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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Boas Entradas!


Pois é, a passo de cama-leão vamos revitalizando o vasikate, entre altos e baixos estamos aqui, o que não se pode fazer é parar.
2010 foi-se (foi-se?), não sei, os minutos, as horas os dias passam, mas ficam sempre os momentos, esses nunca apagamos da memória, vão connosco seja onde for, por isso é que passamos de um ano ao outro carregados de retalhos dos anos anteriores.
Neste momento de transição e porque a hora é propícia para reflexão( ou pelo menos parece ser) deixo-vos com um texto da Lourena Massarongo.
Achei o texto interessante, não me perguntem porquê, não sei dizer!Só sei que lí e relí, não consigo comentar, até tentei mas não consegui. É que o tema é forte, full of traps...
Parecer ou Ser? O que é mais importante? Enquanto que o Parecer é uma imagem que se constrói a partir do que os outros pensam e esperam de nós, o Ser é intriseco, é a essência do que somos, e sem dúvida que o que somos e o que aparentamos são os pilares das nossas relações sociais.
Surge então a questão o que é mais importante? Parecer ou Ser?Basta apenas Ser? Sem precisar Parecer? Ou o contrário?


Leiam, vê-mo-nos em 2011, boas entradas a todos!


"Pois! É incrivelmente difícil falarmos connosco sobre nós mesmos! Sem plateia nem aplausos, não temos alternativa senão sermos nós mesmos, celebrando os nossos defeitos e enfrentando as nossas virtudes!


Não, não me enganei: queria mesmo dizer celebrando os nossos defeitos! E porquê não? Se mesmo lutando durante anos para mudar algumas coisas em nós próprios, pouco ou nada conseguimos (e ainda há quem se iluda tentando mudar outrém), concluo que somos chamados a conviver com os nossos próprios defeitos de forma diferente: celebrando-os!


Celebrar os defeitos significa, antes de mais, aceitá-los, que significa deixar de lutar contra eles e, finalmente, deixar de lutar contra eles significa começar, finalmente, a ser alguém! Alguém? Não: VOCÊ! Isso mesmo! Entenda-se que quando falo de defeitos, refiro-me aos que nós mesmos qualificamos como tal, isto é, àquilo que não gostamos em nós mesmos, coisas que gostaríamos de melhorar por e para nós mesmos! Digo isto porque considero que o que outros consideram como defeitos nossos, nem sempre o são: muitas vezes são expectativas que eles criaram a nosso respeito e esperam que nós correspondamos à risca aos rótulos que nos colocaram! Pudera! Nem eles são capazes de preencher as próprias expectativas como se atrevem a exigir mais de outrém?


Comecei por falar nos defeitos por serem evidentes e consensuais fontes de frustação mas, acreditem, as virtudes podem também constituir uma fonte de frustração! Quando disse enfrentando as nossas virtudes, também não me enganei! E porquê não? As nossas virtudes estão sempre lá, acenando para nós e, nós, não temos coragem suficiente para ir até elas!


Assustador?


É realmente assustador sermos nós mesmos se, ao mesmo tempo, procuramos ser aceites por todos (para os mais exigentes) ou pelas pessoas de quem gostamos (para os mais reservados)! Quantas vezes não fizemos/dissemos ou deixamos de fazer/dizer algo por medo de sermos rejeitados? Quantos de nós não se expressam/identificam/vestem como gostariam por temerem a rejeição? Quantos de nós estudam/trabalham em áreas que detestam mas o fazem para agradar os pais/porque está na moda/porque a “malta” acha a nossa vocação ridícula/não daria dinheiro suficiente para manter o nível de vida desejado (como se valesse a pena o sacrifício)? Isto é a expressão mais gritante do suicídio das próprias virtudes!


Parecemos elegantes, parecemos educados, parecemos letrados (esta é mais difícil embora alguns lá consigam chegar com alguns punhados de “portanto”), parecemos carinhosos, etc...
Não é assustador que sejamos tão cautelosos em gradear as nossas casas (com medo que nos roubem o mobiliário e eletrodomésticos que tanto show off nos proporcionam)/ colocar alarme nos nossos carrões (todos do último grito) e sejamos incapazes de usar o preservativo?
Quantos de nós, sedentos de aparências, mantemos o guarda-roupa em constante update, perfumes de top e restaurantes badalados, tudo isto à custa da alimentação, saúde, educação e alojamento condignos para nós próprios e para os nossos filhos?


Mas afinal, quem somos? Parecemos, não há dúvida! Mas somos? Seremos? Queremos ser?
Temos medo de não ser aceites como somos? Por quem? Pelas pessoas que nos amam? Pelas pessoas a quem amamos? Quem nos ama, aceita-nos incondicionalmente! Quem amamos, se não nos aceita como somos, não nos ama e, se nos não ama, não merece que desperdicemos o nosso amor nem as nossas virtudes e muito menos os nossos preciosos defeitos!


Entenda-se que, quando me refiro à aceitação mútua entre amantes, não excluo as cedências que concordamos em fazer para o equilíbrio das nossas relações; essas são incontornáveis, mas, com os devidos limites, salvaguardando sempre a identidade de todos e de cada um! Quando cedemos demasiado para manter alguém na nossa vida, perdemo-nos nós mesmos, mantendo esse alguém ligado a um estranho.


