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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Marinheira à deriva (1)


Aleitamento materno


Ser mãe, e também pai, é uma tarefa para qual nunca fomos ou estamos completamente preparados, ainda que esse seja o desejo maior de grande parte das pessoas. É verdade que, em muito conta a experiência que tivemos como filhos dos nossos pais ou como pais, de outras viagens, mas, ser mãe ou pai é uma experiência única e um aprendizado contínuo ao longo de toda vida.


Desde o momento que tomamos consciência de que carregamos no ventre um ser humano, a vida de uma mulher muda: em umas positivamente e em outras negativamente. Um filho pode, de um momento para o outro, se tornar a razão de viver de uma mulher ou a razão da desgraça de outra mulher. E não se está aqui a falar nas célebres “chatices ou pieguices” duma gravidez, mas numa outra dimensão de inquietudes a abordar futuramente.


Para as que prosseguem nessa empreitada, depois da chatice, do desconforto e do cansaço, provocado pelos nove meses “de barriga”, da dor do parto e do pós-parto, nada é mais reconfortante do que ter, em seus braços, o pequeno ser que ao longo da gestação chutou e stressou a récem-mamã. O mais importante mesmo é que o récem-nascido seja perfeito e goze de boa saúde.


No estabelecimento onde se dá a luz, desde cedo se incentiva ao aleitamento materno. O colostro ou “leite sujo”, como muitas pessoas teimam em referir, é o primeiro protector do petiz. Aliás, é recomendável, pelas entidades de saúde, nacionais e internacionais, alimentar os bébés só com leite do peito até aos 6 meses de idade.


Apesar de muitas se refugiarem na desculpa de que têm “pouco leite ou o leite é fraco”, pois a sua aparência não se equipara ao leite em pacote ou diluído, água e outros líquidos são relevantes para a alimentação do pequeno, nesse período. Alimentar de seu proprio seio é um gesto de amor!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Saude materna e infantil (3)



Amigos hoje vou falar- vos de uma doença muito perigosa que, infelizmente, tem vindo a causar muitas mortes principalmente em crianças, mas em contrapartida ouve-se, ou pelos menos eu oiço, falar muito pouco. A falta de informação e divulgação e consequentemente pouco conhecimento que as pessoas tem sobre esta doença faz com que as taxas de mortalidade por causa da meningite tendam a aumentar, em algumas regiões do nosso Pais.

Meningite

A meningite é uma inflamação das meninges causada por bactérias, virus, fungos, parasitas protozoarios, traumatismos craneanos ou drogas. Meninges são membranas que revestem o cérebro e a espinhal medula. Quando um micro organismo (bactérias, vírus ou fungo), consegue derrubar as defesas do organismo e alojar-se nas meninges, elas inflamam-se dando origem a meningite.

A meningite é mais comum em crianças com idades entre 1 mês e 2 anos Ela é muito menos comum em adultos, a menos que esses apresentem um factor de risco especial.Nestes casos, os adultos podem se tornar gravemente enfermos em 24 horas enquanto que nas crianças a ocorrencia da doença é ainda mais rapida.

Em geral, pequenas epidemias de meningite meningocócica podem ocorrer em ambientes como campos de treinamento militar, dormitórios escolares, creches ou em outros locais em que os indivíduos estão em contacto próximo.
Os sintomas iniciais mais frequentes da meningite são a febre, a dor de cabeça, a rigidez do pescoço, a dor de garganta e vômitos. Normalmente ela ocorre após uma doença respiratória.
A rigidez do pescoço (rigidez nucal) não significa simplesmente dor à flexão do pescoço. De facto, é extremamente doloroso ou impossível levar o queixo até o peito.

Decorrente disso, as crianças maiores de 2 anos bem como os adultos podem tornar-se irritadiços, confusos e cada vez mais sonolentos. O quadro pode evoluir para o estupor ( estado que parece coma) e, finalmente, a morte. A infecção, causa edema do tecido cerebral e impede o fluxo sangüíneo, produzindo sintomas de um acidente vascular cerebral que incluem a paralisia. Alguns indivíduos apresentam convulsões.

Em crianças com menos de 2 anos, a meningite geralmente causa febre, problemas alimentares, vômito, irritabilidade, convulsões e um choro agudo. A pele sobre a fontanela (a zona macia entre os ossos do crânio) torna-se tensa e ela pode protruir, (sair ou fazer saliência). O fluxo de líquido ao redor do cérebro pode ser bloqueado, fazendo com que o crânio aumente (hidrocefalia).
Ao contrário de outras crianças ou adultos, os lactentes com menos de um ano de idade, não costumam apresentar rigidez nucal.

