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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um erro, duas medidas


O adultério, defendido por um passado em que predominavam relações polígamas em todos viviam em perfeita harmonia, muito recentemente ganhou um outro rótulo: a Casa 2. Contudo, neste novo figurino, de pulada de cerca, a cohabitação entre as vertentes desse triângulo nem sempre é consensual como fora outrora.


Se para os homens é uma mais-valia, são novos ares, novos sabores, novo alento em contrapartida para as esposas essa atitude representa um knock out na sua auto-estima e estabilidade psicológica, física e social. Geralmente, diante da constatação de que existe uma Casa 2, a mulher é literalmente forçada a conviver com essa situação.


A família, no sentido mais alargado, geralmente chamada para colaborar na resolução desse imbróglio, problema exclusivo da mulher pois ao homem só traz beneficios nas carências que a mulher não consegue suprir, é a primeira a solicitar que esta perdoe o erro do seu homem “pois ele é homem”.


Em casos mais extremos, tanto a familia, como o próprio “saltador” colocam a mulher na berlinda ao imporem que diante dos factos ela aceite conviver pacificamente com o novo cenário de vida à 3. Contudo, se por alguma razão o “pulador” é a mulher outro tratamento não há do que um Ra, Re, Ri, Ro, Rua! Traição femenina não tem perdão?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Marinheira à deriva (1)


Aleitamento materno


Ser mãe, e também pai, é uma tarefa para qual nunca fomos ou estamos completamente preparados, ainda que esse seja o desejo maior de grande parte das pessoas. É verdade que, em muito conta a experiência que tivemos como filhos dos nossos pais ou como pais, de outras viagens, mas, ser mãe ou pai é uma experiência única e um aprendizado contínuo ao longo de toda vida.


Desde o momento que tomamos consciência de que carregamos no ventre um ser humano, a vida de uma mulher muda: em umas positivamente e em outras negativamente. Um filho pode, de um momento para o outro, se tornar a razão de viver de uma mulher ou a razão da desgraça de outra mulher. E não se está aqui a falar nas célebres “chatices ou pieguices” duma gravidez, mas numa outra dimensão de inquietudes a abordar futuramente.


Para as que prosseguem nessa empreitada, depois da chatice, do desconforto e do cansaço, provocado pelos nove meses “de barriga”, da dor do parto e do pós-parto, nada é mais reconfortante do que ter, em seus braços, o pequeno ser que ao longo da gestação chutou e stressou a récem-mamã. O mais importante mesmo é que o récem-nascido seja perfeito e goze de boa saúde.


No estabelecimento onde se dá a luz, desde cedo se incentiva ao aleitamento materno. O colostro ou “leite sujo”, como muitas pessoas teimam em referir, é o primeiro protector do petiz. Aliás, é recomendável, pelas entidades de saúde, nacionais e internacionais, alimentar os bébés só com leite do peito até aos 6 meses de idade.


Apesar de muitas se refugiarem na desculpa de que têm “pouco leite ou o leite é fraco”, pois a sua aparência não se equipara ao leite em pacote ou diluído, água e outros líquidos são relevantes para a alimentação do pequeno, nesse período. Alimentar de seu proprio seio é um gesto de amor!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Finanças domésticas



Nos dias de hoje, para alguns, é mais difícil falar de dinheiro no casamento do que de outro assunto qualquer. Os casais embora dividam o mesmo tecto preferem manter as contas bancárias separadas e cada um faz seus gastos pessoais sem dar satisfação ao outro.

A partir das conversas com amigos e não só percebo que existem muito poucos casais que tem uma conta conjunta onde caem todos os rendimentos de ambos, o mais comum é que cada um ter a sua conta e os dois tirarem parte desses rendimentos para custear as despesas domesticas.

Nestes casos a questão financeira é um grande tabu entre os casais, muitos não sabem quanto o outro ganha, e, quando a mulher ganha mais do o vizinho da cama as contas dentro de casa tem que ser discutidas com muita cautela pois, o homem tem muita dificuldade em lidar com a situação, o que faz com que cada vez que ela fale em dinheiro ele se sinta humilhado, reduzido, invadido o seu aspecto natural de macho dai as brigas que podem até levar a separação.

Existem casos de mulheres que fazem questão de lembrar sempre ao marido que quem ‘banca’ lá são elas, chegando até a tomar a liberdade de escolher sozinha tudo que implica dinheiro por exemplo a cor dos sofás da sala só porque é ela quem os vai pagar. Por outro lado, há mulheres que sabem entender a situação financeira do marido e nem se quer nota se que ela ganha mais do que o ele, cedem-no o seu próprio carro, fazem maior parte das despesas em mas nem por isso ele deixa de ser os homem da casa.

Quando o homem ganha mais que a mulher é mais fácil administrar a situação, é normal, aceitável, assim é que deve ser, haverá ordem e respeito em casa! Os homens apreciam mulheres independentes, mas isso é só durante o namoro, quando dividem o mesmo tecto a coisa muda de figura, eles adoram uma
senhora dona tapete do seu lado, chegam mesmo a pôr em causa a vida profissional da mulher, reclamam que ela não cuida da casa, dos filhos enfim.

Mas afinal qual seria o modelo financeiro ideal para os casais? Existe algum? Jogo aberto onde cada um declara todos os seus rendimentos e discute se em conjunto o que fazer? O semi aberto onde só sai o necessário para viver e o que sobra fica no segredo dos deuses?

Alguns dirao que o meu texto está cheio de “matendências” pode ser, mas afinal o que é a vida senão um conjunto de “matendências” das nossas conveniências?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Perguntas!


“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Mateus 7:7)


Talvez é imbuído por este espírito que as crianças a partir duma determinada altura no seu almejado desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e emocional que multiplicam as perguntas inocentes (?) e incómodas (?) nalgumas ocasiões.

Mas porquê incómodas? há algum mal em as crianças querem perceber melhor o mundo e a realidade que as rodeia? Incómodas são as perguntas das crianças ou as nossas mentes ‘’adultas’’, apressadas e viciadas acabam vendo incómodo em ‘’simples’’ necessidade de alimentar o ego das crianças?

Quero acreditar que a situação no mínimo varia de caso para caso mas em geral com a maioria dos adultos com quem já troquei ideias há enormes dificuldades em dar resposta a algumas perguntas que a partir duma certa idade não nos escapam.

Dependendo do grau de informação e ou amizades que a criança tem a denominada “fase dos porquês” em que elas desenvolvem a curiosidade, e fazem muitas perguntas pode vir mais cedo ou mais tarde, mas sempre vem e com ela os embaraços também.

Muitas vezes nós os adultos em geral irritamo-nos com as perguntas, não sabemos como (re) agir se respondemos com todas as letras dizendo a ‘’verdade’’, que verdade é essa, não sabemos se ignoramos, mentimos ou omitimos, a fuga apressada apaga as lamparinas do juízo que nos faça perceber que é um comportamento perfeitamente normal, aliás como revela um estudo recente, que a curiosidade pode ser um sinal de inteligência superior.

Outro problema que pode preocupar os adultos próximos a uma criança curiosa é facto de não sabermos a partir de que idade devemos começar a falar de certos assuntos com as crianças, ou seja, se devemos ou não responder com todas as letras o que a criança perguntou.

Eu já me encontrei várias vezes em situações de saia justissima, a última foi quando o meu filho (5 anos) pediu para entrar na casa de banho comigo porque também queria fazer xixi, o primeiro foi ele a fê-lo de pé, em seguida fui eu tive obviamente que me sentar e a pergunta não tardou “mãe tú fazes xixi do rabo? fiquei sem saber o que dizer...