Convido-vos a abandonar o clube dos que parecem muita coisa e nada são; convido-vos a buscar em vós, todos os sonhos abafados, todos as esperanças sufocadas, todo o vosso “eu”! Afinal, todo este longo texto, era só para convidar-vos, imaginem, a SER ao invés de PARECER... "

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Senhora dona tapete

O medo do abandono, por parte do parceiro, que tem múltiplas consequências psicológicas e sociais como o julgamento social ou o medo de ter sob sua única responsabilidade a educação dos filhos, sobretudo se desempregada, faz com que muitas mulheres façam de tudo visando a todo o custo agradar a cara-metade, mesmo se de lucro ganha bofetadas.

Para estas mulheres, a simples ameaça de abandono é sinônimo de desespero pois a vida apenas faz sentido enquanto ela tiver o “lar garantido” esquecendo-se frequentemente de si mesma. Para servi-lo, vale até servir de tapete, aliás ser esse mísero acessório doméstico parece até ser um prazeiroso sacrificio que pelo qual vale a pena passar.

Agradar o companheiro em tudo é palavra de ordem e, caso ele não concorde com algum desejo ou vontade dela, isso é imediatamente deixado de lado, para evitar contrariá-lo. Com essa atitude, de senhora dona tapete, a mulher castra as suas vontades e desejos em nome da segurança e equilibrio que acredita ser unicamente sustentado pelo amado(?).

Mas esse papel não é só vivido por mulheres com aliança no dedo. Namoradas que prevêm um futuro com o namorado, fazem isso em nome desse longíquo futuro. As outras são campeãs no papel de senhora dona tapete: prestam-se a qualquer serviço, sobretudo no domínio sexual, o que faz delas as “tais”, em nome desse romance proibido e de tudo mais que lucram com isso.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Retrossexual



Aquando das postagens sobre homens preocupados com a própria aparência, por razões diversas, ninguém se quis identificar com os metrossexuais cá da praça MC Roger, Bang, Edson Macuacua, Atanásio Marcos. O mesmo aconteceu quando o assunto foi sobre homens que fazem de seus dotes culinarios uma forma de atrair mulheres, os gastrossexuais. Será que estes homens, que não se identificaram nem com os metros e muito menos com os gastro serão retrossexuais ?

A palavra "retrossexual" é um anglicismo utilizado para definir um homem com pouco senso estético, que não gasta nem tempo nem dinheiro cuidando da aparência e do seu estilo. O retrossexual é um homem que gosta de ser macho, de realçar seu lado masculino e de marcar uma oposição ao conceito "metrossexual", nome usado para definir o homem preocupado com as últimas tendências da moda, com o seu corpo e com tratamentos de beleza.

O "retrossexual" possui uma aparência rude, de canalha, com toques primitivos, além de um sorriso angelical. Ele se sente orgulhoso de não ir à academia malhar e de não utilizar cremes cosméticos e loção pós-barba. Na sua limpeza basta água e sabonete e a sua curiosidade pelas últimas tendências da moda é nula.

O "retro" ama o fato completo, sempre bem cortado e em tons escuros, como peça insubstituível para o trabalho e para eventos sociais. Ainda assim, em seu armário existem peças funcionais, como camisetes, gravatas, jeans e camisas. Há também sapatos com atacador, "encaixo", sapatilha e o único assessório que os "retrossexuais" se permitem usar é o cinto.

Por outro lado, ele substituiu as revistas de moda pelas de carro e os catálogos de cosméticos pelos jornais desportivos. Além disso, são amantes dos cocktails e bebidas fortes. Geralmente, são homens com dinheiro, que vivem numa na cidade ou em zonas em expansão com condominios, têm um alfaiate e barbeiro.

Ops, é verdade, se o termo "metrossexual" não tinha nenhuma relação com sexo ou o tamanho do pênis, na palavra "retrossexual", em alguns contextos, serve para definir o homem que está algum tempo sem praticar sexo…

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Geografia dos Amores

AVerdade foi à procura dos lugares, no Grande Maputo, onde os residentes da capital do país dão facadas no seu relacionamento conjugal e não só. O fenómeno, moral e religiosamente condenado, estáem alta e a encher os bolsos dos proprietários dos “escondidinhos” –hotéis, pensões, esplanadas, barracas e até casas familiares – que exploram esses prazeres alheios no Grande Maputo…


Acomodada em sofás, uma dúzia de casais ilegais espera pela oportunidade de entrar nos cerca de 20 quartos que, às 18 horas de uma terça-feira, estavam superlotados desde às 10 horas que cá estamos. Há casais de todas as idades e classes sociais. No meio está um par dequinquagenários envolto em beijos e carícias. À esquerda uma ‘quatorzinha’ meio envergonhada na companhia de um homem barrigudo ecom idade para ser seu avô, dono de um BMW e barba farta. Também aguardam, pacientemente, pela sua vez. À direita estão dois, quatro,talvez mais pares de jovens que passam o tempo com mais um duplo de uísque ou de amarula.
Ninguém olha para ninguém. 11, 13, 16, 20, 22 Horas: pares, exaustos,vão saindo, cúmplices, um a um ou abraçados e entram, cabisbaixos, nas viaturas. Há aventureiros que vão como vieram: pelas suas próprias pernas. Aqui o jogo é este: em função da hora de chegada, os ‘amantes’ são convidados a ocupar os quartos por uma, duas, três horas ou mais, consoante o bolso e tempo de cada um.


