sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sogra: inimiga mortal ou amiga fingida?



Regra geral, as sogras são conotadas como sendo pessoas execráveis. Quando se fala de uma sogra, várias são as formas com as quais ela é designada. Umas, por serem carinhosas são designadas e tratadas por mães, outras em gozação, e talvez também pelo seu génio, são chamadas de víboras e um infindável leque de outros títulos venenosos.

Lidar com uma sogra é um momento de apreensão para a nora e, talvez, para a própria sogra e, algumas vezes, do filho da mesma. Mas afinal quem é uma sogra? Sogra é aquela mulher que gerou o homem que você hoje ama desalmadamente e que de toda a forma quer viver em paz e em tranquilidade.

A convivência nora e sogra é um momento de profunda tensão, sobretudo nos primeiros contactos em que tanto uma como outra, como se de animais se tratassem, procuram marcar o seu terreno. Se a sua mãe ainda a trata como “filhinha” porque a sua sogra não terá esse direito para com o seu filho?

Fulana: “Eu e minha sogra nos damos muito bem, eu até acho que ela gosta muito de mim, pelo menos é o que parece. Já tivemos nossas desavenças, mas são coisas que já superamos, e agora nosso relacionamento é de mãe e filha!

Beltrana: “Gostaria que voltasse a ser como no começo: era uma verdadeira maravilha. Mas agora, está um horror. Aliás, faz muito tempo que não vou na casa dela, evito encontrá-la. Ela mudou muito comigo.”

Sicrana: ” Eu e a minha vivemos um dilema: ela não gosta de mim. Acho que tem ciúmes ela e diz que eu sou metida e mimada.”

Bom, esse tem sido o teor de conversas entre mulheres, no lado muito suavizado da coisa pois, jararaca (influência das novelas brasileiras), feiticeira, metida, cobra, bruxa, guardiã do Inferno, urubu, verme, maldita, chata, etc., têm sido os termos, também veneníferos, com que se designa a mãe do nosso mais-que-tudo. Portanto, as sogras têm sido alvo de verdadeiras patetices, alcunhas e piadinhas de muito mau gosto quer por parte dos genros como das noras.

Mas o que leva a que as sogras seja estampado tantos predicados negativos? Entre outros, sem querer, elas acabam, como qualquer um, excedendo-se e metendo os pés pelas mãos muitas vezes esquecendo-se, por exemplo, que já não estão na posição de mãe mas de avó. E o pior de tudo, é que acabam se esquecendo que a nora é maruja de primeira agua enquanto que elas já sobreviveram a vários maremotos.

A grande preocupação das sogras é de verem os seus filhos bem casados, com mulheres que os amem e que deles bem cuidem. Outro receio de muitas sogras, é o de verem os recursos dos filhos (salário e outros rendimentos) passarem para o beneficio da família da nora em detrimento da sua, algo que pode acontecer se este tiver posses, souber salvaguardar o interesse de todos e distribuir equitativamente o mal por todas as aldeias.

Na sociedade moçambicana, aquando do celebração de casamentos, quer sejam civis ou tradicionais, vulgo lobolo, às futuras noras, numa cerimónia denominada kulaya ou aconselhamento, são orientadas a respeitarem e a tratarem as mães de seus maridos como se de suas próprias mães se tratassem. O acatamento dos ensinamentos desta cerimónia tem sido fundamental para a convivência pacifica no novo lar se as recém casadas souberem dobrar-se e impor-se quando necessário.

Aliás, regra geral, quando uma mulher, sobretudo as que vivem em casa de suas sogras, visto que é extremamente difícil ter casa própria hoje em dia, comporta-se mal diante da sogra ou dos restantes membros da família o comentário/questão que se ouve é “está não foi layada”, devidamente aconselhada ou faz pouco caso dos conselhos que seguramente a família primeira transmitiu.

Outrossim, o facto de sermos mulheres que se dizem esclarecidas pelos anos de banco na escola, sermos independentes financeiramente e um sem fim de outros factores que jogam para que sejamos as tais, aliados aos preconceitos em relação as sogras, fazem com que o nosso relacionamento com estas nem sempre seja um mar de rosas. Mas, ter uma convivência pacifica com a sogra, não importa quão elevados são os problemas por estas causados, não é muito difícil: requer apenas um jogo de cintura que só mulheres que sabem amarrar capulana o podem fazer.

Do mesmo jeito que você prepara o tempero de uma salada, na interacção com a sua sogra, combine firmeza, amabilidade, paciência e mão firme. Se, por exemplo, vocês não vivem juntas e a visita dela é assídua, não a receba de má vontade, mas dê a entender que, apesar de ela ser muito bem-vinda, gostava de ter mais tempo para estar com o seu núcleo familiar. E faça o favor de a visitar também para que ela não se sinta jogada no lixo.

