgamento de Cesaltina!

Pois é, há nomes para bois, e há nomes para as fêmeas do boi! Estranhamente os bois quando passam pelo matadouro passam a “vestir” o nome das suas fêmeas. Engraçado, não é
?

13 comentários:

Reflectindo disse...

Ai tocaste na ferida. Estamos numa sociedade que aceita e que até premia a quem tem casa 2 ou mais. Noutras sociedades em que isso não se aceita e se penalizam pela sociedade, raramente há isso. Aí que vc vá mudando quantas vezes você quer, mas é uma casa de cada vez.

Na nossa sociedade as mulheres são muito solidárias, talvez por questões económicas. Ela aceita a casa 2 e mais e até pode fazer amizade com ela/s. Porém, os nossos homens são egoistas, mesmo a vir da casa 2, eles apanham cólera se simplesmente apanharem a casa 1 a falar com um homem estranho

Ambos homens e mulheres são membros do clube casa 2, etc., talvez seja porque as mulheres se abafam arranjando outro ou outros.

Matsinhe disse...

Meninas,

Este post é tendencioso. Estamos numa sociedade com valores destorcidos. Os fenómenos Casa 2 ou alfas é tão vulgar que nesse campeonato andam homens e mulheres quase em igualdade de circunstâncias. A diferença está no carácter mais recatado da mulher nestas coisas. Ela não pode exibir o OUTRO sob o risco de ser rotulada com o feminino de boi. Ao contrário o homem pode e a mesma sociedade que condena e rotula a mulher em igualdade de circunstâncias o aplaude. É apenas nisto que reside a diferença. No restoo fenómeno casa 2 é comum. Todos jogam nesse campeonato. Em 2010 se calhar as mulheres virem campeãs

X!mb!t@nE disse...

Obrigada pela nobre visita, tendo em conta que nunca deixou por aqui traços seus, mestre.

Quanto a questão, percebi o que pretende dizer e reconheço que lamentavelmente seja real.

Mas a questão mantém-se. Porque Cesaltina é condenada se tanto ela como o marido tem os mesmos direitos?

X!mb!t@nE disse...

Tendencioso, Matsinhe? pode até ser se levarmos em conta o actual contexto em que tanto um como outro jogam no mesmo campeonato!

Mas, mesmo assim porque uns tem nomes gloriosos e outros sao desventurados se estao em igualidade de circunstancias?

Yndongah disse...

Infelizmente, apesar de todas as conquistas do universo feminino o machismo ainda persiste no nosso seio. A mulher que trai é rotulada, enquanto a mesma atitude no homem é símbolo de virilidade.

Mestre: não acho que seja a dependência económica que dita a “solidariedade” feminina, existem muitos casos de mulheres independentes que “consentem” uma casa 2. Motivos há varios, desde a raridade da “espécie” até a “fotografia” para a sociedade.

Matsinhe: Bem vindo a casa! Essa de 2010 não lembra nem o demónio. Concordo que trair faz parte da natureza humana (masculina e feminina) porém, os (poucos) motivos que levam uma mulher a trair são bastante coerentes (veja a Cesaltina), aí meu caro, nunca vamos bater de frente com os homens!

Bom fim de semana a todos

AGRY disse...

Se me permites, vou ser atrevido e meter a foice em maschamba alheia.
Tenho para mim que os problemas levantados respeitam a uma minoria urbana.
Um país que apresenta um dos mais baixos rendimentos per capita, e se debate com problemas de toda a ordem, as facadinhas situar-se-ão, digo eu, num universo muito circunscrito. Quem dispõe de meios para se permitir ter casa 1, 2 e por aí adiante?
Não pretendo insinuar que esta matéria não é relevante e toda esta discussão resulta de concepções pequeno-burguesas ou, se preferires, de mentalidades típicas de novo-riquismo! Nada disso.
O importante aqui, como se diz na gíria, é chamar os bois pelos nomes, isto é, definir a esfera onde se movimentam estes fenómenos sociais.

X!mb!t@nE disse...

"Tenho para mim que os problemas levantados respeitam a uma minoria urbana."

Discordo da afirmaçao acima, Agry. Prova disso é que fora dos meios urbanos mulheres apanhadas com a boca na botija sao expostas publicamentes e sofrem todo o tipo de sevicias.

"Um país que apresenta um dos mais baixos rendimentos per capita, e se debate com problemas de toda a ordem, as facadinhas situar-se-ão, digo eu, num universo muito circunscrito."

Outro erro! A fome nao impede ninguem de pular a cerca. Pelo contrario torna-se, em alguns casos, fonte de sustento.

"Quem dispõe de meios para se permitir ter casa 1, 2 e por aí adiante?"

Oh, oh, oh! Para se cobrirem os bichos precisam de meios?

"O importante aqui, como se diz na gíria, é chamar os bois pelos nomes, isto é, definir a esfera onde se movimentam estes fenómenos sociais."

Pois é, e você chamaria os bois pelos nomes? E se fosse você? Aceitaria ser chamado boi?

AGRY disse...

Chamar os bois pelos nomes foi, aqui usado, numa perspectiva de frontalidade, de caracterização genérica. Nesta postagem,a ambiguidade da expressão foi um risco que corri.O sentido é bem diferente do usado no teu texto

Aparentemente estamos a falar línguas diferentes. O que eu pretendi dizer tem a ver com os “custos resultantes” de se possuírem várias casas.
O adultério , a poligamia, a prostituição e outras manifestações do género, não estavam no horizonte do meu comentário.

X!mb!t@nE disse...

Ops, mea culpa, Agry! Longe de mim por em causa o que cada um diz, apenas manifestei discordancia tendo em conta a minha visao da realidade moçambicana.

Mas, reconheço que isso em nada me faz expert ou melhor entendora do assunto. Desculpa-me?

AGRY disse...

Não há desculpas a apresentar! Por favor, não me faça sentir o mau da fita.
Não vou dilatar a discussão mas abandono-a com a percepção que ainda não foi desta que me fiz entender.Comunicar, nem sempre é fácil!
Voltarei sempre...até à próxima postagem ... provavelmente

Matsinhe disse...

Não acho que seja verdade que o fenómeno se possa circunscrever ao universo urbano. Mesmo nas zonas rurais, desde os tempos da emigração massissa para as minas na RSA até aos dias de hoje, o fenómeno é recorrente.

Não foi de uma mulher urbana ou urbanizada que ouvi, pela primeira vez, a explicação da razão porque as sogras dizem as noras para irem mandar calar os bebés que choram LONGE da presença de outras pessoas (Segredos que se compartilham entre NORA e SOGRA - veja-se).

Então o fenómeno anda aí. A razão da rotulagem é o machismo exascerpado que ainda ccaracteriza as nossas sociedades e, inclusive, reforçado pela crença de muitas mulheres na tal "a raridade da “espécie” " de que a Yndongah fala.

Yndongah disse...

Sem dúvidas que este é daqueles temas que não se esgota, á medida que se vai contribuindo surgem diferentes formas de analisar o mesmo fenómeno, e vamos evoluindo, primeiro foi casa 2, passamos para nomes dos bois e espero que não termine por aqui.

E já agora, o Matsinhe acaba de sugerir mais uma vertente, essa dos segredos entre sogra e nora merece um post! É que realemte há casos em que a “pulada de cerca” da mulher é consentida pela sogra... Mais matéria prima ó Xim!

X!mb!t@nE disse...

Humm, ja estou com os neuronios a funcionar...