Inimigo íntimo
Dinheiro. Comida. Carro. Diversão. Liberdade. Extravagância. É o que esperam da vida essas pessoas que fornicam com ‘maridos’ e ‘esposas’ alheios em quartos de hotéis, motéis e pensões. Ou em casas familiares, esplanadas e barracas que aprovisionam quartos para tal fim.
Antes encarado como um prémio da relação amorosa, o prazer sexual há muito que passou a ser direito dos maputenses que se iniciam mais cedo, têm mais parceiros e se casam mais tarde.


Tó Sam, 35 anos, casado há 10 e frequentador assíduo desses locais,aceitou contar ao @Verdade os passos da sua infidelidade: “Comecei atrair a minha mulher ainda na fase de namoro, com colegas da escola ouvizinhas.” Apanhou o vício, daí que, mesmo depois de passarem a viverjuntos e terem um filho, ele continua a trair a sua cônjuge que,conformada, até já coloca preservativos nos bolsos do marido. “Não há como: de repente você recebe uma chamada, um “e-mail” ou um “sms” aconvidarem-te para uma conversa e, quando chegas ao local, abrem-te asportas de um carro que te leva para um hotel onde te pagam tudo…ah, então diga: como não cair na ratoeira assim?!!!”


O mapa erótico…
O século XXI, com o advento da internet e dos telemóveis, reduziu asdistâncias. É com base na internet e telefone celular que as pessoas agendam encontros eróticos. Só na cidade de Maputo, exemplos são aos milhares. Muitos funcionam escudados por detrás de restaurantes, pensões, esplanadas e barracas. Um dos mais procurados está em plena Avenida Eduardo Mondlane, defronte do “Covo”, onde os casais recebemchaves de quartos do andar superior. Preço: 200 meticais/hora. É um desafio à imaginação andar quinhentos metros de uma avenida de Maputo sem que se encontrem lugares idênticos.
Há na Sommerschield, na Polana-Cimento e “Caniço”. Na baixa da cidade há dezenas de pensões que exploram esses prazeres alheios para ganharem muito dinheiro. Idem no Alto-Maé, Malhangalene, Benfica, Catembe e Triunfo. Na Matola também.
Naquilo que se classifica como nova tendência, os aventureiros sexuais fogem da zona urbana para a periferia, uma tentativa de sedistanciarem do “faro” e do olho dos parceiros – legais – familiares, ou da sociedade. Quem descobriu a façanha e investiu em quintas disfarçadas em casas de pasto está a ganhar muito dinheiro. Lá, os preços variam em função da qualidade dos serviços prestados: quarto com ar condicionado, cama casal redonda, TV ‘multichoice’, água canalizada e quente oscila entre 300 e 500 meticais/hora. Geralmente, são locais concebidos com parques de estacionamento, bar e restaurante com churrascos onde, no caso de superlotação, servem de perfeitas salas de espera.


Perigoso...
Fornicar ilegalmente pode parecer bom mas também pode ser o começo dofim de um longo sonho que começa(ria) com aquele cenário clássico em que, com uma gravata apertada e um belo vestido branco com véu egrinalda, o padre abençoa a união e exige das partes envolvidas uma declaração pública, com testemunhas, segundo a qual se deve “serfiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e nadoença, seguindo amando e respeitando, até que a morte os separe”.Mas está difícil. O fácil, porém, é chegar a esses “escondidinhos” e “comer a fruta proibida”, tal como Adão e Eva o fizeram contra a vontade divina, não obstante ter-lhes advertido de que “ (…) tudocomereis, mas da árvore da vida não comereis”.
O perigoso – e curioso, infelizmente – é que essas pessoas nasceram e/ou cresceram diante da propagação do SIDA. Mas a doença não travou a multiplicidade de parceiros, como se imaginava. Como Tó Sam, muitosdos que praticam relações extra-conjugais raras vezes usam(correctamente) os preservativos. Elias Mubai, 40 anos de idade e umdos gerentes desses “escondidinhos” conta o que lhe atormenta há anos:“ Já acudi a casais que lutam ou saem dos quartos zangados por causado ‘usas-ou-não-usas preservativo!” Como ele, muitos dizem que ospreservativos permanecem longo tempo nas gavetas das cabeceiras porque não são usados. Isso faz-lhes pressupor que muitos casais devem estara manter relações sexuais ocasionais desprotegidos. E a contribuírempara o elevado índice de seroprevalência. “ Não sei porquê!”, remata onosso interlocutor.


Porque me trais, já não tens coração, amor?
Ninguém duvida de que a traição sexual acontece quando há algum tipode insatisfação, seja ela amorosa, física ou material. Como seres humanos, homens e mulheres são movidos pela busca incansável do prazere vão em sua busca.
Fora a questão material, a explicação que os académicos tentam encontrar é, como diz, no estudo que está a conduzir, Tânia, de 28anos, psicóloga e professora universitária: “Estamos mais livres, aprendemos o caminho do prazer e já não queremos sair da cama sem onosso orgasmo”. Para tal, basta “levarmos camisinhas na bolsa, tomarmos a iniciativa na hora da ‘paquera’ e trairmos quando estamos insatisfeitas. Por outras palavras: “ Vamos à luta sem medo!”
Para Tom, de que falamos anteriormente, trair é uma coisa naturalíssima no ser humano: “O desejo que não está ligado ao amor, isso acho que todo mundo já deve ter sentido na pele e a vontade de viver com emoção”. Estas duas coisas são indiscutivelmente humanas. Eé por isso que a traição ocorre. Os homens traem e as mulheres também.
É a liberdade sexual que cresce de forma avassaladora? A psicóloga eprofessora universitária refere que sim. E justifica: “Embalada nessa busca, que muitas vezes é incentivada pela pobreza – material, moral eespiritual – a modernidade que a sociedade conquistou contribui para a actual tendência de relações extra-conjugais”. Tânia explica que “isso deriva do facto de, mal veiculada, a mensagem sobre o SIDA ter sido,por consequência, mal apreendida”. É como se, enquanto se apela ao ‘NÃO TRANSE SEM CAMISINHA’, e a Bíblia diz “NÃO ADULTERARÁS”, asociedade entendesse justamente o contrário: “USE O PRESERVATIVO E FORNIQUE ”. Uma vez confrontados com o facto, religiosos como Dom Diniz Sengulane já disseram que “vivemos numa época em que já ninguém tem coração.”