Existem muitas outras situações que acredito que os amigos já passaram por elas, a questão que se coloca é como agir em situações destas? Principalmente tratando-se duma criança, devemos dizer as coisas tal e qual elas são? Como? E se não o dissermos estaremos a agir adequadamente? O que é adequado nestas circunstâncias? Se é verdade que perguntar não é mau porque é que nos incomoda a curiosidade ou ausência dela nas crianças? O problema são as perguntas das crianças ou o susto dos adultos?


No meio de tantas incertezas que tentei partilhar ao longo deste post uma coisa é certa todos nós um dia já perguntamos, estamos ou estaremos sujeitos a responder certas perguntas que acredito na sua maioria feitas na melhor das intenções mas que a resposta é uma verdadeira pedra no sapato...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Dia de mulher



O dia mal começa e a mulher já está em pé! Atarefada entre a sua higiene pessoal e a da familia, no preparo das roupas, do pequeno-almoço, do lanche escolar, a sua mente já está a 1000 por hora. Há ainda que deixar instruções para o almoço, para a compra de certo item, para o pagamento de alguma conta, para chamar atenção na lavagem de determinada peça de roupa, para relembrar algum pendente, haja cabeça!

Apesar de ter sido a primeira a levantar-se e derepente estar às corridas “afinal, qual é? Tens motorista pessoal?”. Entre choros do miúdo, que não quer ficar na creche, o beijinho esquecido, do mano que viu os colegas à porta da escola, e o beijo de anjo, do apressado maridão, lá vai ela com o seu mais radiante sorriso ao posto de trabalho. Na entrada, esquece todas as preocupações e encarna a profissional que existe nela.

Assim vai a semana, ao ritmo da mesma rotina, com algumas e pequenas variações de cenário. O sábado começa com idas ao cemitério e com passagem obrigatória na casa desafortunada para dar uma mão no serviço de chá. Ainda nessa manhã, há que fazer uma corrida ao armazém, supermercado, mercado, talho, mercado do peixe e bottle store, tudo com o intuito de reabastecer a dispensa, o frigorifico e a garrafeira.

Outro sprint, é na corrida ao cabelereiro, no qual se fez marcação, frequentemente, por cima da hora. Derepente, com a cabeça cheia de rolos e dentro do secador, os pés na bacia para a pedicure e as mãos na tigela para a manicure, a primeira pausa do dia para um breve e merecido relaxamento, liga a empregada a pedir para sair cedo porque tem ensaios na igreja. Outro sprint!

Chegada a casa, para liberar a empregada, as crianças estão eufóricas com a hora de ir a festinha em casa de um amiguinho ou a piscina e a pobrezinha mal teve tempo para comer algo! Se pretende, no espaço de tempo em que os meninos estão na festinha se distrair com algo, a pretensão cai em saco roto: há que ajudar a mãe do aniversariente ou então estar presente e atenta aos possiveis perigos que os seus filhos correm e assim acaba o dia.

No regresso, banhos, jantar e pijamas para os miúdos e... finalmente um momento a sós! Pouco depois, há o jantar com o marido, a novela e o filme da televisão, já que o próprio vai a night sabe-se lá com quem mais para além da habitual team de amigos! Na mente, paira já a perspectiva do que será o dia seguinte: ida à missa, preparo do pequeno-almoço, do almoço, visita a algum familiar, banho, jantar e pijamas.

E os hobbies? Será que a nova mulher (a forma-se e, a par das lides domesticas, exerce actividade remunerável) já não tem hobbies? Bordar, fazer crochet, ler, escrever, ir as aulas de tango, cuidar do jardim ou das plantas já não fazem parte do lazer da mulher? Quando é que a mulher lê, tricota ou simplemente senta-se em algum lugar para pôr a conversa em dia com suas amigas? Quais são os hobbies da nova mulher?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mãe solteira (1)


Ao longo dos tempos as percepções e as imagens construídas de mãe solteira, as atribuições e responsabilidades que recaem sobre esta vem mudando de forma assinalável.

Houve tempos em que ser mãe solteira era motivo de repúdio na sociedade, essa mulher era discriminada e considerada de má vida. Com o passar do tempo, as caricaturas verbais decorrentes dessa então triste sorte tiveram uma viragem espectacular de tal modo que, ser mãe solteira hoje já não envergonha tanto assim, talvez devido ao número cada vez crescente desta “nova categoria social” o que faz com que as pessoas comecem a aceitá-las mais abertamente e com menos preconceito.

O que se assiste ultimamente é que a partir duma certa idade por vontade própria ou pela pressão social as mulheres cultivam a necessidade de serem mães.

Regra geral, para que isso aconteça, tem que haver a contraparte masculina e se espera que mais do que um mero fecundador, seja um homem que em conjunto com a mulher criarão e educarão o ser por vir. Esta é a situação ideal, porém nem sempre as coisas acontecem de forma linear, muito pelo contrário é cada vez mais frequente encontrar mulheres que enfrentam a maternidade, com todas as suas vicissitudes, e alegrias sem um homem do lado, não posso deixar de referir que há por outro lado o aumento da chamada produção independente que também contribui para a multiplicação das mães solteiras.

Como consequência desta nova forma de encarar a realidade curiosamente, surge um novo fenómeno: A vergonha por não se ser mãe.

Nota se aqui uma inversão na percepção dos factos. Se antes era vergonhoso ser mãe solteira hoje a situação é contraria: a partir de certa idade parece que o vergonhoso é não ser mãe! Não importa se casada, solteira ou comprometida. Ou seja começa a valer a pena ser mãe solteira do que ser solteira sem filhos!

Ainda que desconheça as razões para este fenómeno, posso arriscar e dizer que a pressão social, o medo por ser mais difícil conceber a partir duma certa idade, o falatório por parte das pessoas que as rodeiam a podem ser factores que influenciam.

Por outro lado, existe o medo (ou o risco) de não poder encontrar um parceiro que esteja disposto a dar-lhe um filho, dizem que os homens fogem de mulheres nessas condições, eles estranham o facto dela na idade em que se encontra não ter pelo menos um filho, dizem logo que essa mulher tem problemas, tem um mudliwa, não tem história: "se ela chegou até aquela idade sem filho é porque tem problemas".

Enfim, o que era vergonhoso em tempos, começa a deixar de sê-lo hoje e contrariamente, o que era motivo de orgulho, começa a ser vergonhoso, estamos ou não perante uma inversão de valores?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pais e filhos: O nome do bebé




Dialogo imaginário:

“Deus me livre! Passar problemas de defunto ao meu filho? O meu se vai chamar Sandro Miguel.”
-“Poxa, que idéia, vocês não se cansam de ser colonizados? O meu se vai chamar Sidney Cossa.”
- “ Eu cá não quero chatices, é Júnior e pronto!”


A escolha do nome do bebé parecendo que não, é muito delicada, pois este, mais do que uma simples denominação, uma simples ‘palavra’ que nos vai identificar é algo que mexe com os princípios existenciais das pessoas que o atribuem bem como as que estão em redor destas. Enfim, algo que a partida parecia assunto de pai e mãe cedo torna-se numa questão social/cultural diversa, por isso que a sua escolha deve (ria) ser feita com muito cuidado(?) tendo em conta alguns elementos tais como: A simplicidade, a pronúncia, o significado (?) a sonoridade, a beleza, a moda, a estéctica do conjunto, do nome completo e por ai além.

Como consequência desta multifactoriedade que norteia a escolha do nome algumas pessoas principalmente cá no sul têm dois: um de registo que é conhecido por todos o chamado “nome de portugues” e um “tradicional”, o “nome de landim”. Este último geralmente pertence a um antepassado, e é preciso que o mesmo dê o aval, para tal, dependendo do contexto familiar e cultural contacta-se "curandeiro" ou alguem com poderes que lhe permitam certificar se o nome foi aceite, caso não, experimenta-se outro até ter a certeza da aceitação.