Como tenho estado a dizer a doença é mais comum em crianças por essa razão o nosso país não é excepção e sendo que são inclusivamente reportados casos de mortes. Veja aqui os dados disponiveis no portal do MISAU, entretanto um estudo feito pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça, concluiu que no Hospital Distrital de Manhiça, a mortalidade e morbilidade causadas por meningite em crianças até aos 15 anos de idade entre os anos de 1998 e 2003, são muito elevadas e destacam a necessidade de prevenção.

As formas de prevenir a doença são a melhoria das condições de vida e nutricionais, Aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de vida,evitar aglomerções em lugares fechados, não partilhar colheres, garfos, palhinhas copos ou outros objectos que contenham saliva de outras pessoas, assegurar que as crianças não coloquem na boca objectos que estiveram na boca de outras, cuidados de isolamento do paciente nas primeiras 24 horas de tratamento.

É aconselhável que todas as crianças tomem a vacina contra meningite, pois este é o meio mais eficaz de preveni-la.Infelizmente, ela não consta do programa alargado de vacinação, portanto não faz parte das vacinas subsidiadas pelo Estado. Mais triste ainda é que é possível encontrá-la em certas clínicas ao preço proibitivo de 1.900,00 (mil e novecentos meticais), por dose. A recomendação é de 3 doses.


Fontes: aqui, aqui e aqui

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Depois do parto (3)


...A depressão


“(...)Perante esta situação cheguei a pensar que ele havia perdido interesse por mim. E a falta de preocupação pelo sexo por parte dele, deixava-me cada vez mais preocupada. Comecei a pensar que ele já vinha “satisfeito” das suas andanças. Passei a ter ciumes da minha filha, pelo carinho e mimos que ele dava e passei a sentir-me como mãe da filha e não esposa(...)”Nini.


A Depressão Pós- Parto (DPP) embora seja um fenómeno que pode ocorrer tanto nos homens como nas mulheres, é sobre elas (as mulheres) que recaiem as minhas atenções como veremos ao longo do texto.Uma das razões da escolha é que este ‘fenómeno’ está cada vez mais visível nos dias que correm, mas que me parece pouco falado entre nós. Sendo assim, sem querer entrar em discussões académicas, me proponho discutir de forma aberta convosco.Não terminarei este post sem dar uma incursão ao lado masculino.”Mas por agora vamos começar do começo”


O que sentimos quando não conseguimos interpretar o choro do bebé sendo invadidas pela sensação de incapacidade a ponto de desatarmos a chorar junto com ele? O que sentimos a primeira vez que nos olhamos ao espelho depois de voltar da maternidade?O que sentimos quando experimentamos aquela jeans que guardamos na mala aos 4 meses de gravidez e ela simplesmente não atravessa o joelho?E o medo por ter uma vida nova nas “nossas mãos”?O medo de não voltarmos a ser como eramos antes? Será que temos que ser como eramos antes?E a impressão de que algo de mal vai acontecer?A dificuldade em habituar-se a nova rotina?E.....? Tudo isto e muito mais pode transformar os primeiros meses de chegada do bebé num ‘’pesadelo’’, para algumas de nós.


Que o nascimento de um bebé traz alegria para a família, em geral e para o casal em particular, não restam dúvidas porém, em alguns casos pode trazer consigo uma angustia profunda na mãe e não só. Sintomas como desespero, ansiedade, mudanças bruscas de humor, indisposição, falta de vontade de cuidar do bebé e de sair a rua entre outros, são comuns logo após o parto .


Sob ponto de vista emocional este comportamento é normal pois, a passagem de filha -namorada - esposa para mãe, as transformacões ocorridas no corpo, as mudanças na forma de encarar e viver a sexualidade e o ser mãe, entre outros são mudanças que ocorrem e requerem um reordenamento psiquico na mulher.Geralmente a DPP começa duas semanas após o parto e não existe um período certo para sua duração variando de acordo com a forma como ela é encarada.


Existem factores de risco que estão corelacionados com a DPP, entre eles temos: sensação de ter sido passada para trás pelo marido/companheiro e por outras pessoas próximas, uma vez que todas as atenções estão voltadas para o bebé, as transformações ocorridas no corpo que baixam a auto estima, e ela (a DPP) é propensa às mães solteiras, as que tiveram sintomas depressivos durante ou antes da gestação, as que apresentam um histórico de transtornos afectivos, as submetidas a cesariana, as que perderam pessoas importantes durante a gravidez, aquelas cujo bebé nasce com anomalias, mães pela primeira vez, as que dão a luz sem que o esposo/companheiro esteja por perto, as que passaram por dificuldades para conseguir conceber, as que vivem em desarmonia conjugal, aquelas que o filho foi gerado por estupro/violação sexual, entre outros.


Se a mulher receber apoio de familiares e principalmente a compreensão do companheiro a DPP pode ser “leve”, entretanto, casos há em que ela se agrava carecendo de acompanhamento médico, pois acaba afectando a funcionalidade da mãe, pondo em perigo o seu bem estar para além de afectar a saúde mental do bebé.