Sinais de traição frequentes
Segundo a revista “Nossa Vida”, um destes sinais pode revelar traição. Contudo, recomenda para se ter sempre presente de que existem hipóteses de o seu cônjuge não a estar a trair e que a desconfiançaseja feita sempre de forma a não destruir a relação para o caso de as suas suspeitas serem infundadas.


Masculina: 8
- Não deixa que ninguém toque no seu temóvel ou computador;

- Chega a casa com um cheiro diferente;

- Nada mais o chateia;

- Começa a produzir-se mais;

- Começa a ser mais desconfiado;

- Começa a dar respostas rebuscadas demais;

- Gasta mais dinheiro e não é capaz de o justificar credivelmente;

- Já não está tão interessado no sexo.


Feminina: 6
- Passa mais horas fora de casa;

- Maior preocupação com a aparência;

- Pode não fazer sexo com o marido pois fica mais “fiel” ao amante;

- Aumento da conta do telefone;

- Não menciona o nome do amante mesmo com as amigas;

- Contacto frequente com o “colega” de trabalho.

Escrito por Anselmo Titos (recebido por email)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Paulito, Paulo ou Paulão?


Há factos que confundem a perversa mente humana. Muitas mulheres lamentam a pouca vergonha que é a nudez exposta na rua, quer pelas próprias mulheres, como pelos aflitos regadores das acácias. Um dos exemplos vivos da incredulidade e desalento da ala feminina, é o facto de os dementes, que se apresentam nus ou semi-despidos, serem dotados de orgãos divinos e não raras vezes se ouve o desabafo “se fosse o de lá de casa”!

Tal como acontece com os homens, que avaliam na potencial parceira, o tamanho dos seios, o contorno das coxas, o arco da bunda, as mulheres também avaliam alguns aspectos para “aceitarem” um pretendente como seu parceiro. Para além do porte fisico, da beleza, do charme, da voz e do tipo de conversa, os vestigios financeiros contam bastante: verdade seja dita, hoje, mola, carro, casa, fazem parte dos top’s no CV!

Digam o que disserem, a genitália masculina, é motivo de preocupação das mulheres e um um rápido, imperceptivel e avaliador olhar é dirigido as partes baixas do pretendente. Sabido que em conversas corriqueiras, entre os pretendentes, a “máquina” está com o motor desligado, um simples e analitíco olhar feminino não basta: há necessidade de procurar outras pistas para avaliar a geometria do que garantirá satisfação futura e eterna.

Um olhar ao formato do polegar, de preferência do pé, diz-se que costuma trazer indicíos reveladores. Há quem diga que homens com olhos estrábicos, na máquina, estão com tudo. Tal como na mulher, conta também a avaliação do porte físico: se é alto, diz-se que “a coisa” tem tendência a encolher e ser fina, se é obeso, idem, mas é um bocad(inh)o grosso. Enfim, mitos sem fundamento científico e real.

Por essas e outras razões míticas, mulheres há que não abdicam do “negrão”, já que as línguas lascívas dizem que tais individuos são os mais dotados de todas as raças, o que pode não corresponder a verdade. Também duros na queda, por conta da natureza que não foi justa, os homens tudo fazem para não “pecarem” na hora da oração e de joelhos procuram compensar seus “pecados” longamente e com fervor.

A questão é polémica, mas real e, assim sendo, sejamos francos: as mulheres preocupam-se ou não com o tamanho do membro do seu homem? O Paulão é ou não mais prazeiroso do que o Paulito? Qual é, na verdade, a preferência feminina? Paulito, Paulo ou Paulão? Breve, a grande questão é: “tamanho é ou não documento”? A mulherada, em confissão no fórum feminino, assim o assegura. Porque assim será?

Na hora do “vamos lá ver” o que realmente conta? Calibre ou performance? Mulheres 4.0 – 4.5, asseveram que no momento da escolha de seus parceiros não tiveram em conta esse parâmetro, aliás, como elas mesmas sublinham, foram “escolhidas”. Para a mulher da actualidade, na faixa dos 3.0 – 3.5, exceptuando as que estão de olho na mola, esse parâmetro é “o parâmetro”, ainda que as deixe mutiladas no dia seguinte.

Nisso tudo, o mais engraçado é que na arte antiga grega “achava-se que um pênis pequeno e não-circuncisado era mais desejado nos homens, ao passo que um pênis grande ou circuncisado era visto como cômico e considerado, tempos depois, uma "bestialidade" ou "animalidade". Tempos! No final de contas, não iremos baixar as calças a ninguém pois, uma agulha sempre costura um casaco...

Paulito daqui

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ela-é-mais-velha-do-que-ele!