Eu mesma tenho esse nome, o meu avô nunca me chamava pelo nome de português, apesar de me parecer não ser de dificil pronuncia, ele sempre preferiu o nome de landim que não vem ao caso revelar e o porquê dessa escolha isso é outra história.

No período anterior a independência, salvo o erro, havia uma tendência para nomes da ‘terra’, mas devido ao assimilacionismo parte destes eram rejeitados na hora de registo oficial, o que fez com que os pais adoptassem outros nomes, na sua maioria portugueses, porém, de uns tempos para cá, nota-se que os Pais tendem a retomar o uso dos nomes que antigamente eram vistos com uma certa estranhesa. Facto curioso é que nesses tempos, os nomes eram atribuidos em memoria a um antepassado, hoje nem sempre é assim, casos há em que a escolha é feita simplesmente porque eles gostam, está na moda, é bonito e enfim, julgo ser positivo, mesmo porque em termos de estectica de conjunto nomes como Nkululeko Mandlate são agradaveis.

Não posso deixar de dizer que tendência do uso nomes estrangeiros, principalmente brasileiros e ingleses deixa a desejar, pois muitas vezes há exageros, os pais não têm o cuidado (?) de olhar para os seus próprios nomes e apelidos e depois fazerem uma combinação de modo a sair um nome completo agradavel de se pronunciar e ouvir, sinceramente não consigo engolir nomes como Withney Jeremias Nhantumbo, Chiefton Vitorino Tembe, Denilson Salomao Macuacua e por aí fora.

Outros ainda, escolhem-nos tendo em conta circunstâncias da vida que antecedem o nascimento, nada contra, desde que o acontecimento a que se inspiraram para essa escolha seja alegre, por exemplo, Lirhandzu (porque a criança foi gerada com muito amor), Jubileu (que significa festa, alegria), Lua (porque relembra uma certa noite de luar) entre outros.O lado mau, dá se quando se inspiram em algo triste, desagradavel, esquecendo-se que que este nome irá identificar o seu filho para o resto da vida! Casos de Tristeza, Wanga (minha), Sofrimento, já agora deixa me lembrar uma historia que o
Amosse contou e jurou ser real, de um amigo seu que teve que esperar a maioridade para mudar o nome de Khombomuni Matchimbeni Magaia, para além da criança correr o risco ser alvo de gozo por outras, os pais acabam fazendo-na carregar para o resto da vida lembranças tristes de suas vidas.

Como disse anteriormente, escolher o nome do bebé não é tarefa fácil, e é importante ter em conta aceitação desse nome, primeiro pelos familiares e a sociedade, depois pelo próprio. Não existe pior coisa que ter um preconceito em relação ao seu próprio nome. Nalgumas vezes, o nome pode servir de iten principal em certas escolhas, aliás o Patricio Langa lembra aqui como no passado, certos nomes tiveram que sofrer um “upgrade” para poderem ter progressão escolar


Então papás e mamãs, vamos la ser razoáveis na hora de dar nomes aos nossos filhos, podemos até maquilhar os nossos, dando lhes um toque estrangeiro casos de Wahinah, uma versão de wa hina (nosso), Wassen, uma versão de wa seni (deste lado), Ndzyllah, uma versão de ndzila (significa caminho em chope), Lyduvah uma versão de liduva (signfica sol em makonde) e muito mais, portanto é possivel, estrangeirar os nossos nomes ‘afro’.


Para terminar apelar aos Pais que, não se afastando dos seus principios e valores, na hora de escolher o nome para o seu filho, tenham sempre em mente que tanto ele como as pessoas que rodeiam no seio familiar e na sociedade em geral devem sentir-se confortaveis com o nome escolhido de modo a que ela tenha um crescimento harmonioso e que seja feliz.


PS: Há pais que demoram a dar nome aos filhos, acho triste perguntar como se chama e receber como resposta "ainda não tem nome", não tarda começam os improvisos Papaito, Mãensinha, Avosinha, Maninha...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O Pai de Hoje



Existem, em principio, dois tipos de pais:os biológicos, aqueles de sangue e os sociais aqueles que educam cuidam e por ai fora.Estes dois tipos, podem ou nao coincidir na mesma pessoa, mas seja como for é sobre a relação entre pais e filhos- biológicos ou não- que vim falar-vos nesta longa postagem.


Nos dias de hoje nota-se que alguns pais tornam -se cada vez mais presentes na vida dos filhos. A fase do pai provedor que se preocupava apenas em colocar comida na mesa e criança/filhos é assunto das mães está significativamente a evaporar. Hoje, é comum ouvir um pai dizer que passou a tarde a brincar com o filho(a), levou o (a) a passear trocou/troca fraldas, dá banho, enfim, cuida com gosto e carinho do (a) filho (a) desde logo que veio ao mundo.

Mesmo não tendo dados oficiais acredito que a nivel dos tribunais já existem processos de pais que reinvindicam a guarda de seus filhos, não é para menos afinal os filhos por perto fazem sempre diferença!

A verdade é que o pai de hoje já não é o de ontem! Aquele pai que ao primeiro choro inocente do bebé ou bastasse sentir um cheirinho da fralda já chama(va) pela mãe está a ficar p`ra trás.

Quero acreditar que por um lado a pressão da ‘vida citadina’, a dita modernidade e a entrada da mulher no mercado de trabalho, derivada da necessidade de contribuir para o sustento do agregado familiar e, por outro, a necessidade que os jovens têm de se afeiçoarem e claro sentirem o amor de pai pra com os filhos que até então é (era) uma prerrogativa da mãe faz com que tenhamos cada vez mais pais orgulhosamente presentes.

Mas nem tudo é mar de rosa, como se diz, existem vários factores que a meu ver dificultam ao pai a ser ou tornarar-se cada vez mais presente, como pai de verdade: são alguns dos nossos hábitos sociais/culturais. Hoje, ainda é estranho um jovem dizer aos amigos "epah não posso ir txillar, hoje é meu dia de cuidar do bebé", ou então "espera- me um minuto bro, tenho que terminar de estender as fraldas...."


O outro factor que estrangula a ‘presença presente’ deste ‘pai moderno’, logo no pós-parto da sua mulher/companheira é a legislacao, que atribui ao pai apenas 1 (um) dia de licença de parto! Pode?? É verdade que o afecto se constrói desde a gravidez mas penso que os primeiros dias de vida do bebé são mais importantes na construção de uma relação mais afectuosa de pai para filho. O pai, só começa a realizar que já é pai de verdade depois do nascimento, portanto no dia em que mergulha o olhar, coloca as suas mãos naquele ser humano.

O mesmo já não acontece à mãe, posso arriscar e dizer que começamos a partir do dia em que recebemos o resultado do teste de gravidez.Se uma mulher grávida de 6 meses não sentir durante 3 horas consecutivas o bebé a mexer no seu ventre entra em pânico, porque o filho parou de mexer, não é o feto é o filho, que nunca viu, não sabe se é escuro ou claro e muitas vezes nem se quer conhece o sexo! O mesmo não acontece aos pais, não os estou a culpar a natureza é assim mesmo.

Os primeiros dias de vida do bebé embora sejam de alegria, também são duros/pesados para os papás, aliás alguns são marinheiros de primeira viagem, voltam do trabalho cansados, por vezes têm que sair à rua ao meio da noite p`ra comprar aquele xarope ou aquela gota, voltam à casa e não conseguem dormir porque a criança não para de chorar a noite toda, mesmo assim tem que estar no serviço a tempo e horas com toda boa disposição, afinal a vida não parou, pelo contrário começou com nova velocidade, dinâmica, práticas enfim...

