segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Menstruação precoce



Antigamente, as meninas tinham a primeira menstruação por volta dos 13 e 14 anos. No entanto, com o passar do tempo esta idade vem diminuindo, chegando até a ocorrer em crianças com apenas 9 anos. Esta tendência, deve-se a mudança dos hábitos alimentares e do estilo de vida. O agravante é que esta criança nem sequer tem idade de ir ao ginecologista sendo que deve ainda ser assistida por um pediatra.

A menstruação ocorre após o pico máximo do crescimento e significa a maturação sexual da mulher. Os estímulos visuais que a mídia e a televisão oferecem às crianças interferem na maturação sexual. A melhoria da condição de alimentação mundial também interfere no índice de massa corpórea das adolescentes.

O amadurecimento sexual feminino é marcado por algumas alterações do corpo que ocorrem na seguinte ordem: o aparecimento dos pêlos púbicos, o surgimento dos caroços mamários, crescimento dos pêlos axilares e, por fim, a menstruação. A mestruação é considerada precoce quando ocorre antes dos outros sinais.

As meninas que menstruam muito cedo, geralmente ficam muito assustadas e sem saber como reagir. Elas não percebem o que está a acontecer com o seu corpo. Nessa hora, para além de procurar acompanhamento médico, o papel da mãe é importante, ela tem que ser amiga da filha e abrir o jogo. De forma moderna, devem ser companheiras e cúmplices, dando orientações sobre os cuidados com a higiene e as possíveis cólicas para que as meninas dividam com elas seus anseios e problemas sem medo.

Entretanto, ainda hoje, este assunto é tabu! Quanto mais se ocorre em crianças. O que se há-de dizer a uma criança se a uma jovem é difícil falar abertamente? Em muitas famílias, jamais se discutem assuntos como menstruação, sexualidade e doenças sexuais. E, como conseqüência, os pais não participam de todo este processo deixando suas filhas expostas à própria sorte com todos os riscos dai advindos.

Após a primeira mentruação as meninas crescem mais 2 ou 3 centímetros, por isso, quanto mais tardia ocorrer, mais chances elas têm tem de crescer. Outras conseqüências perniciosas da menstruação precoce são a exposição às doenças sexualmente transmissíveis, maternidade precoce e abortos ilegais.

Importa salientar que o ciclo menstrual não é uma doença e faz parte da sexualidade da mulher. Endende-se que a partir dos 13 anos, a adolescente tem mais condição de assimilar a sexualidade e de saber que, a partir daquele momento, está a tornar-se uma mulher e precisa tomar todos os cuidados para evitar os inconvenientes acima descrito

16 comentários:

Júlio Mutisse disse...

Sou pai de 2 meninas uma delas já com 9 anos. Vejo este post e sinto que já é altura de alguém (eu, será?) ter uma conversinha sobre estes assuntos com a minha menina.

Thank you meninas.

Yndongah disse...

Júlio ,

Penso que o importante é estar atento sobretudo aos estímulos que acabam acelerando o amadurecimento das crianças.

Por exemplo é comum ver em locais públicos, meninas dos seus sete, oito, nove anos vestidas como mulheres, os pais, não se apercebem que esta atitude que parece “banal” pode interferir no ciclo natural de maturação delas.
A nossa intenção é a de chamar atenção aos pais para estes sinais.

Penso que a minha amiga é a pessoa certa para falar deste assunto, gradualmente claro, é importante o avaliar estágio da menina.

Bom dia

Chacate Joaquim disse...

Muito obrigado pela aula Vasikati!

E os ritos de iniciação como é que se posicionam perante este cenário vam submeter crianças de 9 anos?

Abraços

Jonathan McCharty disse...

Noto que a Yndongah e' apologista que a conversa sobre sexualidade & afins com uma filha seja apenas feita pela mae? Porque um pai, como Julio parece pretender fazer, nao pode tomar a dianteira e conversar abertamente esses temas? Porque uma mae nao pode falar de sexualidade ao seu filho? Em minha modesta opiniao, a abordagem destes assuntos, sem barreiras de qualquer que seja o tipo, transmitem um senso de seriedade e responsabilidade aos filhos. Um casal deve ser estar aberto a discutir estes assuntos com os filhos. Nao serao as tias ou vizinhas a substitui-los. Nao admira que os miudos nao tomem estas coisas a serio! Ninguem respeita mais ao tio/vizinho que aos proprios pais. Temos que acabar com esses tabus!
Forca Julio! Vejo que tens muita responsabilidade pela frente, hehe!

Jonathan McCharty disse...