A natureza humana condena toda e qualquer prática em relacionamentos que não se enquadram dentro dos parâmetros tidos como normais. Por exemplo, o casamento entre heterossexuais é natural e entre homossexuais, fora de questão. Quando se trata dum homem maduro 4.5, que na horta da vida come uma alface fresquinha 1.8, quase nenhuma nuvem é levantada pois o fenómeno quatorzinha é engolido com relativa facilidade.

Quando se trata de mulheres, que impulsionadas pelos mesmos motivos ou por outros semelhantes aos dos homens (que trocam mulheres 4.0 por outras mulheres com metade da idade desta), o caso muda de figura. No entanto, hoje em dia, cada vez mais mulheres entre 3.0 e 4.0, se não mais, se tem vergado ao encanto dos moços 2.0/3.0 e, portanto, apostado intensamente nesse tipo de relacionamento.

É verdade que, muitas vezes, a mulher procura nos jovens moços o humor, a aventura e os desafios caracterisiticos da juventude passada e que nunca volta atrás. Ainda assim, nestas relações, onde ela-é-mais-velha-do-que-ele, as “cenas”, contra todas as expectativas, dão certo pois a diferença cronológica não importa, mas sim a maturidade pois há muitos kotas mas com mente infantil.

Aos olhos de muitos, nesse rol amigos e familiares cheios de preconceito, o conhecimento deste tipo de relacionamento, em que ela-é-mais-velha-do-que-ele, leva a várias, imediatas e precipitadas conclusões e condenações: “ Agora és a mãe dele?”, “Qual é, queres criar outro filho?”, “Não vês que esse só te quer chular?”. Muitos satirizam a polémica relembrando o sketch muito publicitado do Gungu:

_ Miúdo, não tens vergonha ? Andar com uma mulher que tem idade para ser tua mãe?
_ Kota, isso são bifes, pah!
_ Bifes, pah?
_ Ya! Essa dama me dá um cash!
_ Cash pah?
_ Ya! E sem que eu lhe peça pah!
_ Lhe peça pah
? (...)

O sketch, retratado na peça “Mulheres à beira de um ataque de nervos” é inspirado de “Khomani” de Dj Ardiles. Há também o hit “Senhoras” de Flwaless, dos Med Level, e ambos refletem a imagem que grande parte da moralista sociedade tem quanto a relação ela-é-mais-velha-do-que-ele: “É uma pouca vergonha(?)!”. Ou então, na onda de Flawless, essas senhoras usam o poder financeiro para que o moço faça o serviço “mas não existe love”.

Porque é que quando ela-é-mais-velha-do-que-ele a afirmação “o amor não tem idade” perde sentido? Os sentimentos, em relacionamentos com relativos intervalos de idade, tem apenas valor quando ele-é-mais-velho-do-que-ela? Será que em todo relacionamento ela-é-mais-velha-do-que-ele o que conta é o quando poder financeiro para cativar o jovem? E quando ele-é-mais-velho-do-que-ela porque esse poder já não altera o preconceito?

Imagem daqui

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Solteiras vs Livres

“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo....isto é carência!(Fransisco Buarque)

Para começar devo dizer que o assunto que pretendo abordar é controverso, complexo e pode ser analisado de múltiplas formas, com maior ou menor paixão, emoção, conhecimento de causa(?).Mesmo reconhecendo a dificuldade em abordá-lo procurarei dar um olhar geral sobre algumas formas questionando o instituido, assumido como “acabado”.A postagem é longa espero que me acompanhem e que tenhamos um debate construtivo.

Antigamente, uma mulher sem namorado, noivo, marido, ou uma relação mínimamente estável era considerada “anormal” por alguns segmentos da nossa sociedade, chegando se até a dizer que ela tem um marido invisível, um xicuembo xa mudliwa, por isso os homens não a conseguem “ver” e á medida em que a idade aumentasse a preocupação também aumentava, daí que era necessário purificá-la – encomendar um banho-, ou encontrar outras soluções para resolver o problema desta que manchava o bom nome da família.


Em certos casos, essa mulher tornava-se numa pessoa frustrada, cheia de problemas emocionais e, depois de uma certa idade, ao ter a certeza de que vai passar para “titia” , como se diz por aí, a vida dela tornava-se um autêntico flagelo, um jardim sem flores, “mulher perigosa”, excluída socialmente. A “sorte triste” dela seria de viver numa solidão(?) eterna tudo porque não conseguiu sair de casa para viver com um homem como a maioria (?) das mulheres!

Com o passar do tempo essa tendencia vem mudando, já se torna “comum” encontrar mulheres orgulhosamente solteiras (?), ou com um relacionamento, totalmente livre de imposições, obrigatoriedades ou exigências masculinas.Este grupo de mulheres, já não se considera solteira mas sim livre! Atenção, não quero com isso dizer que as casadas não podem ser livres, estou apenas a dizer que actualmente nalguns contextos estabelece-se um paralelismo entre a “solteirice e a liberdade”, o que é discutível por isso é que procuro debater este assunto nesta postagem.

Antes de avançar vou tentar mostrar o meu entendimento sobre alguns dos conceitos que serão recorrentes nesta postagem a saber: solteira e livre /independente.
Para mim ser solteira significa aquela que não casou e não tem marido, enquanto que ser livre/independente significa ser autónoma!
Com a introdução do se ser livre começa-se a ter uma concepção menos estanque do ser solteira, ou seja, ser solteira está a deixar de se ser sozinha, começa também a se ser livre/independente...para ser mais clara, estamos a ter uma versão contemporânea de solteiras...eish complicado né?