Por isso é que acho que a licença de paternidade deveria ser um pouco mais extensa, quanto tempo mais não sei, para permitir que haja mais afecto entre pai e filho. Espero que não me questionem como seria para os que têm muitas mulheres.

Apesar dos contrangimentos acima referidos, os sinais são positivos, aos poucos caminhamos p`ra o pai, o PAI, aquele que para além de ter feito o (a) filho(a), trabalha para o sustento do agregado familiar, e logo de manhã acorda -o(a), dá banho,veste, dá de comer, leva à escola, vai as reuniões, assiste ao jogo de futebol da escola, a prova de natação, a apresentação no grupo teatral, lava e estende (ainda que seja a máquina), não se esquece da hora do remédio, sabe que as descartáveis, o leite, os gerbes estão quase a acabar, sabe ligar p`ra babá vestir um gorro e camisolinha ao bebé porque a temperatura baixou, acorda ao meio da noite para trocar a fralda, preparar o leitinho e embalar, faz escala com a mamã para brincar com o bebé durante a noite e ainda consegue chegar a tempo, sorridente e bem disposto ao trabalho!


Sei que algumas vasikate devem estar a dizer esta yndongah não bate bem da head, e os vavana devem estar com lágrimas de tanto rir, mas amigos isto é possivel, e já acontece entre nós estou a falar a sério!!!

Para terminar dizer que estão de parabéns todos os pais que se preocupam um pouco mais pelos filhos, mesmo os que não podem dar tudo de si porque não partilham o mesmo tecto, que o façam sempre que estiverem com eles, dizer ainda que nós as mulheres nos orgulhamos por carregamos a criança durante nove meses, damos a luz etc, mas a verdade é que nada disso aconteceria sem vosmecês, homens, não há fecundação sem o vosso sémen! Bem hajam os pais de verdade.

PS: Sei que existe o dia do Pai, mas quase nada se fala dele infelizmente, p`ra falar a verdade nem se quer conheço a data, alguém sabe?

sábado, 18 de abril de 2009

“Caixa mágica”?



Porque para aquecer uma porção de comida, ao invés de a pormos numa panela e no fogo, preferimos pô-la num prato e num passe de mágica temos o prato quentinho? Quantas vezes não descongelamos uma embalagem de bife em 5min, porque chegou uma visita inesperada para o jantar? E como aquecemos uma chávena de leite sem ligar uma chaleira cuja quantidade mínima é 0.5L? Como tudo acontece num passe de mágica?

Figura no topo da lista de presentes de casamento, povoa o sonho de muita dona de casa, que se acha ou não moderna, e é imprescindivel no último grito de cozinha de sonhos, a funcional “cozinha americana”. É 1 em 10, é programável, tem múltiplas funções (descongela, cozinha, aquece, assa, etc.), rivaliza com categoria com a vovó panela a pressão, é rápido e económico, bastam uns clicks e ... é o forno a microondas.

A sua utilização em nossas casas e em casas de pasto, como toda e qualquer invenção da tecnologia, tens as suas vantagens e desvantagens e, naturalmente há quem os defenda e quem os abomine. E nós? Que postura te(re)mos face a esta “caixa mágica” que num passe de mágica se instalou em nossas casas? Como devemos usar o microondas? Que impacto pequenos e habituais gestos podem ter face ao uso do microondas?

As microondas são uma forma de energia electromagnética, como ondas de luz ou ondas de rádio e ocupam uma parte do espectro da força electromagnética. Microondas são ondas muito curtas da energia electromagnética que viajam a velocidade da luz (186,282 milhas/seg) e são usadas para ligar longas distâncias (sinais telefónicos, programas televisivos e informações computadorizadas em todo o mundo ou em satélites no espaço).

Na nossa percepção, as microondas, cujo aparelho chamamos microondas, é a fonte de energia para cozinhar alimentos. Mas, do jeito que somos “ligados” aos avanços tecnológicos e com a mania de seguir modas, estamos cientes do impacto que o uso do microondas tem nos alimentos que passam por esta máquina? Haverá riscos na saúde? E a simples exposição ao microondas? Terá alguma implicação em nossas vidas?

Micro daqui

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pais e filhos: A hora de dormir


No mundo de hoje, e em condições normais, a relação pais – filhos menores é algo alegre, divertido de se viver, contar, ouvir dizer por que é contagiante a paixão que cada um de nós experiementa desde o momento que ex bebé começa a dar os primeiros passos até a altura que já se pode contar com mais um (a) amiguinho (a) para uma conversinha animada. Mas nem tudo é “cor de rosa” nesta relação e hoje gostaria de trocar ideias convosco sobre a hora de dormir.

Um dos grandes problemas que alguns pais enfrentam de noite é quando chega a hora de mandar as crianças para a cama. Choros, pedidos para ficar um pouco mais, medo de ficar sozinho, de fantasmas- a lista poderia continuar- são comportamentos comuns principalmente na faixa etária dos 2 aos 6 anos.

Diz se que toda a criança entre 1 e 6 anos deve dormir entre 10 a 12 horas por dia, alias como todos sabem é a dormir que se cresce.Entretanto, nem sempre as crianças dormem durante o tempo recomendável, pois ficam até tarde a assistir TV, a brincar com os irmãosinhos ou presos aos videogame, entre outros.
Os reflexos deste dormir tardio são visíveis quando chega a hora de levantar para ir a creche/escola e ela não aceita, quer dizer, os pais enfrentam problemas para mandá-las à cama e também para as acordar!E então o que fazer? como mudar esta situação? É possível mudar esta situação sem causar outro tipo de problemas/traumas a criança?como?

Reconheço que cada relação pais – filhos tem as suas especificidades, não podemos generalizar as coisas, mas sou da opinião que os pais devem impor limites, dentro dos limites, nos seus filhos, estabelecendo horários para brincadeiras principalmente as nocturnas. Tem se visto, por vezes, crianças depois das 19 horas na rua a brincar, isto não me parece correcto, aliás brincadeiras agitadas durante a noite podem perturbar o sono da criança.

Há algum tempo atrás discutimos aqui, qual a melhor altura para os pais colocarem os filhos a dormirem no seu próprio quarto.Penso que neste caso, ter a criança no seu quarto mais cedo é vantajoso, pois para além de diminuir a dependência do filho em relação aos pais, possibilita que eles (os pais) criem no quarto do filho todo um ritual que antecede a hora de dormir.

É importante também criar uma rotina, e que esta seja consistente, para evitar que se mande a criança para cama numa certa hora hoje e amanhã noutra. Pode se criar uma sequencia de acontecimentos, tais como o banho-lanche-uma brincadeira leve-pijama-jantar-escovar os dentes-historinha-xixi-cama. Substituir as bincadeiras mais activas por outras mais leves pode, também, ser uma saída .

Este ritual quando executado sistematicamente pode fazer com que a criança comece a prever que se aproxima a hora de dormir e que esta é uma forma feliz de terminar o dia.

Importa salientar que a hora de dormir se, por um lado, constitui um problema para as crianças não é menos verdade que para alguns pais também o é, pois, tendo uma agenda diária muito apertada, passando a maior parte do dia fora de casa e longe das crianças torna-se difícil ter tempo para criar e perpetuar a rotina, aliás muitas vezes eles só têm tempo para ficar com os filhos exactamente no momento em que eles devem dormir, sendo que chegam a sentir uma certa “culpa” em mandá-los para cama, tornando –se assim os primeiros a quebrar a rotina... a questão continua há saidas para este “quebra-cabeças”?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Saude materna e infantil (3)



Amigos hoje vou falar- vos de uma doença muito perigosa que, infelizmente, tem vindo a causar muitas mortes principalmente em crianças, mas em contrapartida ouve-se, ou pelos menos eu oiço, falar muito pouco. A falta de informação e divulgação e consequentemente pouco conhecimento que as pessoas tem sobre esta doença faz com que as taxas de mortalidade por causa da meningite tendam a aumentar, em algumas regiões do nosso Pais.