Chacate!
Os ritos de iniciacao tem sido feitos a mocas dos seus 12 a 14 anos! E' uma pratica boa, mas peca por nao incutir responsabilidade aos miudos, principalmente mocas! Gostaria de ser contrariado, mas penso que os "ritos" tem sido mais orientados em formar os adolescentes para a vida adulta, de casados, e nao em "forma-los" para conduzirem a sua juventude de modo a se tornarem adultos responsaveis e de "sucesso", dando enfase a escola, a proteccao contra a gravidez prematura, doencas sexualmente transmissiveis, etc. Um amigo meu que vivia numa zona fortemente makonde, confidenciou-me que, quando as adolescentes voltavam dos ritos de iniciacao, tudo o que queriam era "por em pratica" o que acabavam de aprender! Isso explica o que acabei de expor!

Yndongah disse...

Jonathan,
D’accord!
Neste caso particular tratando-se da primeira mesntruação sugeri ao Júlio que fosse a mãe, pois acho que ela sendo mulher, está em melhores condições de transmitir a sua experiência a filha, porém concordo plenamente que pai não pode ficar de fora.
Abraço

Yndongah disse...

Amigo Chacate,
Sobre os ritos de iniciação a minha colega está a elaborar algo, penso que nessa altura iremos discutir tudo em torno desta prática.
Fique de olho.
Abraço

X!mb!t@nE disse...

Jonathan, concordo contigo quanto a postura que o Mutisse deve tomar em relaçao a filha. Mas também compreendo e apoio a ideia da Yndoh.

Hoje em dia o pai toma dianteira na vida da filha, ja nao é como antes (no meu tempo e da Yndoh) em que mesmo para termos autorizaçao de saida para o cinema apesar de o pedirmos ao nosso pai a resposta vinha pela via da mae.

Sou apologista de que os progenitores devem dividir tudo em igual no que tange aos filhos, sem restriçoes.

X!mb!t@nE disse...

Chacate, ritos de iniciação? Hummm, interessante. Vamos la ver o que a nossa colega faz, como diz a Yndoh

Chacate Joaquim disse...

Jonathan McCharty

Sera que a idade é que conta mesmo? ou o crescimento é que determinam! porque tradicionalmete uma pessoa basta ver mestruação presume-se que já é mulher preparada para iniciar a actividade sexual, infelizmente.

Agora, como é que será atendendo que para a idade dos 9 anos ainda é criança que precisa de uma educação bem diferente da oferecida nos ritos? se bem que nos termos da lei mesmo 12 a 15 ainda é menor.

Quanto ao por em prática a questão é que uma boa educação é a quela que alia a teoria e aprática hehehe!

É por aqui

Chacate Joaquim disse...

Yndongah e Ximbita,

Tudo bem, aguardo. Mas precisamos compreender que este assunto é sério mesmo acho esta prática deve incluir questões de educação sexual como tal.

abraços

Júlio Mutisse disse...

Epa, a vida nos dá lições a todo o tempo; aprendemos de tudo e de todos. Há assuntos que se abordam e outros que se vão protelando no tempo, sempre na convicção de que !ainda há tempo" para amadurecer as questões ou para a "criança" crescer.

Feliz ou infelizmente, em determinados assuntos as "crianças" acabam se adiantando a nós porque, em muito, e ao contrário de nós, já não "precisam esperar" pelos bons ofícios dos pais para se informarem (o que, em minha opinião, e em alguns casos como o que debatemos aqui seria o ideal). Hoje elas têm mais do que tínhamos na nossa meninice: TV (assisti a um programa televisivo pela 1ª vez em casa de um vizinho em 1986 - com 10 anos), Internet, revistas infantis (com alguma informação boa para o desenvolvimento da criança) etc.

Por tudo isto é necessário que estejamos mais atentos. Este post despertou essa necessidade em mim. Sempre achei que, para este assunto, fosse ainda cedo (11/12, isto é, eu me dava + 3 anos até o ter que abordar).

Concordo que pais e mães devem se envolver na abordagem de matérias relativas à educação das crianças. Noutro lado debatiamos os tabus que caracterizavam a nossa sociedade na época em que crescemos (falar de Vaginas, pénis ou mesmo menstruação era um sacrilégio... a swi yila)... por essa razão, não deixarão de perceber os meus receios e resistência para abordar determinados temas com as minhas meninas apesar de eu sentir que o devo fazer (e vou fazer uffff).

Graças a Deus, tenho uma mulher que não me deixará ficar alheio desse assunto, mesmo que nem abra a boca (rsssss).

X!mb!t@nE disse...