Ora bem, toda mulher tem o sonho de se casar na “idade ideal” e constituir família, porém nota-se que nos dias de hoje em alguns contextos algumas procuram inicialmente formar e profissionalizar-se de modo a atingir uma certa independência e só depois começam a pensar em relacionamentos sérios, que as tirem da categoria de solteiras, nos moldes defendidos pela maioria das pessoas.A sequência ideial dos acontecimentos deveria ser: formar-se, encontrar um bom emprego, casar e finalmente fazer filhos, claro com o homem ideal.

A mulher, espera que sendo independente,isto é, tendo um rendimento, poderá ter mais segurança e respeito no lar bem como uma certa liberdade em fazer certas coisas sem ter que esperar da boa vontade do marido para que “liberte” os fundos.De certa forma, a independência financeira das mulheres diminui a sobrecarga dos respectivos maridos.

Entratanto, nem sempre as coisas acontecem tal qual a sequência ideal sugere, é comum encontrar muitas mulheres, formadas, financeiramente independentes e belíssimas que não tenham algum relacionamento sério!Deixem-me abrir aqui um parênteses e dizer que certos homens, apesar de admirarem mulheres bonitas e independentes na hora de escolher, é a submissa/dependente quem vai lá para casa!As razões e as motivações dessa escolha são outro assunto...

Do lado das mulheres, hoje são várias as razões que contribuem para o aumento da solteirice, dentre elas a vontade própria para ficar sozinha, a escassês da” espécie” (leia-se homens), os insucessos amorosos, razões de ordem tradicional, os próprios ”termos de referência” do candidato que são muito peneirados o que faz com que o tempo passe enquanto aguardam pelo parceiro á altura, o facto de já terem sido casadas- dependentes/submissas ou não -e não quererem repetir a (má?) experiência, por aí em diante.

A verdade é uma, a solteirice está a ser vista de forma diferente, encará-la com alguma “normalidade” torna-se cada vez mais comum.Ser solteira hoje começa a ser diferente do que era ontem, aliás há quem ache que o estado civil começa a preocupar mais aos homens do que as mulheres...Será?

Esta nova tendência pode ser uma forma de “aceitar” e encarar a realidade, nas suas multifacetadas vertentes, tentando dar outro sentido a vida, sem se apegar aos aspectos normativos considerados correctos, também pelo facto de se achar que ser livre tem as suas vantagens pois, não se precisa prestar contas a ninguém-entenda-se homem- permite ter o seu próprio espaço, liberdade para se relacionar com quem quiser- o que não se deve confundir com a dita promiscuidade- ter mais tempo para se dedicar a carreira e vida profissional etc. Aqui a independência financeira é aliada á pessoal.

Pois bem, chegados a esta parte é fundamental questionar: Será que esta liberdade é de todo satisfatória?Existem momentos em que todos precisamos de dar e receber carinho, amor atenção enfim sentirmo-nos imprortantes para alguém, será que nesses momentos o “caso, saca cenas ou fica” seja qual for a denominação, consegue suprir essa necessidade?E até que ponto o facto de algumas mulheres quererem e lutarem para serem livres não as torna dependentes dessa mesma liberdade?Serão depois de “livres” realmente “livres” ou controladas por essa liberdade?

Bem, não posso deixar de dizer que esta nova versão tem o seu lado bom, se antes ser solteira dava ideia de solidão, só, sozinha, mulher incompleta, hoje, esse limão já não é tão azedo, podemos dizer que está um pouco mais ou menos - bavitsoco (agridoce) - não acham?

Seja como for solteira ou casada o importante é tentar ser feliz, e não depende apenas necessariamente da existência de um parceiro(a) com quem se divide o espaço!



quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ser a "outra"



Eu sou a outra
Aquela que todos condenam
Que ao meu lado ele é feliz
Que tudo o que eu fiz, nunca falam
Se limitam a ofender-me
Lutam para me destruir
Meus sentimentos ignoram
Os meus olhos sempre choram
Na rua me chamam nomes
Trambiqueira, interesseira
Já dizem que eu não te amo
Que te engano com outros homens
Eu choro, eu choro
Minha mãe não me fala mais
Meus irmãos estou a perder
Eu choro, eu choro
Minha familia eu sacrifiquei
Por ti, meu grande, amor
(...)
Desculpem, sou eu
Eu sou a outra
Também mereço, ser feliz
Oh, meu Senhor, ai ai ai
Também mereço, ser feliz
Eu mereço ser feliz!

Eu sou a outra, by Matias Damásio


Ultimamente, na nossa sociedade, ter outra, pelo reconhecimento/aceitação das familias, logo das forças da vivas da sociedade, faz com que uma amante adquira um estatuto. Ser e ter amante perdeu muito do mítico peso que tinha como segredo. Hoje, interpretado como factor indicador de elevada masculinidade, ao contrário do que deveria ser, o homem adúltero é vangloriado.

No entanto, esta mais-valia, de ter amante, não é vista com a mesma dimensão se se tratar de uma mulher: nesse caso, logo, os bois são chamados pelos seus nomes próprios. Engraçado é que perante casos destes, mais do que nunca, a igualidade de direitos entre homens e mulheres é arrogantemente rejeitada pois “homem não pode carregar chifres, apenas montar um par deles”.