Meningite

A meningite é uma inflamação das meninges causada por bactérias, virus, fungos, parasitas protozoarios, traumatismos craneanos ou drogas. Meninges são membranas que revestem o cérebro e a espinhal medula. Quando um micro organismo (bactérias, vírus ou fungo), consegue derrubar as defesas do organismo e alojar-se nas meninges, elas inflamam-se dando origem a meningite.

A meningite é mais comum em crianças com idades entre 1 mês e 2 anos Ela é muito menos comum em adultos, a menos que esses apresentem um factor de risco especial.Nestes casos, os adultos podem se tornar gravemente enfermos em 24 horas enquanto que nas crianças a ocorrencia da doença é ainda mais rapida.

Em geral, pequenas epidemias de meningite meningocócica podem ocorrer em ambientes como campos de treinamento militar, dormitórios escolares, creches ou em outros locais em que os indivíduos estão em contacto próximo.
Os sintomas iniciais mais frequentes da meningite são a febre, a dor de cabeça, a rigidez do pescoço, a dor de garganta e vômitos. Normalmente ela ocorre após uma doença respiratória.
A rigidez do pescoço (rigidez nucal) não significa simplesmente dor à flexão do pescoço. De facto, é extremamente doloroso ou impossível levar o queixo até o peito.

Decorrente disso, as crianças maiores de 2 anos bem como os adultos podem tornar-se irritadiços, confusos e cada vez mais sonolentos. O quadro pode evoluir para o estupor ( estado que parece coma) e, finalmente, a morte. A infecção, causa edema do tecido cerebral e impede o fluxo sangüíneo, produzindo sintomas de um acidente vascular cerebral que incluem a paralisia. Alguns indivíduos apresentam convulsões.

Em crianças com menos de 2 anos, a meningite geralmente causa febre, problemas alimentares, vômito, irritabilidade, convulsões e um choro agudo. A pele sobre a fontanela (a zona macia entre os ossos do crânio) torna-se tensa e ela pode protruir, (sair ou fazer saliência). O fluxo de líquido ao redor do cérebro pode ser bloqueado, fazendo com que o crânio aumente (hidrocefalia).
Ao contrário de outras crianças ou adultos, os lactentes com menos de um ano de idade, não costumam apresentar rigidez nucal.

Como tenho estado a dizer a doença é mais comum em crianças por essa razão o nosso país não é excepção e sendo que são inclusivamente reportados casos de mortes. Veja aqui os dados disponiveis no portal do MISAU, entretanto um estudo feito pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça, concluiu que no Hospital Distrital de Manhiça, a mortalidade e morbilidade causadas por meningite em crianças até aos 15 anos de idade entre os anos de 1998 e 2003, são muito elevadas e destacam a necessidade de prevenção.

As formas de prevenir a doença são a melhoria das condições de vida e nutricionais, Aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de vida,evitar aglomerções em lugares fechados, não partilhar colheres, garfos, palhinhas copos ou outros objectos que contenham saliva de outras pessoas, assegurar que as crianças não coloquem na boca objectos que estiveram na boca de outras, cuidados de isolamento do paciente nas primeiras 24 horas de tratamento.

É aconselhável que todas as crianças tomem a vacina contra meningite, pois este é o meio mais eficaz de preveni-la.Infelizmente, ela não consta do programa alargado de vacinação, portanto não faz parte das vacinas subsidiadas pelo Estado. Mais triste ainda é que é possível encontrá-la em certas clínicas ao preço proibitivo de 1.900,00 (mil e novecentos meticais), por dose. A recomendação é de 3 doses.


Fontes: aqui, aqui e aqui

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Depois do parto (4)- FIM



Sexualidade(B)


Amigos, termino hoje a série sobre o pós parto.É verdade que não poderia, apenas em 4 posts, abordar tudo o que tem a ver com este período, dai que poderei isoladamente retomar o assunto.Termino abordando o mesmo tema com que iniciei, a sexualidade.

Na primeira postagem, discutimos factores que condicionam o sexo depois do parto, com maior incidência para a dificuldade que as mães têm em retomar a vida sexual, hoje iremos discutir a ausência de sexo derivada por motivos culturais ou tradicionais para alguns.

Ku Hissa

“Hiii não posso/ não podes tocar na criança porque estou/estás quente”! Ou o papá volta para casa todo animado para levar o bebé ao colo e logo é interpelado: "Estás em condições??" Quem nunca ouviu/viveu isso?

Depois do parto existe uma série de rituais/práticas culturais que os pais, os familiares próximos, e não só, devem seguir. Esses rituais variam de acordo com o contexto social.O ku hissa –estar quente- , não sei se a tradução mais feliz seria essa, é uma dentre as várias práticas culturias que marcam o período pós-parto. Este ritual, nalgumas regiões, consite em até a queda do umbigo do recém nascido só pode tocá-lo quem se tiver abstido de relações sexuais por pelo menos dois dias[1], caso contrário, se a criança for tocada por alguém “quente” terá problemas sérios de saúde e poderá morrer.

Mais ou menos podemos dizer que se trata de uma prática cultural que interdita o contacto com o bebé após um acto sexual.Evitar o ku hissa é um processo que pode significar, nalguns casos, proibição ou abstinência temporária da actividade sexual, pelos pais, familiares próximos e não só.Esta interdição ou abstinência visa afastar os "perigos", as impurezas culturalmente construidas, de grupo para grupo, advindas da actividade sexual, que se acredita afectariam a saúde do recém nascido quando não evitados.Portanto, esta fase representa um momento crucial e desafia os visados à uma busca constante da purificação, que no caso seria o não estar “quente ” de modo a poderem tocar no bebé.

Há no entanto, quem extenda o "dry season" por cerca de 3 meses, caso dos praticantes da seita religiosa zione, que só retomam a actividade sexual depois de uma cerimónia denomidada “nhimbissa nwana” (titrar a criança de casa)[2].Outros ainda, abstêm-se se sexo para evitar que a mulher engravide enquanto amamenta, pois para eles, o leite de peito será contaminado pelo sémen e por sua vez, poderá enfraquecer a criança podendo crescer com certas anomalias -ku djambela nwana.

Pois é, muitos de nós seguimos estes rituais simplesmente porque os nossos pais o faziam, estes por sua vez apenas repetiam o que os seus pais faziam assim sucessivamente, ou então porque o vizinho, amigo, tio disse, havendo até disparidades quer em relação ao signficado/significação da prática em si, quer em relação ao período certo em que os casais, e não só, devem esperar até retomarem a vida sexual, variando em função de como cada família “recebeu” a informação.O problema porém é que nunca questionamos, ou se o fazemos a resposta que recebemos é que faz parte da tradição -swa yila e pronto!

Será que um ritual se torna válido apenas porque faz parte da tradição? Qual é na verdade o valor/significação das praticas que seguimos ao longo tempos?Qual é a sua finalidade?Quem atesta o que é genuinamente tradicional e que por isso deve ser seguido?E o que acontece com a ‘tradição’ ao longo do tempo?Será que vê-mo la hoje como os nossos pais e os pais dos nossos pais a viam?Temos nós coragem suficiente de nos fazermos estas perguntas ou tudo já está culturalmente explicado por isso não é preciso perguntar mais nada?