Sortudo hein, Mutisse!

PS: Por ventura a tua filha mais nova continua no Nyeleti?

Júlio Mutisse disse...

Xumbit@,

Ya. A mais nova continua lá. Serei um dos convivas "do baile de finalistas" deste ano, e tenho que me preparar para voltar ao assunto deste post em muitíssimo pouco tempo. Uffff

Reflectindo disse...

Oi

Escrevestes sobre ginecologistas e cuidados médicos só que não entendi porque este pessoal seria necessário para questões de menstruacão. Mesmo em países ricos este pessoal não é usado para questões de menstruacão se ela não é anormal.

Mas compreendo que pessoal com mais conhecimento sobre a saúde é necessário para participar na educacão dos adolescentes. Duma forma directa ou indirecta, tenho proposto que devia-se afectar algum pessoal da saúde para só e só trabalhar nas escolas com os alunos. Por exemplo um/a enfermeiro/a escolar por cada ZIP que trabalhasse 1 vez por semana numa escola e ganhasse muita confiança dos alunos, seria, a meu ver muito útil.

Numa discussão alguém falou-me de custos, mas eu nego que não haja dinheiro para isto que é muito importante, portanto, não apenas para questões de menstruacão, mas para a saúde preventiva das crianças e sobretudo dos adolescentes em geral. Há muito dinheiro que se gasta em coisas fúteis e nós todos vemos.

Também discutiu-se aqui sobre o papel dos pais mas acho que esqueceu-lhe do papel da escola como instituição educacional. O que dizem os nossos programas de ensino? Que papel têm as professoras nas escolas, claro, sem excluir os professores? Há lá quem responda pela saúde?

Enfermeiro escolar nem é uma questão dos países desenvolvidos/ricos. Autrora, os missionários tinham as escolas, professores e um padre ou uma irmã fazia alguma assistência mesmo lá nas zonas rurais onde eu cresci. Eu digo por nomes de missionários que conheci como aluno e como professor me ajudar bastante. Trabalhei num centro internato e tínhamos lá uma professora (irmã) de biologia a tomar conta pela saúde. Era ela que me informava e me aconselhava sobre algumas situacões de alunas e graças a ela resolviamos os problemas de saúde dos alunos. E, não eram problemas menos complicados, como podem ver um centro internato com mais de 500 alunos com idade que partia de 10 anos.

Ainda me lembro dum facto senão muitos. Na minha formação de professores primários, estava no currículo a saúde escolar. Nos anos subsequentes esta disciplina foi banida, algo que sempre considerei errado sobretudo para as escolas dos níveis EP1 e EP2. Possívelmente a disciplina tenha me ajudado para para compreender algo em relação a este tema e a saúde das crianças em geral. Contudo, o que mais importa é dizer que com apenas 18, fui colocado numa escola situada em zona rural, trabalhando sòzinho com mais de 250 alunos. Lá tive ajuda duma comissão que naltura se chamava “ligação escola e comunidade”, composta por uma mulher e um homem, ambos muito mais velhos que mim. No meu balanço, da mulher aproveitava eu nas questões menstruais e outras questões femininas das minhas alunas enquanto que do homem era mais na questão de produção e ambiente escolar. Isto até ajudou-me bastante para não entrar em choque com a cultura local.

Todas as opiniões são muito boas, mas acho que não devemos esquecer do papel da escola que trabalha com crianças até aos 15 ou 16 anos.

Nota: 1. eu não gostaria que não se entendesse que falo de mim, embora os exemplos sejam de facto sobre a minha própria experiência. Quero apenas pôr a vontade a todos para discutir comigo sobre a minha própria experiência senão de muitos outros. 2. não acredito que o muito problemático seja o que se passa hoje nas nossas escolas, nem que fosse por causa do nível de pobreza do nosso país, pois com o querer e a esperança de todos, se faria muito mais melhor hoje, em prol do bem estar de todos. Hoje, há muitos que pensam que não é nada problemático ter 10 carros, 5 carros, ser latifundiário, etc; etc; num país mais pobre do mundo para pelos e ao mesmo tempo exibir como representante dos pobres e combatente da pobreza.

Yndongah disse...

Mestre, concordo com a ideia de que se deve incluir outros actores na educacao sexual e em particular da rapariga.

No entanto, mestre, quanto ao seu primeiro paragrafo, a proposta de se recorrer a especialistas eh pela delicadeza da questao: precocidade que acarreta inconvenientes na saude da rapariga.

Gostamos imenso que tenha partilhado a sua experiencia, bom seria se todos assim fizessemos.