Se o assunto são os seus filhos, se ela ralhar com eles, mantenha a calma e o sentido de humor, afinal foi ela quem educou o seu queridinho e, de vez em quando, não faz mal nenhuma as crianças saberem que da avô não vem só mimos. Entretanto, se rivaliza pelas crianças, imponha as suas próprias regras e diga-lhe que ninguém gosta mais dos seus filhos do que você, mas tente fazê-lo sem se aborrecer.

Se ela a ignora, não referindo o seu nome ou não dialogando consigo, diga-lhe com tranquilidade que essa atitude a incomoda, mas evite os maus modos, afinal as verdades são para ser ditas e não vale a pena passar a vida a engolir sapos. Por último, reveja os seus conceitos de sogra e trate a sua sogra como no futuro gostaria de ser tratada pela sua nora...

9 comentários:

Yndongah disse...

As querelas entre sogra e nora são seculares e vão se prolongado de geração em geração.Existe por “default” um preconceito generalizado em torno desta relação o que dificulta a possibilidade de se estabelecer um ambiente harmonioso entre elas. Por um lado a sogra vê a nora como rival, aquela que rouba o filho, por sua vez esta vê na sogra a velha chata, que mete o nariz onde não é chamada.

O papel do filho –a única coisa que estas duas mulheres têm em comum- é fundamental no desenvolvimento da relação entre sogra e nora, cabe a ele separar quem é mãe e quem é esposa e colocar cada uma delas no seu lugar, e, principalmente em caso de conflito saber lidar com a situação de modo a melhorá-la.

Acho até que a relação sogra-nora agrava-se porque o filho (repito, o “troféu” deste derby), não consegue moderar os conflitos. Dificilmente o homem chama atenção a própria mãe mesmo que ela esteja errada, é muito mais fácil para ele fazer o contrário.
Agindo assim, ele dá abertura a mãe para fazer e desfazer e por sua vez a esposa sente-se rejeitada e injutiçada, o que agudiza as contradições.

Tema “dinamitado” este primosa...espero k os homens não me dinamitem!

Bjs

Júlio Mutisse disse...

Tudo se supera com diálogo. Tudo começa entre nós que decidimos começar uma relação que nos fará ter (ambos) sogros. Se pretendemos construir família, conhecermo-nos implica conhecer tudo o que está a minha volta:
> a minha família (mãe incluida)
> o regime do meu emprego
> os meus amigos etc

de modo a que nenhuma dessas coisas seja novidade, de modo a que se saiba como agir em cada situação.

O que acontece é que muitos só conhecem os sogros quando já estão lá e, qualquer coisa nova, causa alguns anticorpos.

Estudem as pessoas, conheçam os vossos parceiros e tudo o que lhe rodeia. Isso vos permitirá ter a relação (até a minha mulher inveja) tão boa tão boa como a que eu tenho com a minha SOGRA.

Yndongah disse...

Oi Júlio,

Meus parabéns por te dares bem com a tua sogra, aliás são raros os casos em que sogra e genro não se entendem. E é aqui onde está a minha questão, o que faz as relações entre sogra e genro serem saudáveis e sogra e nora não? Será mesmo pela falta de estudo dos parceiros e de tudo o que lhes rodeia como sugeres no teu comentário? É que por vezes é a mesma sogra que é um doce com o genro, marido da filha e “megera” para a nora portanto, esposa do filho.o que torna isto possivel?

Jonathan McCharty disse...

Concordo com o Julio quando refere que dialogo e' importante!

Yndongah,
se na nossa sociedade, a norma fosse, a mulher trabalhadora e garante da renda familiar e o homem encarregue pelas actividades domesticas, as maes (sogras) seriam "hostis" aos genros e cordiais as noras. A questao "material" tem um peso enorme neste relacao.

Ha' um conto chines que explica a essencia da relacao sogra-nora.

Uma nora queria matar a sogra, porque esta era chata. Vai ter com o druida da aldeia e este lhe da' umas ervas para por na comida da sogra. Mas a aconselha a usar pequenas porcoes para que a morte fosse lenta e a ser tolerante e bastante cordial para com a sogra, para que nao houvessem suspeitas da sua autoria material do crime. Entretanto, dada ao seu novo comportamento, a sogra tambem baixou as suas "guardas" e comecou a retribuir o afecto que recebia da nora. Passaram entao a ser tao amigas que ela se arrependeu so' de pensar que iria perder tao amavel companheira. Nisso vai ter com o druida e pedir uma "contra-erva". O druida disse-lhe que ficasse descansada porque na realidade, as ervas nao eram veneno algum, mas vitaminas que na verdade, estavam a melhorar a sua da sogra.

O ultimo paragrafo desta postagem e' bastante elucidativo sobre a "saude" desta relacao: "trate a sua sogra, como gostaria de ser tratada pela sua futura nora".