Atenção, não estou a dizer que sou contra as práticas culturais ou ditas tradições que fazem parte da identidade social dos grupos, acho que elas são importantes e devem/podem ser seguidas, aliás se foram criadas foi porque houve algum motivo para tal, porém, julgo ser importante percebermos porque razão agimos como agimos.O facto de algumas das práticas culturais terem condicionado a visão do mundo numa certa perspectiva nos tempos idos, não quer dizer que assim seja nos dias de hoje, os contextos mudam, o conhecimento desenvolve-se, a cultura é dinâmica, obviamente que estas práticas culturais também o são, logo há que procurarmos perceber se o valor simbólico das mesmas bem como a sua essência continuam válidos nos tempos que correm ou não.

Voltando ao ku hissa alguma vez nos perguntamos como as parteiras, os médicos ou as babás cuja “ferramenta de trabalho” são recém nascidos fazem a “gestão” da sua vida sexual em função do ku hissa?Porque será que para este grupo de profissionais já não nos incomoda tanto assim o estar ou não “quente”?Porque será que para este grupo de profissionais não se aplica esta interdição?E o ku djambela nwana é (i)real?É verdade que para uma mãe que amamenta a probailidade de engravidar é reduzida, entretanto, caso engravide, ela pode continuar a amamentar.

Como se pode ver há uma necessidade de despirmos a característica dogmática da "tradição" , modernizando-a, e questionarmos se ela se enquadra no contexto actual pois, a meu ver em alguns casos ela, entra em conflito com a nossa forma de ser e estar, nos dias de hoje, e com os avanços trazidos por outras formas de conhecimento que também são tradionais mas ao mesmo tempo dinâmicas.

Bem, não posso deiaxar de dizer que o ku hissa, o ku djambela e os demais rituais têm o seu mérito pois, fazem com que se preste maior atenção ao recém nascido, evitam que os papás procurem se “satisfazer" lá fora, também evitam as gravidezes seguidas, principalmente nas zonas rurais onde quase que não se usam métodos contraceptivos ditos modernos propiciados via unidades sanitárias mas, por outro lado, transformam as relações sociais há vários níveis, e acabam "desordenando" a vida sexual do casal, principalmente pelo facto de existirem disparidades em relação ao prazo do período “seco”, isto pode fazer com que retorno a normalidade da vida sexual pelo casal leve muito mais tempo, com todas as consequências que possam daí advir....

[1] JUNOD, H. Usos e Costumes dos Bantu, Arquivo Histórico de Moçambique, 1996, Pag 66,
[2] LOFORTE, Ana Maria, Género e Poder Entre os Tsonga de Moçambique, Promédia, Colecçao Identidades, Pag 214.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Infidelidades




Meus quidos... sempre ouvi por aí que os homens são muitissimo mais infiéis que as mulheres. Estamos todos de acordo com esta famosa tese?

Li por ai na net, que isso se justifica nas ciências e que, segundo um estudo feito pelo Instituto Karolinska de Estocolmo na Suécia um dos culpados pela infidelidade dos homens é um gene, o Alelo 334, que administra a vasopressina, hormona que se reproduz naturalmente através, por exemplo, dos orgasmos. Desta forma, os homens que possuem esta variante do gene dificilmente conseguem manter uma relação estável.

Ups... (parei para respirar)... este estudo, para os infiéis pode-se tornar numa desculpa, ao nível cientifico, de que “Uma pulada de cerca” será culpa do tal Alelo 334 e não do próprio “infiel”!! A análise aconteceu durante pelo menos cinco anos com pares heterossexuais - mais de mil, dos quais 550 eram gémeos - que relataram em testes psicológicos se sentiam-se felizes, como era sua convivência, se riam ou beijavam frequentemente e sobre o futuro de sua relação.

Resumindoooooooooo.....a pesquisa tenta provar os motivos da promiscuidade masculina foi iniciada em ratos do campo machos (que são monogâmicos) e depois em alguns homens, inclusive os tais gémeos que evidenciaram comportamentos distintos face a presença do tal Alelo 334.

E ai, cuecas de plantão, vão-se agora aproveitar do vossos Alelos 334 como desculpa para aquela "escapadela"???
E nós meninas vamos aceitar desculpas tão...tão...inteligentes? Ou vamos ter de encomendar uma pesquisa para os nossos...alelos???

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Farmacia ambulante


O ano corre a passos largos para o seu fim e brevemente, muitos partirão em merecidas férias. Alguns, com alguma possibilidade e quiça sorte, poderão sair da lufa-lufa habitual, da cidade de Maputo, por exemplo, e se deslocar, dependendo das opções e possibilidades de cada um, quer para o campo ou para outra cidade.

Uma viagem, é sempre benvinda, mas, para além do preparo da mala, que deve ter em conta o clima e ambiente social para o qual vamos, da preocupação com as plantas, com o cachorro (para quem o tem e que com els não pode viajar), com a flat, etc., há que ter outros cuidados pois a velha máxima antes prevenir do que remediar, vale sempre.

Este ditado, faz recordar uma experiência de 10 anos atrás. Apesar de ter passado parte da infância no campo, nunca tinha tido o azar de ser “lambida” por uma lagarta peluda, que habita em arvóres, mabasso como chamamos, que à semelhança da vulgo garrafa-azul, na praia, ao passar pela pele provoca um acomichão infernal de fazer até chorar um homem de barba rija.

Na altura, a unidade sanitária mais próxima encontrava-se a 60 km, o que aumentava o meu desespero pessoal e dos que estavam próximo. Os experientes e sábios propunham mezinhas que não surtiam efeito para desespero de todos. A alergia, provocada pela passagem do bicho no pescoço, alastrava-se e a salvação veio de uma tia, doente crónica a quem chamamos, e com razão, farmácia ambulante, que facultou um antialérgico.

Durante a viagem e no local de destino, deve ter especial atenção com a qualidade e quantidade de água que consome e, claro, com a exposição ao sol (insoloração). Por força dos ambientes fechados nos nossos locais de trabalho, ainda que habituados ou lembrados dos longos períodos de exposição ao sol, brincando ou jogando, a nossa pele não tolera certos excessos.

Se viaja com crianças, especial e redobrada atenção deverá ter para além de que deve contar com imprevistos. Um antialérgico infantil, sais de hidratação oral (SRO) de preferência sem sabor, e se a criança tem crises frequentes, os habituais medicamentos que o ajudam nesses momentos devem constar da sua farmácia ambulante.

Desaconselha-se o uso de medicamentos, sem a devida prescrição médica, aliás recomenda-se que se procure sempre por orientação médica, mas há momentos em um paracetamol faz toda a diferença e, recomenda-se.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Depois do parto (2)


....O corpo

"Se u khoswiiiile awahaswitivi
leswi unga mu kumisa swone
A vele laaaakwe nalaha nyimile kwaaatsi
eh papai wa mina
kambi namuntla wa nhenhentsa!"(Alfredo Mulhui)


(Já te esqueceste, já não te recordas
como a conheceste
de seios firmes
oh meu pai
mas hoje ela já perdeu a graça)


Engane-se que pensa que começou com Lizah James (nuna wa mina anga koni, lepswi ninga kuluca anga ni djuli), já Alfredo Mulhui, cantor de renome no panorama de música ligeira moçambicana, cantava em suas baladas a postura dos homens em relação ao aspecto físico de suas companheiras, resultante das ‘naturais’ alterações ocorridas durante a gestação e nao só.

Durante a gravidez ocorrem alterações no corpo da mulher: A barriga cresce, o peito aumenta/cai, o corpo fica flácido enfim, sendo que depois do parto, recuperar a forma, nos dias de hoje, em alguns contextos e para certo tipo de mulher passou a ser uma prioridade.