A cena clássica do homem casado prometendo para a amante que largará a esposa é a regra eterna desse jogo que raramente ou tardiamente acaba em separação ou divórcio, o que não impede que o caso extraconjugal continue. Apesar de não gostarem de ser a outra, muitas mulheres mantêm o relacionamento por vários motivos, como baixa auto-estima, interesse financeiro, esperança de que o amado se separe da esposa e, principalmente, pelo forte sentimento nutrido pelo parceiro.

Neste imbróglio, há que diferenciar as diferentes outras: a outra "vite fait" e a outra fixa. A outra "vite fait", traduzido rapidinha, serve apenas para satisfazer a libido masculina e aquelas fantasias que em casa são consideradas aberrações ou taras. Esta outra, muitas vezes, faz desse seu papel uma forma de lucrar algum e tem outro relacionamento para compensar o lado emocional.

A outra, a fixa designada, entre nós, Casa 2, é alguém que tendo começado como vite fait, acaba criando raízes sendo por isso merecedora de um relacionamento não só libidinoso como também afectivo. Muitas vezes, sendo que está é considerada segunda esposa, pelo homem, dessa relação surgem rebentos e o estatuto de Casa 2 cimenta-se com betão.

Muitas mulheres, embarcam nessa aventura com pleno conhecimento de causa, algumas até o fazem de propósito. Algumas justificam a sua participação neste tipo de relacionamento alegando que “há pouco ou quase nenhum macho à solta na praça”. Também há aquela velha máxima de que, em termos estatisticos, em Moçambique, “n” mulheres estão para um homem.

As esclarecidas ou que que já passaram por algum casamento, desempenham sem remorsos o papel de outra, pois nesse tipo de relacionamento dispensam a parte ruim do casamento, como cobranças e discussões. O factor “não compromisso”, não precisar dar satisfação e mesmo assim estar acompanhada do homem de quem gosta, são vantagens que elas teimam em acreditar plausiveis.

No entanto, há outras mulheres que desempenham esse papel, da outra, sem o saberem. Algumas vezes, por força da constante convivência com o amado, chegam a conhecer a família deste e levam muito tempo a descobrir a fria em que se meteram pois ninguém as alerta. No momento da descoberta, ficam decepcionadas e apenas dois rumos lhe restam seguir: continuar ou parar?

Muitas vezes, quando a decisão é a de continuar, há que tudo fazer para garantir que a caça se torne só sua sendo que “o golpe da barriga” tem sido e continua a ser a maior e melhor arma usada nesse momento. Se a munição não é suficiente, estas não se coibem sequer de se dar a conhecer à Casa 1. Tudo com o objectivo de mudar de estatuto de “a outra” para “a própria”!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

NÃO à violência contra mulheres!



“A história da Ana

Nos primeiros anos de casados vivia bem com o meu marido. Aos poucos ele foi mudando. Discutia comigo por tudo e por nada. Pensei que era devido à falta de dinheiro. Nunca soube quanto ele ganhava mas arranjei uma banca no mercado para ajudar nas despesas da casa. As coisas melhoraram um pouco, mas depois passou a bater-me e proibiu-me de vender.

Hoje nem me deixa sair de casa. Sinto-me abusada porque fico fechada em casa à espera da ajuda dele. Mas ele já não faz nada por mim. Diz que não vale a pena confiar numa mulher preguiçosa e gastadora.

Sinto-me sozinha, uma prisioneira que sofre e que não tem voz na própria casa. Já não consigo discutir com ele e por vezes sinto-me tão triste a ponto de ter vontade de morrer, pois o meu marido está a matar-me aos poucos!” in N’weti (1ª edição 2008, Conversando é que a gente se entende, p. 17)

A violência doméstica é um circulo vicioso e pode variar na sua expressão até chegar ao seu extremo ou ao ponto do que se plasma chamar violência doméstica, a fase da agressão fisica! Numa primeira fase, a tensão acumula-se no homem, pouco depois, o caos se instala e, diante dos estragos, vem o arrependimento e com ele as pazes são refeitas.

Ao contrário do que muitos pensam, a violência contra a mulher, pode se expressar de variadas formas que não aquela que é a mais comum, a violência fisica. Pode ser verbal (insultos e outras palavras que minam a auto-estima da mulher) ou económica (não permitindo o homem que a mulher desenvolva alguma actividade de geração de rendimento).

Há também a violência social (onde o homem proibe a sua mulher de conviver com as pessoas, incluindo sua própria familia), violência sexual (que resume qualquer forma de contacto sexual não desejado pela mulher) e a violência psicológica e/ou emocional (humilhações, ameaças, insultos e outros).

É verdade que alguns homens são também alvo de violência doméstica, mas as mulheres são, sem sombra de dúvida, as que mais sofrem com ela pelo que a Assembleia das Nações Unidas fixou o 25 de Novembro como o dia Internacional para a eliminação da violência contra a mulher. Mas também, nao é menos verdade que tantos outros homens lutam pela NAO violencia contra as mulheres!


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Os nomes dos bois



Recentemente, levantou-se a polémica questão Casa 2, forma como amantes de homens casados ou, de alguma forma, comprometidos são “civilizadamente” tratadas. Polémica a parte, uns e outros com as suas razões.


Pelo que foi dito, pelo que paira no ar e pelo que não foi dito, pois o debate está sempre em aberto, conclui-se que a existência de tal “casa” deve-se ao comportamento da Casa 1, sobretudo no que se refere as performances e disponibilidade entre quatro paredes “na hora do vamos a ver”.