O que acontece e' que muitas noras aparecem logo a jogar pela defensiva (ou pelo ataque, como queira). A nora deve ser uma "centro-campista". Ser humilde, nao esperar a principio que a sogra a preste vassalagem. Ela ja' fez isso, criando o teu "mais-que-tudo". Trate-a com carinho, como trataria a sua mae. A retribuicao dela sera' natural! E' verdade que ha' sogras "intrataveis", mas a ordem logica deve ser essa!

X!mb!t@nE disse...

Muthisse, é justo o que dizes, na perspectiva masculina!

Quando, te referes, por exemplo que "Se pretendemos construir família, conhecermo-nos implica conhecer tudo o que está a minha volta:
> a minha família (mãe incluida)
> o regime do meu emprego
> os meus amigos etc" sabes como essas mulheres sao chamadas? Interesseiras.

Ultimamente muitas mulheres tem ido a casa dos sogros e la fazem de tudo um pouco (cozinham nas missas, lavam roupa do damo, varrem o quintal, fazem o rancho, dao banho a criançada da casa, etc) e, é conotada como boa nora. Porque as coisas mudam quando o anel "phatima" no dedo?

Muthisse, estudar alguém é uma missao para psicologos. As pessoas jogam na vida e voce sabe muito bem. Sogras e cunhadas entao, nem falo.

Felizmente essas makas nao tive por isso dedico este post a minha sogra e rezo para que todas as mulheres saibam ser noras pois, nao tarda muito, sao sogras.

X!mb!t@nE disse...

"Yndongah,
se na nossa sociedade, a norma fosse, a mulher trabalhadora e garante da renda familiar e o homem encarregue pelas actividades domesticas, as maes (sogras) seriam "hostis" aos genros e cordiais as noras. A questao "material" tem um peso enorme neste relacao."

Hostis ou doceis? Nesta vertente, caro, talvez a sogrona seja o maximo afinal é a nora quem dá as cartas, nao é? Bom a ideia é levantar a questao e foi feita numa vertente, afinal ha outras, pois nao?

Júlio Mutisse disse...

Ximbi,

não acho que seja uma visão APENAS confortável do ponto de vista masculino.

O diálogo é essencial. Do memso modo que conhecer o regime do meu emprego pode evitar problemas futuros com horários, pressões etc, conhecer a minha família (não falo do sentido físico do termo) pode evitar choque com os seus membros, Mãe incluída.

A vantagem que eu tenho em relação à relação que tenho com a minha sogra é que a conheço bem. Isso foi um processo. A boa relação da minha mulher com a sogra dela deriva delas terem investido no conhecimento mútuo e na superação dos eventuais entraves decorrentes das diferenças culturais, linguísticas, geracionais etc e, se calhar, assumirem como é importante para mim que duas das mulheres mais importantes da minha vida se dêm bem.

X!mb!t@nE disse...

Continuo a manter o meu ponto ed vista, Mutisse! O machismo não povoa só a mente dos homens mas de mulheres que têm homens como filhos e vêm neles o garante de uma velhice tranquila

Anónimo disse...

Tirei este extracto da Net porque de facto é o que acontece: "A Sogra que teve um marido que não satisfez seus anseios internos, foi um ausente, um banana, um déspota, enfim, não correspondeu a tudo que ela esperava dele. À medida que o marido ia frustrando-a em suas expectativas, ela ia projetando seus desejos no filho, esperando (às vezes inconscientemente) que o filho um dia fosse para ela o que o companheiro não foi ou não pode ser. A sogra terá que perceber que não está perdendo seu filho para outra. O amor de filho é para sempre. Desinvestir esse filho de seus anseios frustrados e procurar uma forma de resolver suas insatisfações. Deixar os dois construírem sua vida sem interferência externa. Só se manifestar e dar palpite quando for chamada para tanto. É fundamental o respeito pela vida dos dois. Críticas destrutivas não ajudam em nada."
A pior sogra é aquela que não ama ou não teve amor suficiete do seu marido e quer compensar com o do filho. É importante que elas entendam que se os seus filhos cresceram com mãe e pai também os seus netoos devem crescer do mesmo modo. Os filhos devem ser os primeiros a pôr freios nos comportamentos da mãe. Ela teve toda infância e juventude pra cuidar do filho, agora ele casou e do mesmo modo que o genro cuida da filha e ela não interfere deixe a nora cuidar do filho e dos filhos de ambos sem interferência.

Mas de facto o problema financeiro também entra, os pais africanos ao invês de deixarem herança pros filhos querem receber destes. HÁ que mudar esta mentalidade, nós temos que construir pros nossos filhos e não esperar que eles trabalhem e no lugar de fazer a sua vida, educar seus filhos, parem e se dediquem a nós porque a ser assim não teriamos gerações futuras.

Felicia