Em média, durante a gravidez, a mulher aumenta entre 12 e 16 quilos e, no dia do parto, perde cerca de 6kg. Onde cerca 3kg são do bebé (atendendo que tenha um peso normal), cerca de 1.5kg são da placeta (membrana de envolve a água) e a própria água (líquido amniótico), finalmente cerca de 600g perdem–se com a hemorragia etc. E o resto? Como eliminar?

Não é toda mulher que consegue uma recuperação célere como a da Neyma... já vai na segunda cesariana e está com um corpitxo au point-bem, não sei a custa de quê, mas que está linda lá isso está!

O ideial seria que no primeiro ano após o nascimento do bebé, a mãe consiga voltar ao que era antes, porém nem sempre esse retorno ocorre, havendo até casos em que o peso aumenta, pois, o facto de estar a amamentar faz com que ela opte ou lhe seja recomendada uma dieta calórica de acordo com a sua realidade.

A pressão exercida pela sociedade, pelos maridos, amigos e colegas de trabalho nalguns casos ou por elas próprias entre outras, são as causas que fazem com que muitas mulheres clamem por uma recuperação rápida.


A recuperacao é importante nao só pela estética, como também por questões de saúde mesmo, penso que todos sabemos que o peso excessivo pode criar
outro tipo de complicacoes na saúde e não só.

Nao estou aqui a defender que existe um formato ideal/standard de corpo para toda a mulher, aliás, é importante salientar que para uma mãe, perder peso em pouco tempo tanto pode implicar a redução da qualidade do leite de peito, como a suspensão da amamentação, expondo assim os bebés a certos riscos.

Mais ainda, algo que muitas mulheres e homens não sabem, ou ignoram, é que a
amamentação não só é uma forma de alimentação vital para o bebé como nos primeiros seis meses após o parto, se a nutriz (mãe) estiver amamentando exclusivamente e não menstruar, a chance de engravidar é de apenas 0,5 a 2%, logo, é mais do que recomendável.

Portanto, deixo aqui o meu apelo aos homens, para que dêm um “toque” as companheiras sim, mas de forma carinhosa, evitem comentários redutores do tipo “hiiii tás muito gorda, enorme, não ficou um bebe ai???
Há quem diga que as mulheres tornam-se mais sexys depois de serem mães, eu concordo!

Ahh, não posso deixar de extender o apelo p’ras vasikates, principalmente as que costumam dizer “xiii amiga assim não dá faça qualquer coisa, vao te fugir lá em casa”.... O pós parto, nalguns casos, é um momento de muitas dúvidas na cabeça da mulher e, uma delas, é o medo de não poder voltar a ter a mesma aparência de antes.

Para o bem de toda família, é recomendável que depois do 1º. ano as mamãs começem a preocupar-se em resgatar os contornos de antes da gestação!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ser a "outra"



Eu sou a outra
Aquela que todos condenam
Que ao meu lado ele é feliz
Que tudo o que eu fiz, nunca falam
Se limitam a ofender-me
Lutam para me destruir
Meus sentimentos ignoram
Os meus olhos sempre choram
Na rua me chamam nomes
Trambiqueira, interesseira
Já dizem que eu não te amo
Que te engano com outros homens
Eu choro, eu choro
Minha mãe não me fala mais
Meus irmãos estou a perder
Eu choro, eu choro
Minha familia eu sacrifiquei
Por ti, meu grande, amor
(...)
Desculpem, sou eu
Eu sou a outra
Também mereço, ser feliz
Oh, meu Senhor, ai ai ai
Também mereço, ser feliz
Eu mereço ser feliz!

Eu sou a outra, by Matias Damásio


Ultimamente, na nossa sociedade, ter outra, pelo reconhecimento/aceitação das familias, logo das forças da vivas da sociedade, faz com que uma amante adquira um estatuto. Ser e ter amante perdeu muito do mítico peso que tinha como segredo. Hoje, interpretado como factor indicador de elevada masculinidade, ao contrário do que deveria ser, o homem adúltero é vangloriado.

No entanto, esta mais-valia, de ter amante, não é vista com a mesma dimensão se se tratar de uma mulher: nesse caso, logo, os bois são chamados pelos seus nomes próprios. Engraçado é que perante casos destes, mais do que nunca, a igualidade de direitos entre homens e mulheres é arrogantemente rejeitada pois “homem não pode carregar chifres, apenas montar um par deles”.

A cena clássica do homem casado prometendo para a amante que largará a esposa é a regra eterna desse jogo que raramente ou tardiamente acaba em separação ou divórcio, o que não impede que o caso extraconjugal continue. Apesar de não gostarem de ser a outra, muitas mulheres mantêm o relacionamento por vários motivos, como baixa auto-estima, interesse financeiro, esperança de que o amado se separe da esposa e, principalmente, pelo forte sentimento nutrido pelo parceiro.

Neste imbróglio, há que diferenciar as diferentes outras: a outra "vite fait" e a outra fixa. A outra "vite fait", traduzido rapidinha, serve apenas para satisfazer a libido masculina e aquelas fantasias que em casa são consideradas aberrações ou taras. Esta outra, muitas vezes, faz desse seu papel uma forma de lucrar algum e tem outro relacionamento para compensar o lado emocional.

A outra, a fixa designada, entre nós, Casa 2, é alguém que tendo começado como vite fait, acaba criando raízes sendo por isso merecedora de um relacionamento não só libidinoso como também afectivo. Muitas vezes, sendo que está é considerada segunda esposa, pelo homem, dessa relação surgem rebentos e o estatuto de Casa 2 cimenta-se com betão.

Muitas mulheres, embarcam nessa aventura com pleno conhecimento de causa, algumas até o fazem de propósito. Algumas justificam a sua participação neste tipo de relacionamento alegando que “há pouco ou quase nenhum macho à solta na praça”. Também há aquela velha máxima de que, em termos estatisticos, em Moçambique, “n” mulheres estão para um homem.

As esclarecidas ou que que já passaram por algum casamento, desempenham sem remorsos o papel de outra, pois nesse tipo de relacionamento dispensam a parte ruim do casamento, como cobranças e discussões. O factor “não compromisso”, não precisar dar satisfação e mesmo assim estar acompanhada do homem de quem gosta, são vantagens que elas teimam em acreditar plausiveis.

No entanto, há outras mulheres que desempenham esse papel, da outra, sem o saberem. Algumas vezes, por força da constante convivência com o amado, chegam a conhecer a família deste e levam muito tempo a descobrir a fria em que se meteram pois ninguém as alerta. No momento da descoberta, ficam decepcionadas e apenas dois rumos lhe restam seguir: continuar ou parar?

Muitas vezes, quando a decisão é a de continuar, há que tudo fazer para garantir que a caça se torne só sua sendo que “o golpe da barriga” tem sido e continua a ser a maior e melhor arma usada nesse momento. Se a munição não é suficiente, estas não se coibem sequer de se dar a conhecer à Casa 1. Tudo com o objectivo de mudar de estatuto de “a outra” para “a própria”!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Depois do parto (1)

Sexualidade (A)


Depois do parto tudo muda na vida familiar, especialmente na da mulher: por um lado há a amamentação, os cuidados com o bebé, as noites sem dormir,acompanhadas muitas dúvidas que diminuem a vontade de retomar a actividade sexual devido, por exemplo, o medo da dor. Além disso, quando a mulher amamenta, ela aumenta a produção de um hormonio chamado prolactina, que é responsável pela produção de leite materno, e que por sua vez faz cair a produção de testosterona na mulher, este último responsável pelo desejo sexual.