A mentalidade de que o ser mãe é um momento de júbilo e que mulher deve estar felicíssima com a chegada do bebé, e por via disso qualquer afecto negativo de mãe para filho é impensável, e condenável, faz com que pessoas mais próximas não compreendam que se trata de DPP e concluam que a mãe se sente incapaz de cuidar do bebé, não dá valor a maternidade, é ingrata e até mesmo está com “manias”.Esta falta de compreensão reduz a atenção e dificulta a obtenção da ajuda que elas precisam receber.

Julgo que os serviços de saúde deveriam incluir nas consultas pré natal, ou nas palestras (falecidas), sessões de psicologia de gravidez-não sei se existe essa especialidade entre nós- aí as futuras mães teriam oportunidade de obter esclerecimento essencial e provavelmente ajudariam- nas a manter a auto estima em cima.Há alguns ginecologistas/obstetras que dão uma certa orientação as suas pacientes, porém ela (a atenção/orientacao) tem incidido maioritariamente em questões relacionadas ao parto, sendo que o pós- parto é pouco abordado.

Como disse anteriormente
a DPP também afecta aos homens, as causas são várias de entre elas o facto da companheira estar deprimida, a sensação de que a chegada do bebé abana a sua “boa vida”(comida na mesa, agua quente na casa de banho etc), a preocupação com o sustento da familia, o facto sexo do bebé não ser o esperado entre outros fazem com que os papás se sintam deprimidos.


Bom,vai mais um apelo as pessoas próximas da mãe de fresco, para que prestem atenção ao humor depressivo que geralmente se apresenta no pós-parto, e que sejam compreensivos, evitem cobrar atitudes e dêm todo o apoio que a mamã precisa neste momento único.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Saude materna e infantil (2)




Semana Nacional de Saúde da Criança

Tem inicio hoje até ao dia 10 de Outubro a campanha de vacinação contra o sarampo e suplementação da vitamina A, para crianças com idade entre 0 e 5 anos.


O bem mais precioso que possuimos é a saúde, a prevenção de doenças é importante para obtenção de uma saúde perfeita. Assim, para que seu filho goze de uma perfeita saúde e a mantenha quando atingir a idade adulta é imprescindível acompanhar e cumprir rigorosamente não só o calendário de vacinação, como também as campanhas que são promovidas pelos serviços de saúde .


As vacinas são produzidas a patir de vírus ou bactérias para estimular o sistema imunológico das crianças a produzir anticorpos contra as doenças. Uma vez vacinada, caso a criança seja afectada por esses virus ou bactérias o seu sistema imunológico irá reconhecê-los e eliminá-los.

Por isso pai, mãe, avó, encarregado de educação leve a sua criança menor de 5 anos ao posto de vacinação mais próximo.



E lembre-se “criança saudável criança feliz”

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Saude materna e infantil (1)

O entusiasmo é grande quando se está a pensar em ter um filho. Mas para que a gravidez decorra sem problemas e o que o bebé nasça saudável, é muito importante que a mãe esteja bem de saúde. Em qualquer caso, é indispensável conhecer e controlar os riscos, antes e durante a gravidez, assim como consultar regularmente o médico.

Em Moçambique, o acesso aos cuidados básicos de saúde durante a gravidez é muito restrito principalmente nas zonas rurais, facto que origina altas taxas de mortalidade da mulher e da criança.

Dados divulgados pelo Departamento de Saúde Materno e Infantil dão conta que em cada 100 recém nascidos pelo menos cinco morrem no primeiro mês, as principais causas de morbi-mortalidade neste grupo são: prematuridade, baixo peso ao nascer, asfixia, sepsis, pneumonia, HIV/Sida, malária, diarreia, sífilis, meningite e outras infecções congénitas. A mortalidade neonatal representa 40 % da mortalidade em menores de 5 anos no país.

No que diz respeito as mães, em cada 100 000 nascimentos vivos morrem 408 mulheres. Isto significa que 11 mulheres morrem todos os dias devido a complicações na gravidez e parto. São causas directas destas mortes as hemorragias, rotura uterina e convulsões, enquanto que as indirectas são a SIDA, a malária entre outras.

Muitos enfermeiros e médicos moçambicanos se debatem com a falta de condições adequadas no meio hospitalar para realizarem o seu trabalho, em particular nas áreas recônditas do país. Também há dificuldades em termos de habitação, transporte, falta de comunicações, incentivos salariais e oportunidades de melhor formação e profissionalização.

O Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) graduou recentemente, os primeiros 116 licenciados nas áreas de enfermaria geral, saúde materno infantil e cirurgia. Deste número, 26 graduaram-se em saúde materno infantil, e serão todos afectados nas zonas rurais, com o objectivo de melhorar a qualidade dos serviços de saúde sexual e reprodutiva e saúde neonatal e infantil, bem como a redução do rácio enfermeiro/paciente que é de 1 para 100.