Na sociedade actual, talvez por ainda estar imbuída pelo espírito esvoaçante da poligamia, que modernamente se insiste em fingidamente ignorar, ter Casa 1 e 2 e, porque não, outras mais, é uma prática real. Geralmente, quem tem conhecimento de tal prática cala-se e/ou faz-se de carapau de corrida, talvez porque também é adepto ferrenho ou jogador de tal clube e o campeonato assim vai andando.


Grande parte de culpa de tais comportamentos, fingidamente inexistentes, deve-se a essa mesma sociedade que considera um polígamo e infiel, aos votos livremente enunciados, um homem de verdade e que por tal merece firmes apertos de mão e palmadas ruidosas nas costas. Cá entre nós, um autêntico garanhão mesmo se as performances estão aquém de tal comparação!


Nessa história, de 1 e 2, verdade seja dita, as mulheres não estão isentas pois também dão as suas facadinhas! Afinal, por norma, o envolvimento é entre um homem e uma mulher. E o homem cuja mulher ou Casa 1 se envolve com um outro homem, como é chamada “civilizadamente”?
Veja no Julgamento de Cesaltina!

Pois é, há nomes para bois, e há nomes para as fêmeas do boi! Estranhamente os bois quando passam pelo matadouro passam a “vestir” o nome das suas fêmeas. Engraçado, não é
?

sábado, 13 de setembro de 2008

Nu artistico vs Nu vulgar!


(Nude with crucifix, obra de Malangatana)

A Companhia Nacional de Dança em parceria com o Centro Cultural Franco Moçambicano e a Fundação Cuvilas, realizou entre os dias 28 e 30 de Agosto um festival de dança contemporânea em homenagem ao coreógrafo e bailarino Augusto Cuvilas, assassinado em Dezembro do ano passado.

Pela ocasião, foi exibido o bailado “ Um solo para 5”, que tinha como particularidade apresentar bailarinas despidas de todos os preconceitos e que, portanto, exibiram-se tal como vieram ao mundo conforme projectara e coreografara o homenageado. E, diz quem viu, não se tratou de sessão de striptease de casa de alterne. O mesmo bailado já representou Moçambique num festival internacional em Madagascar onde arrecadou um prémio em 2003, e no Panorama Rio Dança - Brasil em 2005.

Na véspera da sua realização, o público foi alertado para o teor adulto do bailado e que, portanto, não seria recomendável para menores de 18 anos. Entretanto, surgem manifestações de repúdio por parte de organizações religiosas e da sociedade civil moçambicana que consideram que bailado não representa a nossa cultura e é um atropelo a boa moral da sociedade moçambicana.

A este proposito, a representante da Fundação Cuvilas, mostrou-se agastada com as reacções das organizações pois, segundo ela, o bailado obedeceu a padrões internacionais.

Uma das grandes expressões da arte é, sem dúvida, a representação do corpo nu, portanto o nu artístico. Nu artístico é a designação dada à exposição do corpo de uma pessoa nua para fins artísticos e esse nu, apresenta-se sob forma de escultura, pintura, fotografia, dança, sendo que o corpo humano sempre chamou atenção pela sua beleza.

Retratar o nu é uma manifestação artística que remonta à Antiguidade, época em que pintores e escultores encomendavam modelos vivos para servirem de referência para suas obras-primas. Hoje, a representação do corpo feminino está um pouco vulgarizada por trabalhos que visam apenas o erótico/obsceno, alias, muitos video clips e letras de musica, que desfilam sem barreiras nas televisões e rádios nacionais são exemplo disso.

Nalguns casos, é evidente que se pretende destacar que o corpo humano pode ser usado na expressão artística. O problema é, porém, através do contexto onde o nu está inserido se diferenciar o olhar erótico do olhar artístico. Torna-se difícil ver beleza da composição da imagem, a coreografia, a sensualidade, a mensagem, o uso do corpo como instrumento de informação e sensibilidade, pois, ao invés de nu artistico, passa-se a ver apenas a “mulher nua” e saciar nossos instintos primitivos, arrastando assim, a uma consideração moralmente má do corpo feminino, que rebaixa a sua dignidade à de simples objecto sexual.

Será o facto de neste caso particular o nu artistico estar representado sob forma de dança que gerou repúdio? Temos os casos da Reinata, Naguib, Malangatana só para citar alguns, que retratam o nu feminino e são consideradas verdadeiras obras de arte nacional e internacionalmente! Estas obras expessam “mulheres nuas” ou “nu artístico”?E representam a nossa cultura?

Segundo Haid Mondlane, no seu comentário aqui, os valores na nossa sociedade oscilam entre dois critérios: “o moralista e o pragmático. No primeiro as coisas são avaliadas pelo que é eticamente considerado como bom/aceitável. No segundo dá-se mais atenção aos resultados que alcançamos. Aqui ignora-se os meios dando primazia aos fins, surge um conflito quando os dois critérios se cruzam....”.

Neste caso, as organizações religiosas consideram o nú artistico imoral, entretanto a classe artística serviu-se do mesmo (nú artístico) para difundir uma mensagem.O mais complicado é quando misturam se de forma conflituosa, onde o que é considerado “moral” (pelos artistas), é simultâneamente considerado “imoral” (pelas organizações religiosas), ou seja para atingir um fim que se pretende “moral” actua-se de forma “imoral”.

Quem está certo? Em que circunstâncias a “mulher nua” representa a nossa cultura? Na pintura? Na escultura? Na cerâmica? Na dança? Na....?