Por sua parte, o marido ou companheiro, com o tempo, fica ansioso por uma noite de sexo enquanto que a sua cara metade está totalmente sintonizada no bebé, e por isso nem lhe passa cartão, chegando ao extremo de o achar insensível e logo surge a indagação, por vezes silenciosa e outras aos gritos: “Não pensas em mais nada?”

Nestes casos, o marido é quem deve equilibrar a situação, evitando que a mulher fique obcecada pelo seu papel de mãe, esquecendo-se dos deveres matrimoniais. A “pressão” do marido, quando exercida de forma carinhosa, é benéfica, pois ajuda a resgatar na esposa a mulher-esposa sem excluir a mulher-mãe, afinal o mundo não é apenas o bebé. Mas, atenção, o sexo não é só uma questão física mas também psicológica, e nesse sentido a mulher pode demorar mais a "estar pronta".

Mas a grande questao é "Quanto tempo de resguardo deve haver para a retomada da vida sexual após o parto?" Antigamente, quando voltassem da maternidade, as nossas avós dormiam na esteira, ao lado da cama da nova mama, durante os primeiros 3 meses de vida do bebé, dizendo que era para não o machucar mas, na verdade essa era uma medida preventiva, para evitar as tentações carnais dando distanciamento fisico ao casal.

Hoje, já não se precisa ficar muito tempo para se recuperar, quanto mais tranquilo for o parto e sem intervenções cirúrgicas, mais rápida será a recuperação, chegando a levar menos de 15 dias. Há obstetras que orientam para um resguardo entre 40 a 60 dias, o importante é a mulher voltar a sentir-se bem depois da cicatrização dos pontos.

Infelizmente, as palestras que eram ministradas nos Centros de Saúde e que eram o melhor ambiente para este tipo de questões, desapareceram. Nessas palestras, não só se falava dos cuidados a ter com o bebé mas também de como a mãe deve se cuidar para evitar que a chegada do bebé interfira no relacionamento do casal.

É importante salientar que esta atitude da mãe não é intencional, ela sente-se tão feliz e emocionada com a chegada do bebé, que acha que este supre a necessidade que ela possa ter de afecto pelo que é importante que o papá compreenda isso, e crie cenários que estimulem a mulher. A relação sexual não se resume apenas no coito existe uma gama de possibilidades para se relacionar sexualmente, os beijos, as caricias, as expressões verbais entre outros criam um bem estar e são essenciais neste momento da relação.

Da mesma forma que a mulher tem as suas razões para não querer sexo, o homem tem as suas para querer. Aí, ao invés de procurar socorro numa Casa 2 a única saída é cada um compreender e respeitar a razão do outro, e juntos chegarem a um acordo. O objectivo tem de ser o de abrir espaço para o relacionamento no dia-a-dia.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sono dos lactentes, dilema dos pais?



Muitas mães têm a tendência de dormir com o filho recém nascido no mesmo quarto e até mesmo na mesma cama. Aliás, o lugar onde vai dormir o bébé não constitui tema de discussão dos futuros pais, discute-se mais o nome, o melhor berço, o tipo de alimentação, tudo menos o lugar onde a criança vai dormir.

É certo que para uma mãe que vive na casa dos pais, ou o casal que vive com sogros fica difícil ter em casa um quarto de “sobra” para o neto. Mas há casos em que mesmo com condições a criança dorme com os pais.

Uma família que dorme “unida” tem vantagem na facilidade com que o bebé pode ser amamentado, pois não é necessário ir buscá-lo a outro quarto para mamar. Uma mãe que amamenta numa "cama familiar" pode alimentar o seu filho facilmente, sem estar totalmente acordada e assim não deixa de obter o repouso de que necessita. Assim, dormir em família incentiva as mães a prolongarem a amamentação e todos os seus inúmeros benefícios por mais tempo.

As falhas respiratórias são relativamente comuns nos primeiros meses de vida e se não forem evitadas ou socorridas podem resultar em morte. Portanto, dormir acompanhado pode ajudar a evitar essa triste ocorrência.

Uma mãe que amamenta tem ciclos de sono e sonhos coordenados com os do seu filho, o que a torna altamente sensível ao bebé. Se estiverem a dormir próximos, ela acorda automaticamente se houver uma falha respiratória mais longa. Mas se o bebé estiver sozinho, esta intervenção não será possível.Qualquer perigo noturno é reduzido, se a criança tiver um adulto próximo.

Por outro lado, há quem ache que o melhor é colocar a criança a dormir no seu quartinho, com a babá ou mesmo o aparelho electrónico que a cada som emitido pela criança no seu quarto, os pais ouvem (babá electrónica), portanto, podem estar ao controle das crianças.

Para este grupo, o facto de dormirem com a criança para além de interferir na vida do casal, ela (a criança) fica dependente da companhia dos pais para dormir, perturba a privacidade do casal e criam-se problemas de ordem psicológica e familiar que podem ser sérios. Sozinha, a criança já fica acostumada a ter o seu prórpio cantinho, crescendo mais segura e menos dependente.

Acho que todos nós conhecemos histórias de crianças com 4 anos que ainda dormem com os pais, e estes têm dificuldades em tirá-las do quarto, pois choram, esperneiam e inventam mil desculpas, desde fantasmas até doenças.

Bom, temos aqui dois cenários e eu pergunto para quem ache que a criança deve dormir no seu quartinho, deverá isso acontecer logo que ela saia da maternidade? Se não qual deve ser o tempo mínimo?

Aceitando-se que a criança durma no mesmo quarto com os pais, estes devem partilhar a cama com ela ou deverá dormir no berço? Qual a melhor altura (idade) para a criança começar a dormir no seu quarto?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Alimentação alternativa, opção inteligente



Comer bem para muitos, não só é ter o prato muito cheio como também é ter vários nacos de carne gordurosos todos os dias. Muitos não sabem ou ignoram as repercursões que o consumo excessivo de carne provoca no organismo.

Também não estão conscientes da gincana que é para uma dona de casa ter na panela todos os dias carne para o agrado dos “carnivoros”. O preço da carne é proibitivo e comprá-la em porções que alimentem a familia por muito tempo, decerto que tem forte impacto na economia domestica.

Preparar os alimentos de forma racional, econômica e sem desperdícios é uma forma de minimizar uma das nossas maiores dores de cabeça: o problema da fome agravado pelo elevado custo de vida e a crise mundial de alimentos.

Fazer do acto de produzir e de preparar o alimento, uma cultura que visa promover a nossa saúde e o nosso bem estar, bem como nos permitir gerar rendimentos com sustentabilidade, é outra forma de minimizar a “enxaqueca mundial e nacional” e, porque não, a domestica.

Preparar alimentos de baixo custo com alto valor nutritivo, como a batata-doce, folha de abobora, mandioca, cenoura, pepino, nabos, rabanetes, etc., que muito abundam em várias regiões do país, utilizando os alimentos de forma integral e respeitando as diversidades culturais, é outra forma.

É possivel comer bem, com muito sabor e a custo baixissimo, por exemplo, uma sopa feita com caule, talos, cascas, folhas e sementes de alimentos como a abóbora, a batata, a couve, nabiças, etc. Pode-se também fazer compotas, sumos e nutritivos batidos de fruta da época ao invés de se comprar os empacotados.

O que nos falta é coragem de experimentar e impor essa ideia no seio da família. Também aquela ideia de que “moçambicano só gosta de carne” é outra dor de cabeça de toda dona de casa. Mas já é mais do que tempo de implementar “bifes de beringela com feijão verde salteado” na nossa dieta alimentar permutando a alimentação baseada em carnes vermelhas por carnes verdes.

Experimentemos! Ousemos! É barato e muito mais rentável, saboroso e muito saudável para toda a família e, acima de tudo, o nosso organismo é quem mais agradece.